Muito além da furtividade (F-35)

O F-35 Lightning II é amplamente conhecido pela sua baixa observabilidade, mas  as características que o tornam único vão muito mais além da sua furtividade.

Por: Ricardo N. Barbosa

O novo caça de 5ª geração americano inaugurou capacidades inéditas em fusão de sensores, consciência situacional e gestão do campo de batalha. Mesmo que uma revolução na capacidade dos radares modernos coloque em questão a baixa observabilidade do F-35, este não deixaria de ser a virada de jogo no campo de batalha moderno.

Fusão de Sensores e Consciência Situacional

A fusão de sensores é uma tecnologia de última geração que combina e integra de forma autônoma informações de uma variedade de sensores. Como resultado, um piloto não tem que olhar para vários monitores separados para analisar as informações dos diferentes sistemas (radar, IRST, RWR…) da aeronave. A tecnologia de “fusão” e a consciência situacional do F-35 permite aos seus pilotos processar informações e tomar decisões mais rápido do que qualquer inimigo em potencial. A consciência situacional é a habilidade de um piloto de desenvolver e manter uma representação mental de todos os participantes na arena de combate, o que estão fazendo, e o que irão fazer no futuro imediato.

O motor de fusão do F-35 é tão avançado e revolucionário que na sua concepção havia a preocupação de que os pilotos de teste teriam dificuldades em isolar e testar um sensor em especial. Engenheiros deliberadamente colocaram uma interface específica para permitir que os pilotos selecionem um único sensor. Este recurso permite que os pilotos de teste verifiquem os sistemas individualmente. Agora o inimigo, ao invés de apenas trabalhar contra o radar, é forçado a lutar contra um conjunto de sensores integrados e fundidos. A redundância e a natureza abrangente do conjunto de sensores dão ao F-35 uma tremenda vantagem sobre os caças legados (que não sejam da 5ª geração). Esta é a grande vantagem de uma fusão avançada.

A fusão avançada faz três coisas pelo piloto.

  • Primeiro, ela monta uma única imagem integrada de todos os sensores.
  • Em segundo lugar, ela faz com que os sensores preencham dados que faltam.
  • Em terceiro lugar, ela compartilha a informação com todos os outros na rede.

Visualize o seguinte cenário:

Um piloto inimigo efetivamente neutraliza o sensor A de um F-35 em uma formação de vários. A probabilidade de que o inimigo seja capaz de fazer o mesmo com outro F-35 na mesma formação é quase nula. É extremamente difícil para o inimigo derrotar múltiplos sensores em vários F-35s simultaneamente. Como os sensores entre os F-35s estão fundidos, o piloto na aeronave #1 pode simplesmente usar o conjunto de sensores da aeronave #2. Nessa configuração, cada aeronave F-35 complementa a consciência situacional da outra e torna quase impraticável que o inimigo comprometa a percepção da situação de todo o esquadrão. Essa estratégia de guerra centrada em rede é apelidada pelos estrategistas de guerra TRON.

Vejamos o conjunto de sensores do F-35 com mais detalhes e lembre-se de que cada sensor está conectado e controlado por um mecanismo avançado de software de fusão, o que resulta em mais do que a simples soma das partes.

Radar – Na maioria das vezes, a fusão controla o radar para detectar e rastrear alvos sem muito envolvimento do piloto, ou as vezes até nenhum envolvimento. A fusão usa o radar como uma das suas entradas e exibe o resultado para o piloto e compartilha os dados fundidos com os outros F-35s na rede.

DAS – O Sistema de Abertura Distribuída (DAS) é um sensor novo e exclusivo do F-35. Ele fornece uma cobertura de 360° em volta da aeronave através de 6 câmeras infravermelhas. Para o piloto, os dias em que um oponente esgueirava-se por ele sem ser percebido chegaram ao fim. Ele pode detectar e rastrear outros aviões por sua assinatura térmica, também faz a detecção do lançamento de mísseis que é sua principal função. Se detectar um lançamento, dirá: “lançamento, 2:00 a direta, baixo”. Neste caso, a fusão colocará um símbolo na viseira do capacete em torno do míssil e no ponto de lançamento. Os pilotos costumam dizer: “Se eu posso ver o míssil, eu posso vencê-lo”. Com um símbolo na viseira do capacete, o piloto saberá que há um míssil dentro do símbolo, mesmo que ele não consiga ver o míssil a olho nu. A outra função que o DAS executa é chamada de GTL (Ground Target Launch). Esta é a capacidade da fusão de através do DAS seguir o caminho do míssil de volta ao solo. A fusão coloca um símbolo no visor do capacete com o ponto de origem do lançamento.

EOTS – O F-35 vem com um sistema eletro-óptico de 3ª geração chamado EOTS (Electro-Optical Targeting System) que localiza-se no ventre do F-35, esse sistema proporciona detecção passiva termal e designação de alvos por feixe laser, funciona como FLIR e IRST. Na prática o EOTS assume a detecção termal a médio-longo alcance na faixa mais a frente da aeronave e o DAS assume a detecção termal a médio-curto alcance nos 360° em volta da aeronave. A linha de visão do EOTS pode ser controlada manualmente pelo piloto ou automaticamente pela fusão. A fusão faz um trabalho extremamente bom, o que significa que o piloto tem um sistema a menos a ser gerenciado.

AN/ASQ-239 “Barracuda”-  Barracuda é uma suíte de guerra eletrônica (EW) composta por inúmeros sensores a fim de detectar, rastrear e neutralizar emissões eletromagnéticas do inimigo,  foi projetado desde o início para uma integração máxima, é capaz de operar não só com outros componentes dentro da aeronave, como o radar, mas também pode operar com outros F-35s para executar operações de EW em conjunto, como a geolocalização de fontes emissoras. À medida que a aeronave voa através do campo de batalha, a suíte de EW é encarregada pela fusão de construir uma imagem do campo de batalha eletrônico. Ela identifica os emissores, localiza-os, classifica-os e depois reporta ao piloto o que ela detectou no campo de batalha. No F-35, o conjunto de guerra eletrônica possui todas essas funções incorporadas e é capaz de usar  todas as antenas do avião, incluindo o radar, tudo sob o controle da fusão e com o envolvimento mínimo do piloto.

Capacete – Muitas das capacidades revolucionárias do F-35 são incorporadas em seu capacete que mudou para sempre a carga de trabalho do piloto. Os sistemas de exibição montados no capacete do F-35 fornecem aos pilotos uma consciência situacional sem precedentes. Todas as informações que os pilotos precisam para completar as missões – velocidade, posição, altitude , direção do alvo– são projetadas na viseira do capacete juntamente com imagens em tempo real fornecidas pelo DAS, possibilitando assim uma visão em 360° de tudo o que acontece ao redor da aeronave, inclusive a capacidade de olhar através do piso e visão noturna. O Gen III dá ao piloto uma excepcional consciência situacional, no Vietnã , 80% das perdas foram decorrente da perda de consciência situacional por parte dos pilotos.

Existe uma interação entre todos os sensores, quando estão olhando através do mesmo volume angular do espaço a fusão os trabalhará de forma sinérgica, eles podem comunicar-se um com o outro. Assim que um sensor detecta algo, a fusão chama todos os outros sensores para observar essa linha de visão e tentar encontrar informações sobre o alvo. O impressionante é que tudo isso ocorre sem o envolvimento do piloto. Quando a fusão reconhece que algo localizado pelo DAS está no mesmo espaço angular que o radar, indicará ao radar: “Radar, olhe ao longo desta linha de visão e obtenha o alcance nesta faixa, o DAS encontrou algo”. Ou se o radar tem um contato e ele vai para além do campo de visão do mesmo, a fusão dirá ao DAS: “continue atualizando este contato para o piloto até que ele volte para o campo de visão do radar ou volte para o campo de visão de algum outro sensor do avião”.

Quando alguns dos sensores capta a assinatura de um avião inimigo ou arma, o mecanismo de fusão do F-35 aconselha ao piloto sobre a melhor arma ou manobra a ser usada contra a ameaça. Ele faz isso coletando dados de todos os sensores do avião, de outros F-35s e demais aeronaves, analisando-os, comparando-os com uma “biblioteca” de ameaças e fazendo recomendações ao piloto, normalmente logo na viseira do capacete altamente avançado. Se houver múltiplas ameaças, o F-35 identifica os alvos de maior valor e recomenda quais armas usar e faz recomendações para o piloto sobre a ordem em que deve lidar com cada ameaça. É esta sinergia dos sensores a bordo do avião e o fato de que o motor de fusão está fazendo isso pelo piloto que resulta em uma carga de trabalho no cockpit a nível gerencial. Essas coisas são trabalhosas para que o piloto controle manualmente, mas é fácil para um computador controlar algorítmicamente.

Comandante Oficial George Rowell: “Foi no meu primeiro voo na Base Aérea de Edwards no dia 16 de Janeiro. Eu entrei no avião e então o liguei. Eu ainda estava no solo e havia aparentemente outros F-35 no ar, da USAF (Força Aérea dos EUA) eu acredito, eu não estava ciente. Eu estava sozinho, apenas deveria decolar e me familiarizar com a aeronave. À medida que as telas ligavam haviam rotas aparecendo e a consciência situacional dizendo o que todos estavam fazendo no espaço aéreo, e eu ainda estava no chão. Digo, eu ainda não tinha conseguido minha autorização de decolagem ainda. Eu nem sabia de onde estava vindo. As informações estavam vindo de outros F-35 no ar. O jato tinha começado todos os sistemas para mim e a consciência situacional estava lá. Foi um momento impressionante para mim.

Coronel Rich Rusnok: “Estou indo lançar armamento ar-terra simulado e inimigos estão vindo na outra direção. Eu tenho bastante consciência situacional para avaliar se o inimigo vai ser um perigo para mim no momento em que eu liberar o armamento. Eu posso tomar a decisão, eu vou para o alvo, eu vou soltar este armamento, simultaneamente eu travo o radar na ameaça, assim que eu liberar o armamento ar-terra eu posso virar um interruptor com o meu polegar e disparar no inimigo. Isso é difícil de fazer em um caça de quarta geração porque há muita carga de trabalho com os sistemas no cockpit.”

Gestor de Combate na Red Flag

F-35A premieres at Red Flag 17-1

A Red Flag é um dos maiores exercícios de alta intensidade no mundo. Ela é projetada para simular os 10 primeiros dias de um conflito com centenas de ativos envolvidos. Uma força amistosa (Blue) contra uma força inimiga (Red) em um cenário projetado para fornecer aos pilotos uma experiência de combate real, para que possam melhorar seu conjuntos de habilidade antes de entrar em um combate de fato. Uma missão da RF é composta geralmente por 20-25 adversários: não só aeronaves, mas também ameaças terra-ar, ameaças móveis, desconhecidas e etc. Em outras palavras, o velho cenário fixo tornou-se muito mais “dinâmico” exigindo um coordenador em tempo real do campo de batalha. Portanto, os cenários da RF mais recentes visam desenvolver a habilidade de fundir todas as capacidades de combate. Neste contexto, o F-35 traz para o pacote a capacidade de penetrar profundamente nos ambientes mais complexos e “desconhecidos”, fornecendo o “controle total” do campo de batalha. Tecnologia furtiva (capacidade de sobreviver e operar eficazmente onde os outros não podem) combinada com características de 5ª geração  (ou seja, gerenciamento de informações superior), foram fundamentais para alcançar resultados promissores na RF.

Embora a dependência de uma única capacidade ou recurso não seja suficiente para ter sucesso nos cenários futuros, o F-35 como coordenador do combate no campo de batalha é uma “virada de jogo”: ele traz uma nova flexibilidade, novas capacidades e acima de tudo, ajuda a reforçar a “sobrevivência” dos pacotes da coalizão. Em uma situação de “crise”, a coalizão precisa reagir em tempo hábil a um cenário de rápida evolução. Com a capacidade de coletar, gerenciar e distribuir dados de inteligência durante a RF 17-1, os F-35s foram capazes de geolocalizar as ameaças e ataca-las com as armas adequadas (simulada). Mesmo quando os F-35s tinham utilizado todas as suas armas, eles foram solicitados a permanecer na luta, ajudando assim o resto do pacote através do recolhimento de dados do campo de batalha e passando-os ao vivo, via Link-16, para os caças mais antigos da 4ª geração.

F-35 na US Navy

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Em 14 de setembro de 2016 um SM-6 destruiu um alvo subsônico designado pelo F-35, o alvo estava além do horizonte radar em média altitude. Neste teste foi observada a capacidade do SM-6 destruir um alvo através do Naval Integrated Fire Control–Counter Air (NIFC-CA). O NIFC-CA é um programa desenhado para link entre navios da US Navy e vários sensores aéreos, tais como o F-35 e E-2D, em uma rede única de sensores integrados. A combinação F-35/NIFC-CA permitirá ao F-35 a transmissão de dados de dentro de uma zona contestada para o restante do grupo de ataque, um Boeing F/A-18E/F Super Hornet, EA-18G Growler, Destroyers Aegis ou até mesmo um submarino poderiam lançar um míssil de longo alcance para eliminar o alvo designado pelo F-35, o alvo poderia ser um SAM, navio ou um míssil rente ao mar.

Conclusão

O F-35 é o próximo passo na linha dos lutadores de 5ª geração, o real valor acrescentado pelo F-35 é sua capacidade de realizar a distribuição de informações, gerenciamento de batalha em tempo real e dinâmica FITS (Encontrar, Identificar, Rastrear e Atacar) ao mesmo tempo em que reduz ao máximo o risco de perdas ou danos colaterais.


Referências

3 comentários sobre “Muito além da furtividade (F-35)

  1. o brasil tem que se armar pois e muito grande com muitas reservas no sbsolo,98 0 do niobio0/0 ,laboratorio a cau aberto na amazonia,pre-sal com os estados unudos querendo tomar a força ou entrega da nossa economia,tecnologia e segredos pelo PSDB ,congresso nacinal,OAB,FHC<AECIO NEVES<JOSE SERRA<GERALDO ALKIMIM<MASSONARIA<MINISTEWRIO PUBLICO FEDERAL<JUIZ SERGIO MORO e OUTROS

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