Míssil antinavio Kh-35, o “Harpoon russo”

A URSS/Rússia é tradicionalmente conhecida por seus pesados e rápidos mísseis de cruzeiro antinavio. Mas na guerra naval moderna, mísseis antinavios médios, subsônicos e com perfil de voo rente ao mar (Sea-Skimming) como o francês Exocet e o americano Harpoon mostraram seu valor inúmeras vezes, eram armas mais compactas e furtivas que davam alerta mínimo antes de atingir seu alvo. Em março de 1983, após uma avaliação da Guerra das Malvinas, a União Soviética começou a desenvolver seu próprio equivalente dos mísseis Exocet e Harpoon.

Por: Ricardo N. Barbosa

Kh-35 (projeto 78; Kh-35E para exportação): foi originalmente desenvolvido pela KTRV como um míssil antinavio para navios e para lançamento costeiro. O sistema embarcado 3K24 Uran é designado pela OTAN como SS-N-25 Switchblade, enquanto o sistema costeiro 3K60 Bal é designado SS-C-6 Sennight; o próprio míssil é designado em ambos os sistemas como 3M24, ou 3M24E para exportação. Um primeiro lançamento de teste foi feito a partir de uma posição em terra em 5 de novembro de 1985; os primeiros lançamentos a partir de um navio foram realizados em outubro de 1987. Após 1992 o desenvolvimento desacelerou devido a razões financeiras.

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Sistema de lançamento 3K24 Uran a bordo de um navio.

O sistema de mísseis Uran a bordo de navios só completou as avaliações de aceitação do Ministério da Defesa Russo em julho de 2003, seguido pelo sistema costeiro Bal em outubro de 2004. No entanto, os mísseis entraram em serviço primeiramente em outros países (versões E). As entregas da versão mar-mar Uran-E começaram no final da década de 1990 para a Índia. Mais tarde, o míssil foi vendido para a Argélia, Cazaquistão, Turcomenistão e Vietnã, além de ser adquirido pela Marinha Russa. Mais de 750 mísseis foram produzidos.

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Sistema costeiro 3K60 Bal com o futuro Kh-35U.

ITs-35-01 (Imitator Tseli, simulador de alvo): é um míssil alvo para treinamento da defesa aérea de navios; seu primeiro voo foi registrado em 1992.

Kh-35V (Vertolotnaya, helicóptero): é um míssil transportado por helicóptero que foi lançado pela primeira vez de um Ka-27 em dezembro de 1991, mas os testes cessaram após apenas três lançamentos. Esta versão tem um booster foguete Kartukov Iskra 78DTV com menos combustível do que o booster 78DT padrão usado nos mísseis lançados por navio e a partir da costa.

Kh-35E (projeto 5-78E): Embora promovido pela Rússia desde o início dos anos 90, uma versão do Kh-35 lançada por aeronaves de asa fixa só foi concluída nos anos 2000, mais uma vez para atender a uma solicitação indiana. A Marinha Indiana solicitou que sua aeronave de patrulha 11-38SD fosse armada com o Kh-35. O míssil aerotransportado Kh-35E foi lançado pela primeira vez a partir de um 11-38SD em 2005. O míssil está agora sendo adaptado para os caças MiG-29K e Su-30MK. O míssil aerotransportado não tem booster foguete; uma tampa foi adicionada na entrada do motor (esta é ejetada antes do lançamento) e o próprio motor foi modificado para diferentes condições de lançamento.

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MiG-29K com dois Kh-35 em testes de integração.

A propulsão para voo cruzeiro dos mísseis Kh-35s é fornecida por um motor turbofan Soyuz R95TM-300, desenvolvendo 350kg (772lb) de empuxo leva o míssil a uma distância de até 130km. O míssil aproxima-se do alvo em alta velocidade subsônica e em altitudes muito baixas, 10-15m na fase de cruzeiro e 3-5m na fase terminal. A orientação é inercial no voo cruzeiro, enquanto um buscador de radar ativo ARGS-35 (U-502) é usado para a fase terminal; o buscador opera na banda-I/J (8-20GHz) e tem um alcance de bloqueio de 20km. A antena plana de direcionamento mecânico do buscador pode ser direcionada em ±45° em azimute e +10° a -20° em elevação. O míssil tem uma ogiva de fragmentação semipenetrante de 145kg capaz de afundar navios com até 5.000 toneladas.

Kh-35U (projeto 07; U de unificação; para exportação: Kh-35UE): é uma variante modernizada que está sendo desenvolvida em versões lançadas por navios, regiões costeiras, helicópteros (com booster) e aeronaves (sem booster), essas subvariantes possuem modificações mínimas, dai o termo “unificação”. O míssil aerotransportado foi lançado pela primeira vez em 1º de novembro de 2010 por um bombardeiro tático Su-34. Os testes iniciais do míssil foram concluídos em novembro de 2012, seguidos pelos testes de aceitação de estado em 2013; o míssil está em produção em série. O Ministério da Defesa da Rússia divulgou em 11 de fevereiro de 2016 um vídeo de um Su-34 decolando para uma missão na Síria com dois mísseis Kh-35U sob sua asa; isso provavelmente marcou o primeiro uso em combate do míssil.

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Kh-35UE em um contêiner de lançamento do sistema Uran.

O míssil Kh-35U mantém as dimensões externas do Kh-35, mas possui um novo motor turbofan muito menor, o Saturn projeto 64M. A parte traseira do corpo do míssil foi redesenhada: o motor foi rebaixado e o duto de admissão de ar do mesmo foi reduzido. O motor menor e realocado juntamente com o duto de admissão reduzido fornecem mais espaço para combustível adicional no corpo do míssil; essa solução dobrou o alcance máximo do míssil, para 260km.

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O Kh-35U possui o motor em uma posição mais baixa que liberou espaço para mais combustível no corpo.

Também estão incluídos um novo radar ativo U-502U feito pela Radar-MMS com um alcance de 50km e campo de observação em azimute ampliado para ±65°, um sistema de navegação inercial Ts-074U e um receptor de navegação por satélite (GPS/ GLONASS) que permite ao míssil até quatro pontos para mudança de rota, além de atuar contra alvo costeiros em solo; como alternativa, um buscador de radar ativo-passivo Gran-K produzido pela Detal está sendo testado, o canal passivo irá permitir ao míssil orientar-se pelas emissões dos radares inimigos. Se o míssil for ludibriado por alguma contramedida na fase terminal, a navegação satelital juntamente com o maior alcance têm potencial para permitir ao míssil dar meia volta e reengajar o alvo. Outras melhorias é a capacidade de contornar ilhas e atacar alvos em regiões estreitas. Existe alguma confusão em relação à designação U. Muitos anos atrás, três versões do míssil foram planejadas: V para helicópteros, S para aeronaves de asa fixa e U universal. Na verdade, essas designações nunca entraram em vigor e o nome Kh-35U foi usado para o projeto 07.

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Externamente o Kh-35U é muito similar ao Kh-35, mas é possível observar um duto de admissão mais curto na parte inferior da fuselagem e uma pequena saliência que acomoda o motor na seção traseira. Na parte superior da fuselagem o Kh-35U possui duas saliências que passam pelas duas asas superiores.

Kh-35UL (L de Lyogkaya, peso-leve; Kh-35EUL para exportação): é uma subvariante para os caças MiG-29K baseados em navios aeródromos.

Kh-35UV (Vertolotnaya, helicóptero): é uma mais uma subvariante, é voltada para helicópteros Ka-52K e está equipada com um booster foguete.

Kh-35 vs Kh-31A/AD: Dentro da Rússia o principal concorrente do Kh-35 é o míssil antinavio supersônico Kh-31A/AD. O Kh-31A/AD é uma variante do míssil antirradar Kh-31P/PD.

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Kh-35U vs Kh-31AD

O Kh-31A/AD possui a clara vantagem de uma velocidade de cruzeiro e terminal duas a três vezes maior (Mach 3), porém entrega uma ogiva menor (A:94kg/AD:110kg) e a metade do alcance máximo (A:50-70km/AD:120-160km). O Kh-31A possui perfil de voo alto e o Kh-31AD rente ao mar apenas na fase terminal. Por seu perfil de voo, design e motor ramjet, o Kh-31A/AD é um alvo mais facilmente detectado por sistemas de radar e infravermelho, além de expor mais a plataforma de lançamento tendo em vista o alcance comparativamente reduzido.

Ficha Técnica do Kh-35

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Assinando: Ricardo N. Barbosa

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5 comentários sobre “Míssil antinavio Kh-35, o “Harpoon russo”

  1. Vale salientar que os EUA não têm um míssil de cruzeiro supersônico aos moldes do Kh-31 mas em compensação pode usar os semibalísticos HARM e AARGM na função antinavio.

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    1. A US Nave pode usar os SM-6 e até SM-2 como antinavio. Inclusive o SM-2 já foi usado em combate nessa função. Lógico que não tem a mesma capacidade de um míssil de cruzeito supersônico dedicado, mas amplia a capacidade de letalidade distribuida. Mas o LRASM com sua discrição e discriminação autônoma de alvos é tão perigoso quanto qualquer míssil supersônico.

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