LRASM, o mais poderoso míssil antinavio dos EUA !

O surgimento de mísseis de cruzeiro supersônicos e mísseis balísticos com capacidade antinavio está empurrando a guerra antissuperfície para zonas de engajamento muito mas amplas e comprimidas no tempo.  É nesse teatro de operações que o AGM-158C LRASM promete entregar de volta as Estados Unidos o domínio da guerra antissuperfície ofensiva.

Por: Ricardo N. Barbosa

O Harpoon, chamado de míssil antinavio de cruzeiro, entrou em serviço em 1977 e desde então foi empregado como a principal arma antinavio dos Estados Unidos, sendo utilizado em aeronaves, navios e submarinos. O conceito de um míssil antinavio subsônica capaz de voar furtivamente rente ao mar (sea-skim) mostrou-se válido ao longo de décadas, na verdade, tornou-se o conceito mais amplamente testado e comprovado em combate. Porém, após constantes modernizações, o Harpoon chegou ao seu limite de crescimento e não é mais capaz de responder com a mesma efetividade aos novos desafios da guerra antissuperfície. No outro espectro, a Rússia e mais recentemente a China concentraram sua capacidade em mísseis antinavios menos furtivos, porém cada vez maiores, com maior alcance e velozes, chegando ao ponto de utilizarem mísseis balísticos para esse fim.

Após o fim da Guerra Fria, a US Navy priorizou seus esforços na defesa antiaérea em detrimento da guerra antissuperfície ofensiva, que manteve o Harpoon como principal arma antinavio. Em um esforço para recuperar a capacidade ofensiva de sua frota, a US Navy em conjunto com a USAF lançaram o programa LRASM. Enquanto países não alinhados, principalmente Rússia e Chinea, focam em velocidade para vencer a defesa antiaérea dos navios da US Navy, a efetividade do LRASM será centrada em cima de novos pilares: furtividade e inteligência artificial. O objetivo é ter um míssil que possa fechar a cadeia de abate do alvo de forma mais autônoma, principalmente contra ameaças a centenas de quilômetros, mas mantendo-se oculto durante todo o trajeto.

História e requisitos do programa

O programa LRASM (Long Range Anti-Ship Missile – Míssil Anti-Navio de Longo Alcance) foi iniciado nos EUA pela Agência de Pesquisa de Projetos Avançados de Defesa (DARPA) e pelo Escritório de Pesquisa Naval (ONR) em 2008 com o objetivo de identificar e demonstrar possíveis soluções tecnológicas para realizar o “salto à frente” na guerra antissuperfície ofensiva (OASuW), considerada necessária para penetrar em sofisticadas “bolhas” Antiacesso e de Negação de Área (A2/AD) a longas distâncias.

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Super Hornet com uma carga de dois AGM-84 Harpoon.

Na guerra antissuperfície a detecção e identificação de alvos a centenas de quilômetros sempre foi um desafio maior do que a “simples” autonomia do armamento. As regras de engajamento em uma região de tráfego intenso podem simplesmente inviabilizar o engajamento de alvos a centenas de quilômetros, ou exigir que plataformas de inteligência, vigilância e reconhecimento (ISR) como aeronaves de patrulha exponham-se para realizar a detecção e identificação do alvo ou a atualização de meio curso dos mísseis.

Já na fase terminal do engajamento, o espectro RF (radiofrequência) cada vez mais contestado através de contramedidas eletrônicas robustas promete um desafio cada vez maior aos mísseis antinavios com buscador RF ativo (radar ativo), além disso, buscadores RF ativos mostram-se incompatíveis com as soluções baixo observáveis dos novos mísseis furtivos.

O que a DARPA e o ONR se propuseram foi amadurecer o conceito de uma arma de longo alcance que pudesse superar as limitações dos mísseis antinavios legados e provar o conceito de um míssil antinavio autônomo de longo alcance com uma transição acelerada para a fase de produção.

Em particular, o programa LRASM tem como objetivo reduzir a dependência: de plataformas de inteligência, vigilância e reconhecimento (ISR); de links de rede; e da  navegação por GPS em um ambiente operacional eletromagnético contestado. Em vez disso, o foco será a exploração de técnicas de orientação autônoma, apoiando a discriminação de alvos em uma ampla área orgânica e em um ambiente de negação de rede para permitir que o LRASM use dados menos precisos para identificar alvos específicos em um domínio eletromagnético contestado, ou seja, o LRASM deve atingir alvos distantes com dados brutos.

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O LRASM diminui a dependência de plataformas ISR.

Em 2008 a DARPA identificou componentes avançados e tecnologias de sistema integrado de interesse específico, incluindo orientação de precisão robusta, navegação e controle na presença de negação de GPS; sensores multimodais com alta probabilidade de identificação de alvos em ambientes densos com múltiplas embarcações; e designação precisa de pontos específicos  no alvo para máxima letalidade.

A Lockheed Martin Missiles and Fire Control foi selecionada em junho de 2009 para demonstrar suas duas variantes do míssil LRASM: o LRASM-A, uma arma subsônica, de baixa altitude, furtiva e lançada pelo ar; e o LRASM-B, um míssil supersônico de alta altitude e lançado a partir de navios. Em 2011, a equipe LRASM-A recebeu um contrato de custo fixo de 60,3 milhões de dólares e a equipe LRASM-B 157,7 milhões para realizarem demonstrações iniciais de viabilidade do programa. Ambos os projetos, em sua maturidade, planejavam suportar configurações de lançamento aéreo e a partir um sistemas de lançamento vertical em navios.

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O AGM-158B JASSM-ER foi a base para o LRASM-A.

O LRASM-A aproveitou o projeto básico do míssil ar-superfície AGM-158B JASSM-ER, mas introduzindo sensores e sistemas adicionais específicos para a missão OASuW. Seu contrato foi posteriormente ampliado para incluir a demonstração da capacidade de lançamento via superfície. O LRASM-B aproveitou as atividades de desenvolvimento de motores ramjet anteriores e um conjunto de sensores e sistemas adicionais para entregar um míssil de cruzeiro supersônico com velocidade e furtividade balanceadas. O LRASM-B foi cancelado em 2012 devido a restrições orçamentárias, com a DARPA focando no conceito de menor risco LRASM-A.

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O supersônico LRASM-B foi cancelado em 2012.

O orçamento do ano fiscal de  2015 confirmou os planos para avançar com a aquisição do LRASM com fornecedor único para atender ao requisito do programa de guerra antissuperfície ofensiva (OASuW) incremento 1. O programa agora foi transferido para o LRASM Deployment Office (LDO) ou Escritório de Desenvolvimento do LRASM, uma parceria entre a DARPA, a Marinha dos EUA (através da NAVAIR) e a Força Aérea dos EUA (USAF).

A OASuW Incremeto 1, que cobre pequenos lotes de mísseis antinavios lançados pelo ar, cada B-1B poderá transportar até 24 mísseis LRASM internamente em lançadores rotativos e o F/A-18E/F até 4 mísseis nos pilones sob as asas. Potencialmente o B-2 e B-52 podem transportar até  16 e 32 mísseis respectivamente, mas não existe qualquer prazo para a integração do míssil nesses últimos.

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Cada  bombardeiro B-1B pode transportar até 24 LRASM.

O Escritório de Desenvolvimento do LRASM planeja entregar uma capacidade operacional antecipada (Early Operational Capability – EOC) para o bombardeiro B-1B Lancer da USAF no ano fiscal de 2018 e em 2019 para o F/A-18E/F Super Hornet da US Navy. Um contrato de produção de 23 mísseis Lote 1 foi fornecido à Lockheed Martin em julho de 2017.

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O F/A-18E/F terá uma carga máxima de 4 LRASM.

A OASuW Incremento 2 aborda a escolha de um míssil antinavio que deverá entrar em serviço em 2024 e substitua o Harpoon nos cruzadores e destroyers da US Navy; o LRASM é um dos candidatos ao lado do NSM/JSM e do Tomhawk Block IV, na verdade, é a escolha natural, já que o NSM/JSM possui o mesmo alcance do Harpoon e o Tomahawk Block IV é um conceito datado, que apesar de ter mais alcance do que o LRASM, é menos furtivo e “inteligente”.

Para o lançamento de superfície no incremento 2, o LRASM será equipado com um foguete de aceleração MK-114 e poderá ser lançado a partir do sistema de lançamento vertical (VLS) MK-41 padrão em destroyers e cruzadores da US Navy ou a partir de lançadores inclinados sobre o convés de navios de pequeno porte, como fragatas e corvetas.

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LRASM com o foguete de aceleração MK-114.

Armado com um penetrador e uma ogiva de fragmentação de 1.000 libras, o LRASM emprega soluções baixo observáveis para diminuir sua assinatura radar, além de um link de dados de armas, um GPS digital anti-jam aprimorado e um sensor/buscador multimodo para detectar e destruir alvos específicos dentro de um grupo de navios. O pacote sensores/buscador combina um sensor RF passivo de longo alcance do tipo ESM e um buscador  de imagens infravermelho (IIR) para orientação terminal.

O sensor ESM de longo alcance do LRASM foi desenvolvido pela BAE Systems Electronic Systems (Nashua, NH) sob um contrato separado com a DARPA, mas associado. A empresa divulgou apenas detalhes limitados, mas reconhece que seu sensor de longo alcance oferece capacidades não disponíveis em sistemas de mísseis de cruzeiro atualmente em campo, e “é projetado para situações em que o acesso ao espaço aéreo é dificultado pelo inimigo”, acrescenta: “o sensor usa tecnologias eletrônicas avançadas para detectar alvos dentro de um ambiente complexo de sinais e então calcula a localização precisa do mesmo para a unidade de controle do míssil.”

Em comunicado divulgado em setembro de 2013, após um primeiro teste do LRASM, a BAE Systems disse que o evento “verificou a precisão do nosso sensor de longo alcance para detectar e identificar alvos” e acrescentou: “Seu desempenho validou os algoritmos de processamento de sinal do sensor, bem como sua confiabilidade sob o tenso ambiente operacional do míssil”.

Emprego operacional

O sistema de orientação por radar ativo em muitos mísseis antinavio mais antigos sempre foi problemático. Mísseis antinavio são lançados na direção do inimigo e voam perto da superfície da água – no caso do Harpoon, a apenas dez metros acima das ondas – para ficarem fora do campo de visão radar inimigo pelo maior tempo possível.

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Bombardeiro B-1B lança um LRASM em um teste de fogo.

O problema é que muita coisa pode mudar entre o momento em que o míssil é lançado e quando ele chega na zona alvo. Os navios alvos podem estar a quilômetros de distância de sua localização original, criando o que é chamado de “área de incerteza” – um círculo no mapa onde o alvo provavelmente está, sua localização exata é desconhecida. Isso pode resultar na perda do alvo ou, pior ainda, atingir o alvo errado. Em 1987, um jato iraquiano Mirage lançou dois mísseis antinavio Exocet no movimentado Golfo Pérsico, na esperança de atingir petroleiros iranianos. Em vez de um petroleiro iraniano, os mísseis fabricados na França encontraram a fragata USS Stark, matando 37 marinheiros da marinha americana (US Navy).

Joe Mancini, gerente de projetos de sensores de mísseis da BAE Systems, explicou que o LRASM faz as coisas de maneira diferente. Em vez de usar um sistema de radar ativo para localizar seus alvos, o LRASM não usa qualquer sensor eletromagnético que permita ao inimigo detectá-lo antes do tempo. Em vez disso, o míssil vira o jogo ao seguir os radares de bordo do navio inimigo. A busca pelas emissões inimigas inicia-se já na fase intermediária do engajamento com o míssil voando a média altitude para detectar radares emissores a dezenas ou centenas de quilômetros.

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LRASM em voo cruzeiro durante um teste de fogo real.

Imagine duas pessoas tentando se matar em um campo de futebol escuro, com declive e com outras pessoas transitando pelo meio, enquanto um possui um rifle e uma lanterna, o outro possui uma bomba presa ao corpo e a localização aproximada do oponente com o rifle. Para ver a pessoa com a bomba aproximando-se, a pessoa com o rifle precisa acender a lanterna. Afinal, ela não pode se defender contra o que não pode ver. O truque é que, quando a lanterna está acesa, ela atua como uma luz orientadora para a pessoa com a bomba, que pode aproximar-se rastejando e escondida pelo declive do campo e abaixo da linha de visão da lanterna.

Isso coloca o comandante inimigo em uma posição difícil: enquanto ele procura defender-se, ele deve ligar seus radares e, ao fazê-lo, alimentar os dados de orientação do LRASM. Isso funcionará mesmo em condições climáticas precárias e contra navios com célula furtiva, já que o míssil não depende do radar para encontrar seu alvo.

O sensor de longo alcance do LRASM capaz de “farejar” as emissões inimigas é baseado nos sistemas utilizados como medidas de apoio eletrônico (ESM – electronics support measures) originalmente desenvolvidos para o F-22 Raptor, o F-35 Lighting II e para o B-2 Spirit, o sistema passou por um extenso esforço de miniaturização. Uma vez em uma área onde inimigos podem estar operando, ele passar a “farejar” as emissões RF na região em busca de uma que esteja em seu banco de dados como pertencente a um navio inimigo. 

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Na fase terminal o sensor IIR faz o reconhecimento do alvo.

A ESM com antena grande angular do LRASM pode escanear um arco mais amplo na frente do míssil em busca de emissões de radares inimigas do que um radar ativo, reduzindo a área de incerteza. O míssil é inteligente o bastante, via inteligência artificial, para detectar novas ameaças em sua trajetória de voo, classificá-las e voar ao redor delas.

Uma vez que se aproxime o suficiente, digamos, do centro de uma força-tarefa inimiga nucleada em torno de um porta-aviões, ele pode usar o sensor IIR para comparar os navios à frente a uma biblioteca de imagens digital, certificando-se de atacar um porta-aviões e não uma fragata. O sensor IIR também permite identificar a parte mais vulnerável de um navio, como a ilha do porta-aviões ou o paiol de mísseis do destroyer. Em seguida, cai a poucos metros acima da superfície da água e faz o seu ataque final altamente adaptado contra o alvo para causar o máximo de danos possíveis.

Basicamente, o LRASM terá IA (inteligência artificial) a bordo suficiente para sobreviver por meio da análise automática de dados de alta qualidade das medidas de apoio eletrônico (ESM) orgânicas. Em outras palavras, ele detecta as emissões eletrônicas do inimigo (especialmente as emissões de radar) classifica-as, geolocaliza-as e, em seguida, calcula a rota com maiores chances de sobrevivência a fim de contornar a ameaça, ou decide atacar diretamente uma dessas ameaças.

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LRASM poucos segundos antes de atingir um alvo simulado.

Além das próprias capacidades eletrônicas de “farejamento”, dados off-board de alta fidelidade podem ser enviados para o LRASM via link de dados de sensores externos. Isso significa que aeronaves como P-8 Poseidon , E/A-18G Growler, MQ-4C Triton e EP-3 Aeries ou crusadores e destroyers AEGIS podem ajudar a construir uma ‘imagem’ em tempo real da ordem de batalha eletrônica do inimigo, de modo que o míssil tenha uma chance muito alta de fazer com que sua área alvo fique “viva”.

O LRASM é quase um buraco negro eletromagnético, com sua fuselagem furtiva reflete o mínimo possível de energia eletromagnética dos radares, enquanto a utilização de sensores passivos e as habilidades do míssil de trabalhar em rede com informações off-board através de seu link de dados permitem ao mesmo manter o total silêncio durante todo o seu trajeto. Ambas as características diminuem drasticamente o intervalo de alerta de ameaça do alvo e a efetividade de suas contramedidas.

Na US Navy, o LRASM juntamente com o raio de ação do Super Hornet irão formar uma zona de engajamento de até 2.000km em volta da força tarefa. Uma linha de ataque com 8 Super Hornet armados com 16 LRASM e apoiados pelo E-2D poderá varrer qualquer ameaça de superfície a até 2.000km do porta-aviões.

Com uma capacidade de carga de 24 LRASM, o B-1B passa a entregar a USAF uma capacidade de guerra antissuperfície superior a qualquer outro complexo aéreo. O Tu-22M3 russo, por exemplo, transporta no máximo 3 mísseis Kh-22/32 com 300 a 900km de alcance (dependendo da versão) e não pode ser reabastecido em voo. Com sua carga paga, alcance e apoiado pela frota de aeronaves REVO dos EUA, o B-1B pode ameaçar uma força tarefa em qualquer lugar do planeta em questão de horas.

LRASM vs Harpoon

O LRASM não só é mais furtivo que o Harpoon e mais resistente, como também possui um ogiva com o dobro da tamanho e um alcance pelo menos 3 vezes maior. Embora os detalhes sejam limitados, acredita-se que o LRASM tenha um alcance de pelo menos 600km, já que o míssil original JASSM-ER possui 900km, o alcance provavelmente foi reduzido em função dos sensores adicionais no LRASM. Todas essas características entregam uma projeção de poder muito maior em relação ao Harpoon. O LRASM basicamente amplia as capacidades comprovadas do Harpoon, mas sem algumas de suas limitações, trata-se de um salto geracional dentro do conceito de discrição, mas com uma pegada muito maior  e com capacidade semi-autônoma para fechar a cadeia de abate do alvo.

Resumo

Após décadas operando o Harpoon como principal míssil antinavio, o LRASM deverá substituir esse ultimo e elevar para um novo patamar a capacidade de guerra antissuperfície ofensiva da US Navy e da USAF, que foi negligenciada após o fim da URSS. No primeiro momento, o novo míssil será implantado no bombardeiro B-1B e no caça de ataque tático F/A-18E/F, mas concorrerá no início da próxima década como substituto do Harpoon nos navios da US Navy. A efetividade do LRASM será centrada em uma célula baixo observável aliada a um piloto automático com inteligência artificial suficiente para diminuir de forma significativa a dependência de plataformas ISR. Autonomia e uma ogiva maior completam o ganho tática em relação ao Harpoon.

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