Perspectivas de Moscou sobre a evolução da tecnologia furtiva dos EUA

O crescente número de aeronaves furtivas lançadas pelos Estados Unidos e seus aliados representa para a Rússia um desafio sem precedentes. No entanto, em vez de reconhecer o salto qualitativo na capacidade que uma frota cada vez maior e mais sofisticada de aeronaves furtivas traz consigo, analistas russos contemporâneos e oficiais militares de alto escalão optaram, em grande parte, por seguir uma tradição russa de longa data de minimizar publicamente a questão da utilidade da furtividade. Suas declarações enganosas e muitas vezes insanas sobre aviões furtivos americanos e de seus aliados são expressas com o propósito de reforçar a posição das Forças Armadas Russas aos olhos da comunidade internacional, incutindo um sentimento de orgulho nacional entre o público russo e minimizando a gravidade do fato de que a tecnologia furtiva russa está atrasada em relação aos Estados Unidos. Pode-se esperar que comentários difamatórios por parte de autoridades russas voltem a ocorrer e talvez se intensifiquem, não apenas contra os Estados Unidos, mas também contra os aliados americanos que continuam a colocar em campo aviões furtivos em maior número. Ao mesmo tempo, à medida que mais e mais países, incluindo o parceiros estratégicos da Rússia, como a China, estão desenvolvendo e/ou introduzindo aeronaves furtivas, as autoridades russas podem achar mais difícil sustentar suas reivindicações para a audiência russa e internacional.

O crescente número de aeronaves furtivas ​​no inventário da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) e a introdução de aeronaves furtivas na Marinha dos EUA (US Navy), Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA (USMC) e nas forças aéreas e navais dos estados aliados representa para os adversários dos americanos – entre eles Rússia e China – um desafio sem precedentes. Isso tem provocado comentários frequentes de analistas russos contemporâneos e de oficiais militares de alto escalão sobre o assunto. Suas observações, no entanto, podem surpreender alguns observadores. Em vez de reconhecer o salto qualitativo na capacidade que uma frota maior e mais sofisticada de aeronaves furtivas pode oferecer aos Estados Unidos e seus aliados, eles optaram por seguir uma tradição russa de longa data de minimizar publicamente a utilidade da furtividade. Para as equipes de planejamento de defesa dos EUA e da OTAN, a compreensão dos motivos e da origem das declarações e opiniões russas sobre esse assunto permite a formulação de estimativas mais exatas e menos exageradas da capacidade militar da Rússia.

Antes e depois da Tempestade no Deserto: uma visão mista

No final da Guerra Fria, os soviéticos prestaram muita atenção à evolução da tecnologia furtiva dos EUA. “Uma análise da literatura aberta soviética”, segundo uma avaliação desclassificada da inteligência da CIA em 1984, “indica que a compreensão da teoria da redução da seção transversal radar pelos soviéticos era comparável à dos Estados Unidos” [1]. Um memorando subsequente da CIA, datado de 1988; observou ainda que “os soviéticos provavelmente têm uma boa compreensão dos programas e tecnologia furtiva dos Estados Unidos, da aquisição bem-sucedida da tecnologia pelo ocidente, os esforços de pesquisa e desenvolvimento e sua análise segundo a imprensa ocidental” [2].

Na época, a eficácia de aeronaves baixo-observáveis, que ainda não tinham sido utilizadas em combate, foi amplamente debatida no ocidente. No início dos anos 80, por exemplo, a USAF solicitou que uma capacidade de penetração de baixa altitude fosse acrescentada ao bombardeiro furtivo B-2 então em desenvolvimento como uma proteção contra possíveis avanços nas defesas antiaéreas soviéticas [3]. Alguns analistas militares soviéticos escreveram no final dos anos 1980, porém, que expressavam a confiança de que as defesas antiaéreas soviéticas existentes seriam eficazes contra aeronaves furtivas [4]. Isso, no entanto, contrariava uma avaliação da CIA de 1985, que concluiu que as defesas antiaéreas soviéticas permaneceriam vulneráveis à penetração dos sistemas aerodinâmicos furtivos pelo menos até a próxima década” [5].

O emprego bem-sucedido do F-117 durante a Guerra do Golfo de 1991 comprovou a utilidade da furtividade. As opiniões soviéticas/russas, no entanto, eram ambíguas, com muitas vezes assumindo um tom de deboche. Como o ex-pesquisador sênior associado da RAND Corporation, Dr. Benjamin Lambeth, observou em um estudo da RAND em 1992 sobre reações soviéticas/russas à Operação Tempestade no Deserto, “houve uma tendência em alguns círculos soviéticos após a Guerra do Golfo de desvalorizar as vantagens táticas oferecidas pelas características de baixa observabilidade do F-117 durante os primeiros dias da Tempestade no Deserto” [7]. Essas alegações, no entanto, eram errôneas, contrariavam as descobertas do abrangente Estudo do Poder Aéreo na Guerra do Golfo (encomendada pela USAF após a guerra), que concluiu que o USAF “EF-111 nunca forneceu cobertura na área sobre Bagdá durante os primeiros ataques, de modo que os F-117 que atacaram os primeiros alvos na capital voaram sobre e através do coração das defesas antiaéreas de Bagdá sem apoio de contramedidas eletrônicas” [8].

Apesar das inúmeras demonstrações de deboche, nem todas as reações soviéticas/russas na época eram tão céticas. Como o mencionado estudo da RAND aponta, mesmo antes da Guerra do Golfo de 1991, alguns analistas soviéticos mostraram apreço pelos avanços na tecnologia furtiva dos EUA, enfatizando a urgente necessidade da URSS recuperar o atraso, enquanto outros analistas soviéticos alertavam para o desafio representado pelo desenvolvimento de aviões e mísseis de cruzeiro baixo observáveis pelos EUA [10]. Durante a guerra e nos meses seguintes, os analistas e oficiais militares soviéticos também expressaram o reconhecimento da utilidade da tecnologia furtiva e da liderança dos EUA neste campo crucial [11]. Entre eles alguns dos mais altos oficiais militares, notadamente o Chefe do Estado-Maior Vladimir Lobov e o Ministro da Defesa Soviético Yevgeny Shaposhnikov. [12]. Falando em setembro de 1991, Shaposhnikov declarou que os EUA estavam muita à frente em tecnologia furtiva, enfatizando que a União Soviética precisava acelerar suas pesquisas para acompanha-los [13].

O reconhecimento das vantagens oferecidas pela tecnologia furtiva e o apelo para que a Rússia diminua a lacuna neste campo também pode ser encontrada na literatura acadêmica russa mais recente. “No estágio atual, as Forças Armadas da Federação Russa estão ficando para trás dos exércitos estrangeiros em tecnologias críticas…”, afirma um artigo na edição de dezembro de 2006 da revista oficial do Estado Maior Voyennaya Mysl (Pensamento Militar), observando ainda que “existe a necessidade de desenvolver e introduzir tecnologia furtivas não apenas em aeronaves, mas também em mísseis, especialmente mísseis de cruzeiros” [14]. Além de aeronaves tripuladas e mísseis de cruzeiro muito baixo-observáveis, analistas russos que escreveram em meados dos anos 2000 também alertaram para o desafio representado pelos veículos aéreos de combate não-tripulados (UCAV) emergentes. “É óbvio que um UCAV americano será um alvo extremamente difícil para um sistema de defesa antiáerea”, observa um analista em um artigo publicado na Vozdushno-Kosmicheskaya Oborona (Defesa Aeroespacial), em 2005, discutindo o programa de Sistemas Aéreos de Combate Não Tripulado Unificado (J-UCAS) dos EUA (posteriormente cancelado), acrescentando que os UCAVs têm o potencial de serem altamente furtivos [15]

Observar também que em um artigo de 2007 da Vozdushno-Kosmicheskaya Oborona, de autoria de quatro membros do 2º Instituto Central de Pesquisa Científica do Ministério da Defesa da Rússia (atual Instituto de Pesquisa Científica Central das Tropas de Defesa Aeroespacial), incluindo o chefe do instituto, Major-General Sergei Yagolnikov. “As conquistas em vários campos da ciência e da tecnologia”, afirma o artigo, “criaram pré-requisitos suficientes para resolver com sucesso as tarefas de fornecer a superioridade militar dos Estados Unidos e dos países da OTAN. Essas [conquistas]”, continua, “sem dúvida, incluem tecnologias furtivas.” O artigo também enfatiza a capacidade de sobrevivência de aeronaves furtivas, observando que “o emprego de aeronaves baixo observáveis permite que elas atinjam alvos terrestres móveis ou fixos praticamente sem perdas.” [16]

O abate do “Vega-31” e seu impacto

Enquanto o reconhecimento das muitas vantagens militares de que gozam os Estados Unidos devido à sua liderança na tecnologia furtiva pode – em raras ocasiões – ser encontrado na literatura acadêmica russa, o mesmo não se pode dizer das declarações públicas contemporâneas de oficiais militares russos de alto escalão. Como será discutido subsequentemente, um tema importante nessas declarações públicas tem suas raízes na perda de um único F-117 para um batalhão de mísseis superfície-ar sérvios SA-3 durante a Operação Allied Force em 1999.

Na noite de 27 de março de 1999, um radar de vigilância/aquisição de baixa frequência P-18 sérvio de fabricação soviética detectou um F-117 (“Vega-31”) a uma distância de menos de 30km do batalhão SA-3. Assim que a aeronave furtiva entrou no envelope de engajamento do sistema SAM SA-3, os sérvios ativaram o radar de controle de fogo do sistema para tentar “travar” o alvo [17]. O radar de controle de fogo foi ativado apenas por curtos intervalos de tempo para não expor o sistema às aeronaves de Supressão de Defesa Aérea (SEAD) da OTAN. As duas primeiras tentativas falharam. O terceira, no entanto, foi bem sucedido e foi seguida pelo lançamento de dois mísseis no F-117, que, a essa altura, estava a apenas 13km de distância. Um dos mísseis detonou perto da aeronave, derrubando-a [18]. A derrubada serviu para reforçar as populares alegações russas, que remontam à Guerra Fria, de que a defesa antiaérea soviética/russa seria capaz de efetivamente interceptar aeronaves furtivas dos EUA. Hoje em dia, o incidente é frequentemente citado por ex-oficiais militares russos que argumentam que os modernos sistemas de defesa antiaérea russos provavelmente serão bastante eficazes contra alvos furtivos, já que até mesmo um antigo sistema construído pelos soviéticos conseguiu derrubar um deles [19].

Por exemplo, durante uma entrevista em 2015, o chefe da Força de Mísseis Antiaéreos da Força Aérea Russa, agora Força de Mísseis Antiaéreos da Força Aeroespacial Russa, Major-General Sergei Babakov, fez uma provável referência à derrubada do F-117, observando que “mesmo estações antigas de radar, por exemplo, o P-18, são excelentes meios para detectar aeronaves furtivas”. Babakov então reiterou que “é possível combater aeronaves furtivas, existem meios para detectá-las” [20]. Da mesma forma, comentando o abate do F-117 em uma entrevista em 2017 para a Svobodnaya Pressa, o ex-comandante do 4° Exército da Força Aérea e Defesa Antiaérea, Tenente-General Valery Gorbenko, afirmou que “a vulnerabilidade das aeronaves furtivas foi bem demonstrada pela guerra na Iugoslávia.” Gorbenko então começou a falar sobre o F-35, afirmando que “apesar de todos os seus problemas, ainda é provável que seja um bom caça… mas, ele será detectado de qualquer maneira” [21].

Com relação ao exposto acima, um número de ex-oficiais militares russos debocharam ainda mais dos caças norte-americanos de quinta geração (o F-35 e o F-22), frequentemente recorrendo a observações altamente não-profissionais. Por exemplo, em uma entrevista de 2016, o ex-chefe do Estado-Maior da Defesa Aérea, coronel-general Igor Maltsev, chegou a afirmar que a aeronave furtiva dos EUA era “ficção de papel”[22]. Outras autoridades não limitaram suas observações às características furtivas dos caças, preferindo lançar insultos às suas capacidades de combate como um todo. Quando perguntado pela agência russa de notícias TASS em uma entrevista em 2017, por que os americanos não participam do exercício anual “Aviadarts” da Rússia, o ex-comandante da Força Aeroespacial Russa, o Coronel-General Viktor Bondarev, simplesmente respondeu com um “porque temem que seus F-22s e F-35s não acertarão em nada” [23]. Uma declaração similarmente desdenhosa foi feita pelo ex-comandante do Distrito Militar de Moscou (mais tarde fundido para formar o Distrito Militar Ocidental), Coronel-General Yuri Soloviev; argumentando que, se olharmos para as características dos modernos sistemas de defesa antiaérea russos, o F-22 e o F-35 não têm “nenhuma capacidade” de superá-los [24].

Declarações russas contemporâneas: enganosas e muitas vezes sem valor

Embora uma ampla discussão sobre tecnologia e táticas furtivas e “contra-furtivas” esteja além do escopo deste artigo, é necessário, no entanto, abordar brevemente as observações enganosas e muitas vezes infundadas – como as observadas anteriormente – que as autoridades russas fizeram a respeito. Embora, como observam autoridades russas, nenhuma plataforma furtiva seja totalmente invisível ao radar (e, aliás, aos sensores de infravermelho – IR), uma aeronave muito baixo observável pode ter uma assinatura radar (e muitas vezes também IR) muito menor do que uma aeronave convencional. Logo, aeronaves furtivas são capazes de navegar através de uma defesa antiaérea adversária muito mais densa sem serem detectadas e/ou de, na pior das hipóteses, ativarem a defesa antiaérea de distâncias muito mais próximas.

Quando oficiais militares russos falam sobre a capacidade de detectar aeronaves furtivas, eles frequentemente se referem a radares de baixa frequência. Tanto a Rússia quanto a China investiram recursos consideráveis ​​no desenvolvimento de modernos radares de vigilância/aquisição de baixa frequência (tipicamente VHF, UHF e banda-L) que são muito mais avançados do que os antigos sistemas da era soviética, como o já mencionado radar de banda VHF P-18 [25]. Devido às características dos projeto de caças furtivos contemporâneos, como a inclusão de superfícies de cauda e o tamanho das asas e outras estruturas, o F-35 e o F-22 têm assinatura radar mais altas em frequências mais baixas. Os radares de baixa frequência modernos, por exemplo, o radar russo de banda VHF RLM-M do sistema de radar multibanda “Nebo-M”, podem, portanto, ser capazes de detectá-los e rastreá-los em intervalos consideravelmente mais longos do que os sistemas de frequência mais alta [26]. Esses radares de baixa frequência, no entanto, não são uma solução eficaz contra aeronaves furtivas de banda larga, como o B-2 da USAF e o próximo bombardeiro B-21, que são projetados para ter baixíssima assinatura radar inclusive em frequências mais baixas e mais altas [27].

Quanto ao F-35 e F-22, embora mais vulnerável à detecção por sistemas modernos de baixa frequência, a detecção de uma aeronave é meramente o primeiro passo em uma complexa “cadeia de abate”, cada passo subseqüente requer execução bem-sucedida para alcançar a intercepção do alvo [28]. Dado que os radares de baixa frequência, mesmo os modernos, têm baixa resolução e precisão (e, portanto, não são adequados para o papel de orientação de mísseis), engajar um alvo depois de ter sido detectado por um radar de baixa frequência requer detectar e rastreá-lo usando um radar de controle de fogo de frequência mais alta (tipicamente banda-X) para tentar guiar um míssil em direção a ele. No entanto, a assinatura radar do F-35 e F-22 (particularmente de frente) é muito baixa em bandas mais altas, significando que é altamente improvável que sejam detectados com sucesso em distâncias taticamente relevantes por radares de controle de fogo de frequência mais elevada, incluindo aqueles encontrados em modernos sistemas russos de SAMs e caças. De fato, segundo a revista Semana de Aviação e Tecnologia Espacial em seu especial sobre furtividade, observa: “Os fabricantes dos Su-35S e S-400 alegam bom desempenho contra alvos ‘furtivos, mas seus números não comprovam isso” [29].

Consequentemente, se um F-35 ou F-22 for detectado e rastreado com sucesso por um moderno radar de vigilância/aquisição de baixa frequência a uma distância considerável, o adversário será apenas alertado sobre a presença do caça. Mesmo que um adversário detecte e rastreie um F-35 ou F-22 usando um radar de controle de fogo, completar com sucesso a cadeia de abate será substancialmente mais desafiador do que foi para os sérvios contra o F-117 em 1999. De fato, embora os modernos sistemas de defesa antiaérea russos e os caças sejam muito superiores aos antecessores da era soviética, o F-35 e o F-22 também são aeronaves muito mais avançadas e sofisticadas do que o F-117. Além disso, em caso de conflito, esses caças serão empregados em conjunto com outros ativos amigáveis ​​visando detectar, suprimir e destruir as defesas antiaéreas adversárias.

Além das aeronaves furtivas, entre os maiores desafios enfrentados pelas defesas antiaéreas russas estão os mísseis de cruzeiro baixo observáveis. As autoridades russas, no entanto, mostraram pouco interesse público por este desafio específico. De fato, enquanto autoridades e analistas russos frequentemente discutem e alertam sobre os desafios colocados por um grande número de mísseis de cruzeiro dos EUA [30], seus comentários são tipicamente dirigidos a mísseis de cruzeiro não-furtivos Tomahawk lançados a partir do mar (SLCM) ou são expressos de uma forma muito geral (sem especificar os mísseis de cruzeiro em questão), e raramente tocam no tópico de furtividade.

De fato, publicações militares russas profissionais têm surpreendentemente pouco a dizer sobre a questão de enfrentar os desafios apresentados pelos avanços dos EUA em tecnologia furtiva. Embora o tema de um possível ataque aéreo inimigo surpresa na Federação Russa seja comum em tais artigos, a lacuna entre a tecnologia furtiva dos EUA e da Rússia está decididamente ausente. Tais trabalhos cobrem uma ampla gama de temas em relação ao uso moderno do poder aéreo, proteção de infraestrutura crítica contra ataques de alta precisão do inimigo, bem como uma ampla gama de análises das capacidades modernas da defesa antiaérea russa. No entanto, há um silêncio sobre como essas forças podem, hipoteticamente, neutralizar um ataque envolvendo plataformas avançadas e sistemas de armas furtivos [31].

Isso também é evidente quando especialistas russos em poder aéreo e defesa antiaérea consideram seus avanços em modelagem computacional e simulação de possíveis ataques aéreos. Uma ilustração disso ocorreu na edição de setembro de 2018 da  Voyennaya Mysl, em um artigo examinando o progresso na simulação de combate aéreo. O foco dos três autores foi o desenvolvimento de modernos modelos de simulação baseados em computador. Eles destacaram particularmente a introdução de modelos de simulação interativa usando modernas tecnologias da informação e computadores de alto desempenho. Segundo os autores, as fórmulas matemáticas existentes combinadas com essas tecnologias foram sintetizadas para criar a unidade de modelagem Kolchuga 7.0 na Academia de Defesa Aeroespacial Militar Marshal GK Zhukov em Tver. No entanto, não houve referência a fatorar em tal modelagem o uso potencial ou capacidade de neutralizar a capacidade furtiva do inimigo [32].

Esses temas também estão intrinsecamente ligados ao que os militares e analistas ocidentais chamam de capacidade de antiacesso / negação de área (A2/AD). Embora essa capacidade exista nas forças armadas da Rússia, sua literatura especializada realmente não a categoriza da mesma maneira. Em vez disso, a tendência é usar frases como “restrição e negação de acesso e manobra” (ogranicheniye i vospreshcheniye dostupa i manovra). Suas abordagens de defesa antiaérea estratégica e tática-operacional são caracterizadas como defesa antiaérea zonal, sobreposta e a consequente formação de “bolhas de defesa antiaérea”. Estas têm sido muito evidentes na proteção das instalações militares russas na Síria. No entanto, dentro da literatura analítica ocidental há uma tendência a apresentar essas capacidades principalmente em termos de círculos concêntricos para mostrar as faixas máximas de alguns desses avançados sistemas. Muitos analistas russos alegaram que o primeiro ataque dos Estados Unidos com mísseis de cruzeiro  Tomahawk contra a Base Aérea de al-Shayrat da Síria em abril de 2017 expôs de alguma forma as fraquezas de sistemas como o S-400. Na realidade, apesar da abordagem dos círculos concêntricos – que simplifica excessivamente a capacidade russa A2/AD – essas bolhas são bastante eficazes, mas menores do que frequentemente presumidas. Como o Coronel-General Maltsev observou após o ataque a Shayrat, para proteger adequadamente até mesmo uma única base aérea na Síria exigiria uma mistura de plataformas aéreas, sistemas S-400 implantados perto da base e uma rede de radares de vigilância distribuída mais adiante [33]Também  seria necessário sistemas Pantsir-S1. De fato, o Pantsir-S1 é o sistema de defesa antiaérea russo projetado contra ataques de mísseis de cruzeiro.

O Pantsir-S1, no entanto, não está sem vulnerabilidades. Cada um desses sistemas normalmente tem doze tubos lançadores, aproximadamente 700 cartuchos de munição para cada uma de suas armas de cano duplo, um limite conhecido de alvos simultaneamente engajados, um tempo de reação conhecido e outros parâmetros de desempenho conhecidos, significando que o número de  mísseis de cruzeiros e/ou outras armas guiadas com precisão necessários para sobrecarregar ou neutralizar os Pantsir-S1s podem ser estimados, seguidos por munições adicionais guiadas com precisão para atacar o(s) alvo(s) terrestre(s) inimigo(s) por eles coberto(s) [34]. A este respeito, vale a pena notar que existe uma escassez de análises na literatura militar russa que tenta avaliar a capacidade dos radares Pantsir-S1 de localizar e rastrear mísseis de cruzeiro furtivos, quanto mais se o sistema pode completar a cadeia de abate contra tais alvos a tempo.

Apesar do exposto, as autoridades militares russas continuam a expressar publicamente a confiança na capacidade dos modernos sistemas de defesa antiaérea russa de repelir ataques aéreos adversários, incluindo aqueles que envolvem aeronaves furtivas e mísseis de cruzeiro. Por exemplo, após os ataques com mísseis de cruzeiro liderados pelos EUA contra três instalações relacionadas com armas químicas na Síria em meados de abril de 2018, que viu o lançamento de 105 mísseis de cruzeiro (alguns deles furtivos) de plataformas marítimas e aéreas, o porta-voz do Ministério da Defesa da Rússia , Major-General Igor Konashenkov, alegou, sem qualquer prova que “no total, os sistemas sírios de defesa antiaérea eliminaram 71 mísseis de cruzeiro de 103” [35]. Percebendo que o Ocidente havia classificado suas palavras como blefe, Moscou posteriormente realizou uma coletiva de imprensa liderada pelo chefe da Diretoria Geral de Operações do Estado Maior, o Coronel-General Sergei Rudskoy, mostrando restos recuperados de mísseis de cruzeiro que teriam sido interceptados [36]. O briefing, no entanto, pouco fez para apoiar as reivindicações russas anteriores.

Os destroços remanescentes exibidos no briefing pareciam ter vindo apenas de um pequeno número de mísseis de cruzeiro. Embora alguns contenham sinais visíveis de danos causados ​​pela defesa antiárea, outros, como alguns analistas notaram, podem ter vindo de mísseis com defeito ou que conseguiram acertar seu alvo, inclusive de mísseis empregados durante o ataque do ano anterior contra al-Shayrat [37]. Mais notavelmente, no entanto, o briefing não parecia exibir quaisquer destroços de mísseis furtivos JASSM. Um total de 19 JASSMs foram lançados por dois bombardeiros B-1 da USAF contra o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Barzah de Damasco (uma área fortemente protegida), sugerindo que nenhum deles foi interceptado pela defesa antiaérea soviética/russa da Síria [38].

Declarações Russas sobre Furtividade: Implicações para os EUA e a OTAN

As autoridades ocidentais e os planejadores militares não devem subestimar as defesas antiaéreas da Rússia, mas devem também se esforçar para entender os motivos complexos por trás das declarações enganosas e muitas vezes insanas de oficiais russos sobre aeronaves furtivas dos EUA. Tais comentários desdenhosos e depreciativos não se limitam apenas à furtividade e são frequentemente expressos por oficiais e analistas russos em relação a vários sistemas militares ocidentais. Eles estão onipresentes nos noticiários da mídia russa e nos documentários militares, e destinam-se ao público geral russo, bem como à audiência internacional, que não possue uma compreensão profunda dos assuntos militares e dos sistemas de armas. Em outras palavras, eles pretendem reforçar a posição das Forças Armadas Russas aos olhos da comunidade internacional e incutir um sentimento de orgulho nacional entre o público russo.

Em que medida as autoridades e analistas russos acreditam genuinamente em suas reivindicações é difícil de julgar, dada a sua própria exposição contínua a – e educação em – um ambiente que promove tais visões. Curiosamente, ao contrário da Estratégia Militar de 2015, da China, que observa que “armas e equipamentos de longo alcance, precisos, inteligentes,  furtivos e não-tripulados estão se tornando cada vez mais sofisticados” [39]. A Doutrina Militar de 2014 da Rússia destaca a implantação de sistemas de armas de alta precisão, mas não menciona especificamente a furtividade [40]. Isso, no entanto, não deve ser interpretado como uma indicação de que o desafio representado pelos avanços na tecnologia furtiva dos EUA não é reconhecido pelos militares russos. De fato, a existência de literatura acadêmica russa sobre o assunto (voltado para o público profissional russo e não para o público em geral), bem como o investimento contínuo da Rússia em tecnologia furtiva alude à noção de que a utilidade da furtividade é bem reconhecida pelo menos em alguns círculos militares russos.

Deve-se notar, no entanto, que a abordagem da Rússia para o design de caças furtivos difere da dos Estados Unidos, colocando muito menos ênfase na baixa observabilidade. Por exemplo, embora muitas vezes classificados como protótipos de caça de quinta geração, os demonstradores de tecnologia Sukhoi S-37 e MiG Izdeliye 1.44, que voaram em 1997 e 2000, respectivamente, reduziram um pouco as assinaturas de radar, mas não eram furtivos, incorporando apenas soluções baixo observáveis muito limitadas. Da mesma forma, embora o Sukhoi T-50 PAK (Su-57) tenha uma assinatura de radar menor do que os caças contemporâneos de 4/4.5 geração, seu RCS é estimado ser muito maior que o do F-35 ou F-22, e portanto, não é um caça verdadeiramente furtivo pelos padrões americanos [41].

O motivo por trás da menor ênfase na baixa observabilidade decorre de grandes deficiências na base industrial de defesa da Rússia no que diz respeito ao projeto, desenvolvimento e fabricação de aeronaves furtivas. Em termos de problemas com o desenvolvimento do T-50, parece que isso também se relaciona com os desafios no desenvolvimento do novo motor de “segundo estágio” Izdeliye-30. Como resultado, a versão de produção inicial do Su-57 será entregue à VKS com motores AL-41F1 de “primeiro estágio”, que possuem assinatura radar e de calor maiores [42]. As entregas da versão de produção do Su-57 com motores de “segundo estágio” não são esperadas antes de 2023 [43]. No caso do Su-57, a Rússia tentou compensar parcialmente a baixa observabilidade inferior do caça através da inclusão de outras características [44]; no entanto, no caso de um não-caça como o UCAV Sukhoi S-70 Okhotnik e do bombardeiro furtivo Tupolev PAK DA, ambos em algum nível de desenvolvimento, a baixa observabilidade será muito mais crucial para a sobrevivência da missão [45]. As deficiências persistentes na base industrial de defesa da Rússia terão impacto severo no desempenho dessas plataformas.

A contínua ausência de um design russo verdadeiramente furtivo e contínuos atrasos na realização da produção em massa das plataformas de baixa observabilidade existentes (ou seja, o Su-57) [46] pode servir como outra explicação para as declarações, muitas vezes escarnecedoras, de autoridades russas sobre as aeronaves furtivas dos EUA. Seu propósito pode ser o de criar a impressão de que o atraso da Rússia na tecnologia furtiva é de menor importância para a Rússia do que realmente é e de desviar a atenção pública dos próprios problemas de Moscou na produção de plataformas furtivas eficazes. Espera-se, portanto, que essas declarações voltem a ocorrer e talvez se intensifiquem, não apenas contra os Estados Unidos, mas também contra aliados americanos que continuam a colocar em campo um maior número de aviões furtivos. Nesse contexto, os autores argumentam que, apesar das alegações feitas pelas autoridades de defesa da Rússia e sua comunidade analítica militar, em termos reais, a tecnologia furtiva da Rússia está muito atrás dos EUA. Ao mesmo tempo, visto que mais e mais países, incluindo o parceiro estratégico da Rússia, a China, estão desenvolvendo e/ou introduzindo aeronaves furtivas, os oficiais russos podem achar mais difícil justificar suas reivindicações para a audiência russa e internacional.

Declarações russas depreciativas não devem ser capazes de corroer a confiança dos EUA e da OTAN na utilidade da furtividade. Embora isso possa ser um problema menor nos EUA e no Reino Unido (particularmente dentro da USAF e da Royal Air Force (RAF)), poderia ser mais difundido em outros países membros da OTAN, especialmente em seus membros centrais, ocidentais e do norte da Europa, incluindo aqueles que adquiriram o F-35 (Bélgica, Holanda, Itália, Dinamarca e Noruega). Os membros europeus da OTAN são operadores novos de aeronaves furtivas. Ao contrário dos EUA, eles nunca utilizaram aeronaves furtivos em combate e, portanto, são mais propensos ao ceticismo. Muitos estados da Europa central e ocidental também estão mais sujeitos à influência da Rússia do que os EUA e o Reino Unido, e são, portanto, mais simpáticos às reivindicações da superioridade militar da Rússia.

Enquanto as aeronaves furtivas da Rússia são de “qualidade” inferior e não serão introduzidos em grande escala no curto prazo, o contínuo investimento da Rússia em tecnologia furtiva representa um novo desafio para as forças dos EUA e da OTAN, que não estão acostumadas a enfrentar adversários com ativos baixo observáveis. Isto é particularmente verdadeiro no que diz respeito aos mísseis de cruzeiro baixos observáveis ​​russos, alguns dos quais já estão em serviço operacional e estão sendo implementados em números crescentes. De fato, o inventário crescente de mísseis de cruzeiro da Rússia (baixo observáveis e não) e outras armas guiadas de precisão representam um dos maiores desafios para a OTAN. O fortalecimento da defesa antiaérea, particularmente contra mísseis de cruzeiro, deve, portanto, ser priorizado na OTAN [47].


Este artigo foi concluído pela primeira vez em fevereiro de 2019 e abrange apenas o material disponível antes desta data.


Notas de rodapé

  1. Central Intelligence Agency, Soviet Work on Radar Cross Section Reduction Applicable to a Future Stealth Program (Langley, VA: Directorate of Intelligence, CIA-RDP86R00254R000100050001-4,February 1984), available at: https://www.cia.gov/library/readingroom/docs/CIA-RDP86R00254R000100050001-4.pdf/(accessed February 2, 2019).
  2. Central Intelligence Agency, US Stealth Programs and Technology: Soviet Exploitation of the Western Press (Langley, VA: Directorate of Intelligence, 0000500640,August 1988), available at: https://www.cia.gov/library/readingroom/docs/DOC_0000500640.pdf(accessed February 2, 2019).
  3. Rebecca L. Grant, B-2: The Spirit of Innovation(West Falls Church, VA: Northrop Grumman, 2013), 55-57.
  4. Gregory T. Hooker, “Trends in the Developments of Soviet Air Defense Forces,” Air Power Journal 5, no.2 (Summer 1991): 14.
  5. Central Intelligence Agency, Soviet Reactions to Stealth (Langley, VA: Directorate of Intelligence, 0000261288,July 1985), available at: https://www.cia.gov/library/readingroom/docs/DOC_0000261288.pdf(accessed February 2, 2019).
  6. Benjamin S. Lambeth, Desert Storm and its Meaning: The View from Moscow(Santa Monica, CA: RAND, R-4164-AF, 1992), 84.Soviet Air Force (VVS) and Air Defence Troops (V-PVO) generals as well as industry officials continued to express confidence in the ability of Soviet air defences and argued that the F-117 was able to successfully strike targets in Baghdad solely due to support from electronic warfare (EW) and other aircraft.6Ibid., 84-85.
  7. Eliot A. Cohen et al., Gulf War Air Power Survey Volume II: Operations and Effects and Effectiveness (Washington, DC: US Government Printing Office, 1993), 123-124.
  8. Lambeth, Desert Storm and its Meaning, 57.
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Autores

Guy Plopsky: Guy Plopsky é mestre em Relações Internacionais e Estudos Estratégicos pela Tamkang University, Taiwan. Ele é especialista em poder aéreo, assuntos militares russos e segurança na Ásia-Pacífico. 

Roger N McDermott: Roger N McDermott é Pesquisador Sênior Visitante, Departamento de Estudos de Guerra (Escola de Estudos de Segurança), King’s College London.


Publicação original

Wavell Room, https://wavellroom.com/


Tradução e Adaptação

Ricardo N. Barbosa: Ricardo N. Barbosa é Técnico do Seguro Social e 3º Sargento da Reserva não Remunerada da FAB. E-mail: rnbeear@hotmail.com

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