Mi-28N Night Hunter, o “tanque de guerra” voador da Rússia

Por: Ricardo N. Barbosa*

O Mi-28 surgiu na União Soviética nos anos 80 como um substitutos do Mi-24 Hind e uma resposta ao AH-64A Apache, mas levou duas décadas para entrar em operação como Mi-28N Night Hunter, variante capaz de operar noite e dia e em condições climáticas adversas.

SUMÁRIO

1. Fabricante; 2. Função; 3. Tripulação e cockpit; 4. Estrutura, sistema de rotor e transmissão; 5. Grupo motopropulsor; 6. Dimensões; 7. Pesos; 8. Desempenho; 9. Sistema de controle de tiro; 10. Aviônica; 11. Recursos de autoproteção e blindagem; 12. Armamento; 13. Emprego em combate; 14. História; 15. Produção, operadores e disponibilidade; 16. Variantes.

1. Fabricante

O Mi-28N foi projetado pelo Escritório de Design Mil em Moscou e a fabricação em série é realizada pela Rostvertol em Rostov-on-Don.

2. Função

O Mi-28N é um dos helicóptero de ataque da Aviação do Exército Russo (um ramo da Força Aerospacial especializado no apoio ao Exército Russo) projetado para realizar operações de busca e destruição de tanques de guerra (MBT – main battle tank), veículos blindados e não blindados e pessoal inimigo em combate, bem como alvos aéreos de baixa velocidade. Pode operar noite e dia, e em condições climáticas adversas.

3. Tripulação e cockpit

Os dois tripulantes estão sentados em tandem (um atrás do outro) em cockpits separados, com o piloto/comandante em uma posição elevada no cockpit traseiro e operador de sistema de armas (WSO – weapon systems operator) em uma posição rebaixada no cockpit da frente. O piloto entra no cockpit através de uma porta do lado direito, enquanto o operador de sistema de armas usa uma porta semelhante, mas do lado esquerdo.

Em contraste com os controles de voo duplos do Mi-24 e dos demais helicópteros de ataque, apenas o piloto do Mi-28N possui controles de voo, enquanto o WSO é encarregado da navegação, busca de alvos, manuseio de mísseis e da torre móvel com canhão. O piloto opera as armas de ataque frontal direto – foguetes de 80mm e 122mm e casulos com canhão de 23 mm, além da torre móvel com canhão de 30mm, quando travada na posição de disparo frontal.

O cockpit do piloto possui dois monitores multifuncionais MFI-10-6M de LCD posicionados lado a lado e utilizados para apresentar informações de voo e navegação, dados da estrutura da aeronave/motor, status das estações de armas e informações de direcionamento. Além disso, o cockpit do piloto possui um HUD ILS-28M para apontar suas armas de ataque frontal direto e o piloto pode utilizar óculos de visão noturna (NVG – night vision goggles) Skosok ou GEO-ONV1-01. Até o momento (2020), nenhum sistema de mira ou display no capacete foi integrado ao Mi-28N. O cockpit do WSO também possui dois monitores multifuncionais MFI-10-6M, posicionados um sobre o outro, e um pequeno monitor do painel de controle PS-7V.

Os assentos Zvezda Pamir-K da tripulação têm cintos que se apertam automaticamente em altas cargas g. Se ocorrer uma falha em altitude, para permitir que a tripulação escape de para-quedas, as portas do cockpit e as asas são ejetadas e uma “rampa” com ar comprimido abaixo da porta é inflada para proteger a tripulação do trem de pouso e ajudá-los a sair do helicóptero. (Obs: As chances da tripulação realizar este salto em uma situação de emergência são extremamente baixas).

Para aumentar as chances de sobrevivência da tripulação, ambos os cockpits apresentam um sistema de resgate totalmente novo, centrado nos assentos e trem de pouso com absorção de energia. As fontes da Mil afirmam que a combinação assento/trem de pouso permitem que o piloto e o operador de sistema de armas sobrevivam a aterrissagens de emergência com uma taxa de descida de até 12m/s, à medida que as forças de impacto que atuam na tripulação são reduzidas de 60 para 12g.

4. Estrutura da aeronave, sistema de rotor e transmissão

A estrutura da aeronave é feita de liga de alumínio leve, exceto pelas bordas de ataque/fuga das asas e cauda com materiais compostos, e um pequeno número de componentes não estruturais, incluindo a porta de acesso à fuselagem. É fornecida uma blindagem com placas de alumínio (algumas fontes falam em titânio) e cerâmica para o cockpit e titânio em outras áreas vitais.

Uma asa anédrica é montada em cada lado da fuselagem, cada asa sendo provida de duas estações de armas e um casulo aerodinâmico na ponta contendo sensores eletrônicos e lançadores de chamarizes infravermelhos (flare). Um estabilizador horizontal é montado na parte superior do estabilizador vertical. Um sistema de guincho de armas operado manualmente está embutido nas asas. Um pequeno compartimento acessado por uma pequena porta no lado esquerdo da fuselagem central pode ser usado, se necessário, para carregar carga ou até três pessoas, por exemplo, para recuperar pilotos abatidos.

O sistema de controle de voo é mecânico com atuadores hidráulicos. O trem de pouso do tipo triciclo possui pneus individuais de baixa pressão, com rodas principais de 720 x 320mm. E uma roda traseira de 480 x 200mm. O trem de pouso possui amortecedores de absorção de energia para permitir aterragens sobrevivíveis a uma velocidade vertical de até 12m/s.

O rotor principal de cinco pás possui rolamentos elastoméricos (2° de liberdade), amortecedores (hidráulicos) e batentes de inclinação (mecânicos). Cada pá é construída com materiais compostos, com uma longarina de fibra de vidro e um núcleo em favo de mel, sendo a borda de ataque principal protegida por titânio. A cabeça do rotor é de titânio e tem 5° de inclinação do eixo para a frente. As pás são descongeladas eletricamente. As asas e as pás do rotor principal podem ser destacadas para transporte pelo Il-76 (exigindo 1,5 horas para remontar), mas apenas as pás do rotor principal devem ser removidas para o transporte no An-124 (exigindo 30 minutos para remontar).

O rotor de cauda em X (assim como no AH-64 Apache) compreende dois rotores separados de duas pás (fibra de vidro) configurados em uma configuração de “tesoura”, com 45° entre a intersecção mais próxima. O rotor de cauda inclui mancais elastoméricos e degelo elétrico. A caixa de transmissão principal VR-29 de quatro estágios é baseada na caixa de transmissão principal do Mi-26.

A capacidade máxima de combustível interno é de 1.301kg em três tanques com enchimento de espuma de poliuretano auto-vedante, com protetores de látex de aperto automático. Para elevar o raio de ação ou em voos de translado, até quatro tanques de 575 litros podem ser transportados nas estações de armas sob as asas, elevando a capacidade total de combustível para 3.054kg.

5. Grupo motopropulsor

Dois turboeixo VK-2500 desenvolvidos pela ucraniana Motor Sich e produzidos pela empresa russa Klimov de São Petersburgo. O VK-2500 é uma  versão atualizada do motor TV3-117VMA (2.200shp na decolagem) utilizado nas primeiras unidades do Mi-28N (até 2010). O novo motor introduziu um controle de motor eletrônico com autoridade total (sigla em inglês FADEC) BARK-78 e uma seção de turbina totalmente nova.

O peso seco é de 300kg. A vida útil é de 6.000 horas, podendo ser estendida até 9.000 horas, com as inspeções sendo feitas a cada 50, 100, 200 e 1.000 horas, e a revisão geral a cada 2.000 horas. O VK-2500 possui três subvariantes com opções de potência diferentes conforme a preferência do cliente (01 com 2.000shp na decolagem, 02 com 2.200shp e 03 com 2.400shp) e é utilizado, dentre outros, nos helicópteros de ataque Ka-52, Mi-28N e Mi-35M. Todas essas subvariantes apresentam exatamente o mesmo design e diferem apenas pelas configurações FADEC usadas no sistema BARK-78.

O Mi-28N utiliza a subvariante VK-2500-02 com 2.200shp de potência na decolagem, 2.700shp em emergência (por 2,5 mimutos) no caso de um dos motores falhar e 1.500shp de potência continua em voo cruzeiro. Misturadores de ar frio para supressão de infravermelho estão instalados nas saídas de escape. Os filtros de poeira na entrada de ar são padrão. Os motores são separados pela fuselagem a fim de aumentar a capacidade de sobrevivência do outro motor, caso um seja atingido. Uma Unidade de Força Auxiliar (APU) AI-9V está localizada entre os motores na raiz da cauda e fornece energia quando os motores não estão ligados e auxilia na partida dos motores sem a necessidade de uma fonte externa.

6. Dimensões

Diâmetro do rotor principal: 17,2m. Diâmetro do rotor de cauda: 3,84m. Comprimento máximo com rotores girando: 21.155m. Comprimento da fuselagem: 16,88m. Comprimento sem rotores até a ponta do canhão: 17,01m. Altura máxima até o topo da cabeça do rotor, sem radar: 3,823m Envergadura: 4,88m. Largura com os lançadores APU-8-4U instalados: 5.824m. Distância entre eixos: 11m.

7. Pesos

Vazio: 8.550kg. Decolagem nominal (com 8 mísseis Ataka-V e munição para o canhão): 11.000kg. Decolagem máximo de combate (com 16 mísseis Ataka-V, dois lançadores de foguetes B-13L1 e munição para o canhão): 12.100kg. Decolagem com 4 tanques externos de combustível: 12.140kg. Combustível interno: 1.301kg.

8. Desempenho

Velocidade máxima com peso de decolagem nominal: 305km/h. Velocidade máxima com peso máximo de combate: 280km/h. Velocidade de cruzeiro com peso de decolagem nominal: 240km/h. Velocidade de cruzeiro com peso máximo de combate: 220km/h.

Teto de serviço dinâmico com peso de decolagem nominal: 5.250m. Teto de serviço dinâmico com peso máximo de combate: 4.400m. Teto de serviço estático (voo pairado) com peso de decolagem nominal: 2.950m. Teto de serviço estático com peso máximo de combate: 1.420m.

Alcance com peso de decolagem nominal: 460km. Alcance com peso máximo de combate: 414km. Alcance de translado com 4 tanques de combustível externos: 1.008km. Raio de combate com peso de decolagem nominal 155km (provavelmente com 30 minutos na estação). Raio de combate com peso máximo de combate: 140km (provavelmente com 30 minutos na estação).

9. Sistema de controle de tiro

O Mi-28N está equipado com o pacote de aviônica integrada BREO-28N (izdeliye 930) com capacidade de visão noturna/qualquer-clima desenvolvido pela Ramenskoye RPKB. O sistema é controlado por dois computadores Baget-53-015 e combina sensores de mira, sistemas de navegação, comunicação e autodefesa, um sistema de apresentação de dados e o sistema de gerenciamento de armas SUO-280N-01.

O principal sistema de mira do Mi-28N é o pesado (350kg) e volumoso pacote eletro-óptico (EO) OPS-28 Tor (caminho), desenvolvido pela planta óptica-mecânica de Krasnogorsk. Atualmente, o Tor é o único sistema de mira encontrado nos helicópteros Mi-28N da Rússia, já que o radar não foi instalado. O Tor abriga dentro de uma enorme torre rotativa cilíndrica sob o nariz um pacote de três sensores atrás de um par de janelas opticamente planas, incluindo uma FLIR, uma câmera de TV e um telêmetro a laser LD-294. A torre pode ser direcionada 110° para a esquerda e direita, 30° para cima e 40° para baixo e pode realizar zoom de 4x e 12x.

O sensor de TV do sistema é utilizado para detecção e mira em operações diurnas, é capaz de em condições ideais detectar um tanque de guerra (MBTs) a até 7km. Já o desatualizado sensor FLIR utiliza um canal de imagem infravermelho (IIR) com sensor térmico de segunda geração (288 x 4 elementos) para detecção e mira em operações noturnas, o baixo desempenho limita o engajamento de MBTs a distâncias entre 3-4km. Como os canais de TV e FLIR não podem  tomar a distância do alvo, o telêmetro a laser LD-294 com alcance de 10km é utilizado para este fim.

Enquanto o complexo de mira EO OPS-28 Tor detecta e realiza a mira no alvo o datalink I-256 atua como um obsoleto sistema de orientação dos mísseis antitanque (ATGM) Ataka-V, fornecendo comandos de rádio para os mísseis através de uma antena instalada no focinho do helicóptero. Graças ao embargo de material militar da Ucrância após 2014, o datalink I-256, produzido na Ucrânia, foi substituído pelo modelo russo 9S477K-1, utilizado nos helicópteros de ataque Mi-35M.

Outro pacote eletro-óptico (EO) do Mi-28N é o TOES-521 produzido pela UOMZ e localizada em um globo ocular no nariz do helicóptero, na frente e acima do pacote de mira EO OPS-28 Tor. O TOES-521 não faz parte do complexo de controle de tiro do helicóptero, é utilizado pelo piloto para fins de navegação, principalmente durante a noite. O TOES-521 integra um FLIR para navegação noturna, duas câmeras de TV para navegação diurna e um telêmetro a laser utilizado apenas para fins de navegação. O voo noturno do Mi-28N em baixa altitude também é facilitado graças aos óculos de visão noturna (NVGs) ONV-1 Skosok ou GEO-ONV1-01.

Originalmente, os Mi-28N da Aviação do Exército Russo deveriam ser equipados com um radar semelhante ao AN/APG-78 do AH-64 Apache, capaz de fornecer rápida detecção automática, classificação e priorização de vários alvos terrestres e aéreos. O radar N025 foi testado em voo pela primeira vez em 16 de fevereiro de 2007, com um protótipo do Mi-28N usado como uma plataforma de teste pairando a 8m acima do solo, mas o desenvolvimento e os testes do N025, porém, provaram ser uma empreitada notavelmente longa e todos os Mi-28Ns padrão de produção para a Rússia foram entregues sem o radar. Esses helicópteros carecem inclusive de provisão para a adaptação direta do radar, mas pelo menos em teoria, após uma atualização adequada, eles poderiam ser preparados para receber o radar. Mas até o momento, no entanto, não existem planos de retrofit para a frota de mais de 100 Mi-28N da Aviação do Exército (mais informações sobre o N025, ver Mi-28UB).

10. Aviônica

O sistema de voo/navegação compreende o piloto automático PKV-M24A, o sistema de dados aéreos SVS-V28, o receptor de pressão de ar SVVD-28, o sistema de navegação inercial INS-2000-02 (Ts-094), o receptor de navegação por satélite A-737-011, medidor de velocidade e desvio Doopler DISS-32-28, localizador de direção ARK-25, altímetro de rádio A-052 e outros itens. O subsistema de apresentação de dados utiliza dois monitores MFI-10-6M em cada cockpit, um HUD ILS-28M para o piloto e painel de controle PS-7V para o operador de sistemas de armas. A tripulação pode utilizar NVGs. O conjunto de comunicações KSS-28N-1 compreende dois rádios UHF R-999, rádio HF Prima, sistema de comunicação criptografado T-921 e outros. Para identificação de alvos cooperativos existe o interrogador amigo inimigo (IFF) IL229.

11. Sistemas de autoproteção e blindagem

O Mi-28N possui sistemas relativamente básicos de autoproteção e com baixa integração entre eles. Contra armas guiadas os atuais helicópteros operacionais estão equipados com o receptor de alerta radar (RWR) L150-28, receptor de alerta laser (LWR) L140 Otklik e lançadores de chaff UV-26.

O RWR L150-28 alerta o piloto sobre as emissões de radar em volta do helicóptero, possui uma antena em cada lado do nariz e duas no final da cauda. A ponta das asas do Mi-28N contem um casulo orgânico com: um sensor de alerta laser (LWR) L140 frontal e um traseiro (ambos levemente inclinados para fora), que alertam o piloto sobre as emissões de laser direcionadas para o helicóptero; e dois lançadores UV-26 com 32 cargas cada de chamarizes infravermelhos descartáveis (flare).

Além de uma aviônica defensiva contra armas guiadas, o Mi-28N também possui suas partes vitais blindadas contra munições cinéticas. Um total de 350kg de blindagem protege o cockpit e os compartimentos do motor, enquanto isso os tanques internos de combustível são auto-vedantes e as pás do rotor principal são de material composto capaz de suportar golpes de projéteis de até 30mm.

A fuselagem ao redor do cockpit utiliza placas de 10mm de alumínio (algumas fontes falam em titânio) coladas com 16mm de cerâmica capazes de suportar impactos diretos de projéteis de até 12,7mm (0.50 pol.) ou estilhaços de projéteis altamente explosivo (HE) de 20mm. As portas possuem 2 camadas de alumínio e uma camada de poliuretano entre elas. O vidro blindado do para-brisa possui 42mm (algumas fontes falam em 50mm) de espessura e pode suportar tiros até calibre 12,7mm e o vidro das janelas laterais, que normalmente não são blindados em outros helicópteros de ataque, possuem 22mm (algumas fontes falam em 35mm) de espessura e podem suportar tiros até calibre 7,62mm. A cabine do piloto é separada da cabine do operador de sistema de armas por uma placa de alumínio de 10mm, o que minimiza os danos em ambos os membros da tripulação quando um projétil altamente explosivo (HE) de pequeno calibre explode em uma das cabines. O Mi-28N provavelmente é o helicóptero de ataque mais blindado do mundo.

12. Armamento

As armas são transportadas em quatro estações de armas nas asas com capacidade para até 500kg de armamento cada (2t ao todo), enquanto um canhão 2A42-2 de 30mm com 250 cartuchos é montado em uma torre sob a fuselagem frontal. A carga máxima de armamento nas asas é a configuração com 16 mísseis antitanque Ataka-V e 2 lançadores de foguetes não guiados B-13L1 (5 foguetes de 122mm cada).

O 2A4-2 é um canhão de 30mm, original do blindado BMP-2, que foi exportado para os helicópteros de taque Ka-50, Ka-52 e Mi-28. Ele está montado em uma torre móvel NPPU-280-1 (9A-4349-1) que está sincronizada com a mira EO OPS-28 Tor controlado pelo WSO ou o HUD no cockpit do piloto. A fonte de alimentação é uma fita dupla face de duas caixas de cartuchos presas à torre. Graças à fonte de alimentação seletiva, a equipe pode escolher o tipo de projétil (perfurante ou explosivo). O deslocamento em azimute do canhão pode ser de até 110° para os lados e em elevação de até 13° para cima e 40° para baixo. O uso de uma torre móvel diminui um pouco a precisão em relação a um canhão fixo, mas diminui o tempo necessário para engajar o alvo.

O 2A4-2 pode disparar uma salva rápida de tiros a 900rpm ou uma salva lenta de 200-300rpm e também pode ser usado para disparar tiros únicos. A velocidade de saída do projétil é de 980m/s, que, combinada com o projétil pesado, coloca o 2A4-2 entre os canhões mais poderosos já instalados em um helicóptero no mundo, se não o mais poderoso. Quando disparado a 1.500m do alvo, pode penetrar em uma placa de aço com 15mm de espessura; a mira é eficaz a até 4.000m. Os alvos preferenciais são unidades de infantaria, estruturas fixas ou veículos sem blindagem ou com blindagem leve.

O sistema de mísseis antitanque ATAKA-VN que equipa o Mi-28N inclui o sistema de mira eletro-óptica OPS-28N Tor, o datalink de radiocomando I-256, os lançadores APU-8/4U nas estações externa das asas e a carga de mísseis antitanque 9M120 Ataka-V. Até 16 Ataka-V com velocidade média de voo de Mach 1.17 e máxima de Mach 1,6 podem ser transportados nas estações de armas externas das asas. Os mísseis são alojados dentro de 8 tubos em lançadores APU-8/4U (um em cada asa). O Ataka-V possui 6km de alcance durante o dia e 4,5km durante a noite, é guiado por um obsoleto modo de comando de rádio e pode penetrar 800-850mm de blindagem após atravessar a blindagem reativa. Também existem versões com ogiva dedicada ao ataque a construções e pessoal.

Outras armas incluem até quatro: lançadores de foguetes não guiados B-13L1 (cinco foguetes de 122mm) ou B-8V-20A (20 foguetes de 80mm), tanques incendiários, lançadores de submunição KMGU-2, lançadores de minas, pods de canhão UPK-23-250 (com 250 tiros de 23mm) e outros.

Até 4 mísseis ar-ar 9M39 Igla-V em uma das estações de armas externas das asas e lançados por tubos em duas unidades lançadoras Strelets conjugadas, uma sobre a outra, cada uma com 2 mísseis, podem ser lançados contra aeronaves voando baixo e lento, helicópteros inimigos e UAVs. O míssil utiliza um sistema de orientação por infravermelho e possui alcance máximo de 5,2km.

13. Emprego em combate

Em 31 de setembro de 2015, a Rússia lançou uma campanha aérea sobre a Síria. O primeiro emprego em combate do Mi-28N foi em 26 de março de 2016, quando foram utilizados em combate para atacar posições do Daesh, fornecendo CAS para as tropas terrestres da Síria que avançavam em direção a Palmyra, eles atacaram alvos terrestres com foguetes de 80mm, canhões e ATGMs. O Ministério da Defesa Russo divulgou imagens de vídeo de vários ataques na batalha por Palmyra. O material mostrou ataques a alvos móveis e estáticos com mísseis antitanque (ATGM) Ataka-V.

Um dos vídeos (vídeo aqui) envolve um lançamento do Ataka-V a uma distância de 3,8 km e com o helicóptero a uma altitude de 700m e a uma velocidade de 220 km/h. O canal de TV do sistema de direcionamento OPS-28 Tor foi usado no modo de zoom máximo (12x), com imagem monocromática. O rastreamento do alvo foi realizado no modo automático, sem qualquer envolvimento do operador de sistema de armas do Mi-28N. O alvo selecionado para o ataque foi um veículo de combate de infantaria BMP-1 estático, com o tempo de voo do míssil sendo de 10 segundos e com impacto direto no alvo.

O segundo ataque demonstrado no mesmo vídeo foi direcionado contra posições do Daesh em uma casa pequena. O míssil foi lançado a uma distância de 4,7km, com o helicóptero a uma altitude de 114m e velocidade de 158km/h; o tempo de voo do míssil foi de 13 segundos e com impacto direto no alvo.

Vale ressaltar, porém, que em ambos os lançamentos do Ataka-V em condições benignas (luz do dia, alvos estáticos, nenhum fogo antiaéreo do solo ou cortinas de fumaça para obscurecer os alvos) houve interrupções temporárias no rastreamento automático do alvo. Isso aconteceu logo após o lançamento dos mísseis – presumivelmente devido à influência da fumaça dos motores dos mísseis. Um ou dois segundos depois o rastreamento automático foi retomado e o sistema demonstrou operação estável para guiar o míssil.

A segunda série de vídeos (vídeo aqui) mostrando os lançamentos do Ataka-V foi muito mais dramática, eles foram direcionados contra dois alvos estáticos e um em movimento durante o dia e utilizando o canal de TV como mira. No primeiro ataque, um Mi-28N utilizou rastreamento automático e mirou dois caminhões do Daesh que estavam parados em uma estrada. O primeiro míssil Ataka-V foi lançado no limite de seu envelope de engajamento, a uma distância de 5,5km, com o helicóptero a uma altitude de 1.460m e voando a 203km/h, o tempo de voo do míssil foi de 17 segundos. A detonação do míssil criou uma nuvem de poeira e fumaça, mas quando desapareceu sete segundos depois, verificou-se que o míssil tinha errado o alvo por uma pequena margem, pois o caminhão estava intacto e de repente seguiu em frente.

Então o helicóptero realiza um segundo lançamento de míssil no outro caminhão logo atrás do primeiro, também estacionado no momento do lançamento, a distância agora era de 4,1km, com o voo de míssil durando 11 segundos. O míssil também errou o alvo, pois o rastreamento automático era instável e, como resultado, o ponto de impacto foi próximo do alvo, mas sem causar danos.

O terceiro envolvimento de mísseis, ainda no mesmo ataque (vídeo aqui), foi direcionado a outro (terceiro) veículo motorizado, em alta velocidade em uma direção quase perpendicular à direção do helicóptero. Desta vez, o rastreamento foi feito no modo manual pelo operador de sistema de armas e o lançamento do míssil ocorreu a uma distância 4,8km. O operador tinha um rastreamento instável e o tempo de voo do míssil foi de 14 segundos. Desta vez, não foi possível atestar o sucesso do míssil, já que o vídeo foi cortado antes que a poeira baixasse.

Os 2 primeiros engajamentos do segundo vídeo, também em condições benignas (luz do dia, alvos estáticos, nenhum fogo antiaéreo do solo ou cortinas de fumaça para obscurecer os alvos), mostraram uma certa deficiência em engajar alvos de médio/pequeno porte a mais de 4km, principalmente utilizando o rastreamento automático. No primeiro engajamento, mesmo com a mira devidamente travada no alvo o míssil errou. Nenhum vídeo com compromissos noturnos foi divulgado, mas os pilotos relatam uma certa dificuldade em engajar alvos noturnos a mais de 3km.

Um Mi-28N foi perdido na Síria em um acidente em 12 de abril de 2016, logo após a meia-noite. Durante uma missão nos óculos de visão noturna (NVG), foi relatado que o helicóptero colidiu com o solo perto da cidade de Homs; os dois membros da tripulação morreram com o impacto. O Ministério da Defesa da Rússia alegou que a perda do Havoc não estava relacionada ao fogo inimigo e a principal causa tinha sido desorientação do piloto.

Após o acidente, os helicópteros Mil e Kamov de fabricação russa foram equipado com um NVG de nova geração, os helicópteros de ataque Kamov Ka-52 e Mil Mi-28N receberam NVGs da família GEO-ONV1 no lugar do ONV-1 Skosok. O GEO-ONV1 foram equipados com um terceiro intensificador de geração de imagem, que fornece visibilidade a uma distância de até 4 km. As modificações NVG para as aeronaves Mil e Kamov foram designadas GEO-ONV1M e GEO-ONV1K, respectivamente.

14. História

Em 16 de dezembro de 1976, o governo soviético encomendou um helicóptero de combate de nova geração equivalente ao AH-64 Apache americano para substituir o Mi-24 Hind. Ao contrário do Mi-24, o novo helicóptero seria um antitanque especializado sem cabine de carga, mas com características aerodinâmicas aprimoradas (manobrabilidade, taxa de subida), melhor capacidade de sobrevivência e com sistemas de armamento e expansão de armamento. Dois helicópteros foram construídos para atender a esse requisito: o Mi-28 da Mil e o V-80 da Kamov. Enquanto o Mi-28 utilizava um design clássico, o V-80 tinha duas características visivelmente marcantes. A primeira era o sistema de rotores coaxiais e contra-rotativos, e a segunda era o cockpit com assento único (monoplace).

O design preliminar do Mi-28 (izdeliye 280; codinome OTAN: Havoc) foi aprovado em junho de 1981. Em 10 de novembro de 1982, Gurgen Karapetyan e Viktor Tsigankov voaram pela primeira vez no protótipo inicial (n° 012 amarelo). A mesma tripulação fez o primeiro circuito de voo em 19 de dezembro de 1982. Dois protótipos do Mi-28 (n° 012 e 022) foram construídos.

Durante várias campanhas de testes entre o V-80 e o Mi-28 ao longo dos anos 80, ambos os projetos mostraram-se eficazes, mas existia uma certa inclinação pelo V-80, que destacava-se por um manuseio mais fácil, altitude operacional e velocidade de subida maiores, além do novo míssil antitanque Vikhr de maior alcance e de uso exclusivo. De acordo com os estudos, a máquina da Kamov também seria mais barata de operar. Em 1987, foi então decidido que o Ka-50 (V-80 de série) da Kamov seria o principal helicóptero de ataque soviético, com o Mi-28A (Mi-28 de série) sendo adquirido em menores quantidades e voltado para exportação.

Em janeiro de 1988, voou o primeiro protótipo do Mi-28A (izdeliye 286; primeiro voo pairado em 7 de janeiro; primeiro circuito de voo em 19 de janeiro), número lateral “032 amarelo”, apresentando um novo rotor de cauda em X, escapamentos de motores reprojetados, sensores aprimorados e dispositivos de autodefesa. O segundo protótipo do Mi-28A, o “042”, era apenas ligeiramente diferente. A estréia estrangeira do Mi-28A ocorreu em Paris, em junho de 1989, quando “032 amarelo” foi exibido.

No outono de 1990, foi assinado um contrato para o fornecimento do Mi-28A ao Iraque e a subsequente fabricação de helicópteros Mi-28L licenciados no país; porém mais tarde, após a Guerra do Golfo em 1991, o contrato foi cancelado. Em 30 de setembro de 1991, o Ministério da Defesa russo ordenou que o departamento de design Mil realizasse o programa Avangard-2, sendo esta uma versão com capacidade de operação noturna do Mi-28A (ao mesmo tempo, a Kamov recebeu a ordem de realizar o Avangard-1, uma versão com capacidade noturna do Ka-50). No entanto, o financiamento para o programa foi escasso e o desenvolvimento foi muito lento. Em outubro de 1995, o Mi-28A “042” chegou a ser testado na Suécia por pilotos suecos. Em 1993, a Mil finalmente abandonou o Mi-28A e concentrou todos os esforços na versão com capacidade noturna Mi-28N.

O primeiro protótipo Mi-28N OP-1 (com numeração 014) realizou o primeiro voo pairado em 14 de novembro de 1996, pilotado por Vladimir Yudin e S. Nikulin, e o primeiro circuito de voo foi em 26 de abril de 1997 com a mesma tripulação. O primeiro Mi-28N fez apenas alguns voos antes que o programa fosse paralisado por vários anos na expectativa de novos sistemas e, principalmente, de um novo conjunto de transmissão principal que substituísse a problemática transmissão original. Somente em 24 de abril de 2002 o “014” retomou os testes com a nova transmissão VR-29 (em vez da antiga VR-28) adaptada para maior potência. O segundo helicóptero de teste, OP-2 (n° 024), foi construído pela fábrica de Rostvertol e fez seu primeiro voo em 25 de março de 2004. Quando comparado ao primeiro protótipo, o “024” recebeu um rotor principal com novas pás, nova placa de controle e cabeça do rotor, bem como controles aprimorados para o sistema de motor e combustível.

Posteriormente, a fábrica de Rostvertol concluiu seis helicópteros de pré-série (números 32, 33 e 35 ao 38) para testes pela Mil. Por algum tempo, uma versão intermediária chamada Mi-28D (dnevnoi, dia) foi considerada, ela usaria a estrutura do Mi-28N, mas ainda sem sensores noturnos. Em 2008, começaram as entregas de helicópteros padrão de série para a Aviação do Exército Russo (um ramo da Força Aérea Russa). O helicóptero foi oficialmente comissionado pelo Ministério da Defesa Russo em 22 de novembro de 2013.

15. Produção, operadores, disponibilidade e perdas

Depois de cinco protótipos (dois Mi-28, dois Mi-28A e um Mi-28N) construídos pela Mil e seis unidades de pré-séries do Mi-28N construídas pela Rostvertol, o Ministério da Defesa da Rússia fez o primeiro pedido para Mi-28Ns de série em 2005, quando foram encomendados 67 helicópteros.

Em 22 de janeiro de 2008, a Força Aérea Russa aceitou a entrega dos dois primeiros helicópteros Mi-28N de série (números 41 e 42); estes foram posteriormente repassados ​​ao centro de avaliação e conversão operacional em Torzhok. Entregas sucessivas foram feitas ao mesmo centro de Torzhok e, depois, em bases aéreas operacionais. Em 2010, mais 30 unidades foram encomendadas; acredita-se que houve também pelo menos mais um pequeno contrato de compra para cobrir perdas, resultando em entregas adicionais do Mi-28N feitas em 2018 e 2019. Em abril de 2019, aproximadamente 100 Mi-28N de série tinham sido entregues para Aviação do Exército Russo.

Segundo os relatórios, em 2013, a frota de Mi-28N da Aviação do Exército Russo operando sob garantia, que geralmente dura dois anos (a partir da data de entrega) ou 200 a 300 horas (dependendo do contrato específico), era de 42 aeronaves, que totalizaram 2.234 horas de voo no ano com tempo médio entre falhas (MTBF – mean time between failure) de 8,4 horas. Em comparação, em 2013, a frota de 30 Mi-35M (versão modernizada do Mi-24) sob garantia voo 3.069 horas e apresentou um MTBF de 22,6 horas. Os números de 2013 mostraram que o Mi-35M voava quase 3 vezes mais do que o Mi-28N antes de sofrer uma falha. A expectativa é de que com o passar dos anos a confiabilidade do Mi-28N tenha melhorado.

A Aviação do Exército Russo perdeu três Mi-28Ns de série até agora: o primeiro caiu em fevereiro de 2011 durante um voo de treinamento devido uma falha na caixa de transmissão; o segundo caiu em agosto de 2015 durante um voo em formação (aparentemente devido a um erro de manuseio); e o terceiro exemplar foi perdido em uma surtida de combate noturno na Síria em abril de 2017, junto com seus dois tripulantes. Sabe-se que pelo menos mais dois Mi-28N sofreram danos pesados ​​em aterrissagens duras, mas foram posteriormente reparados em Rostvertol e retornaram ao serviço.

O primeiro contrato de exportação do Mi-28 foi assinado em 2013, quando o Iraque encomendou 15 helicópteros Mi-28NE (versão de exportação do Mi-28N, veja Mi-28NE abaixo); os três primeiros foram entregues ao Iraque em 28 de agosto de 2014, sem radares. Os dois seguintes foram entregues em fevereiro de 2015 e avistados em Bagdá em março com radares N025E montados no mastro – foram os primeiros Mi-28 operacionais com radares. Em 26 de dezembro de 2013, a Argélia tornou-se o maior cliente do Mi-28 fora da Rússia, encomendando 42 Mi-28NE, com os dois primeiros sendo entregues em maio de 2016.

Em abril de 2016, o ministério da defesa concedeu à Russian Helicopters um pedido inicial para 24 Mi-28UB (versão com controles duplos, veja Mi-28UB abaixo). Os dois primeiros foram entregues em novembro de 2017. Até o final de 2019, aproximadamente 20 Mi-28UBs deste contrato tinham sido entregues, de modo que a Aviação do Exército Russo tinha aproximadamente 120 Mi-28s operacionais.

Em 11 de dezembro de 2019, por volta das 23h, um Mi-28UB caiu no território russo de Krasnodar, deixando os 2 tripulantes a bordo mortos. O helicóptero aparentemente chocou-se contra o solo durante um voo noturno em condições climáticas adversas.

Em 27 de junho de 2019, foi assinado pelo Ministério da Defesa da Rússia um pedido em larga escala para 98 Mi-28NM, uma versão amplamente atualizada do Mi-28N (veja Mi-28NM abaixo). A entrega dos seis primeiros Mi-28NMs de série para a Aviação do Exercito Rússo está prevista para 2020, enquanto os exemplares finais devem ser entregues até o final de 2027.

16. Variantes

Mi-28 (izdeliye 280; codinome OTAN: Havoc, Destruidor) é o protótipo demonstrador de conceito dos anos 80.

Mi-28A (izdeliye 286; codinome OTAN: Havoc-A) seria a primeira variante operacional para operações diurnas, deveria ter entrado em operação nos anos 90, mas foi cancelada.

Mi-28N (izdeliye 294; N de noch, noite; codinome OTAN: Havoc-B; apelido: Night Hunter) é a variante operacional e mais numerosa da Aviação do Exército Russo descrita acima, possui capacidade dia e noite, e qualquer clima.

Mi-28UB (izdeliye 298; UB de uchebno-boyevoy, treinamento-combate) é um derivado aprimorado de treinamento e ataque do Mi-28N, que consta com controles duplos e diversas melhorias na ergonomia dos cockpits. Ele mantém a aviônica de missão de seu antecessor e é capaz de cumprir todas as missões de ataque do Mi-28N, embora seja destinado principalmente à conversão e treinamento operacional dos novos pilotos de Mi-28N.

O desenvolvimento do Mi-28UB começou por volta de 2010, a pedido da Aviação do Exército Russo, que queria uma versão modificada do Mi-28N com funcionalidade entendida para treinamento da tripulação. A casa de design Mil desenvolveu então a nova versão visando reduzir em de duas a três vezes as horas de voo de treinamento. Para testes iniciais e avaliação do Mi-28UB, a Mil utilizou o Mi-28N “37 amarelo” convertido para o padrão UB, que foi ao ar pela primeira vez em 9 de agosto de 2013. O ministério da defesa concedeu à Russian Helicopters um pedido inicial para 24 Mi-28UB de série em abril de 2016, com os dois primeiros sendo entregues em novembro de 2017 (N° 07 e 08 amarelo). Cada um dos regimentos da linha de frente do Mi-28N está programado para receber de três a quatro Mi-28UBs, enquanto o esquadrão de treinamento e reciclagem em Torzhok opera quatro exemplares.

Espera-se que o uso do Mi-28UB na maioria das missões durante o curso de conversão de pilotos leve a um treinamento muito mais eficaz. Até a introdução do Mi-28UB em 2018, apenas as tripulações experientes de Mi-24 foram selecionadas para conversão ao Mi-28N, pois este último possui características de manuseio mais complexas e é descrito pelos pilotos como muito temperamental em comparação com o antecessor.

A principal diferença entre o novo helicóptero Mi-28UB e o Mi-28N é um sistema de controle de voo duplo que permite controlar o helicóptero a partir do cockpit traseiro do piloto e do cockpit frontal do instrutor. Além disso, o cockpit frontal e o canopy do cockpit traseiro foram alargados em 14cm para maior conforto dos tripulantes, especialmente quando voam com óculos de visão noturna (NVGs). O cockpit frontal do instrutor possui janelas maiores para melhorar a visibilidade, além disso recebeu um novo painel capaz de simular falhas de equipamentos de bordo e aviônicos. Os monitores de LCD do cockpit frontal agora estão posicionados lado a lado em vez de um sobre o outro como no Mi-28N. Ambos os cockpits vêm com novos assentos AK-2005 com uma maior absorção de energia cinética para ajudar a tripulação a suportar melhor aterrissagens difíceis.

O Mi-28UB, diferentemente do Mi-28N, vem equipado de série com o radar de ondas milimétricas N025, tornando-se assim o primeiro Mi-28 da Aviação do Exército Russo com radar operacional. O N025 está instalado sobre o mastro do rotor principal e trabalha na faixa de comprimento de onda banda-Ka. O comprimento de onda milimétrica, também conhecido como banda-Ka (frequências na faixa de 26,5 a 40GHz e comprimento de onda de 7,5 a 10mm) foi escolhido por ser menos sensível à desordem de solo do que a banda-X (comprimento de onda centimétrico) normalmente utilizada em aeronaves de combate, além de oferecer elevada resolução para mapeamento do terreno. A desvantagem é o alcance de detecção menor do que a banda X.

O N025 emprega técnicas de mapeamento de feixe real, nitidez Doppler e indicador de alvo móvel (MTI) para fornecer mapeamento de terreno, detecção e rastreamento automático de alvos estáticos e móveis (incluindo alvos terrestres, marítimos e aéreos) e medição de suas coordenadas para pontaria do pacote de mira eletro-óptica OPS-28 Tor. O sistema também é anunciado como útil para melhorar a segurança de voo através da detecção de obstáculos em frente ao helicóptero e de ocorrências potencialmente perigosas de mau tempo em faixas superiores a 100km. A imagem do terreno subjacente derivada do radar pode ser usada pela tripulação para apontar rapidamente o Tor em direção a um alvo, diminuindo assim o tempo de busca e rastreamento do alvo. Quando usado para detectar alvos aéreos, o radar pode emitir avisos à tripulação sobre alvos prioritários que representam uma ameaça para o helicóptero.

Foi relatado como sendo capaz de rastrear simultaneamente até quatro alvos terrestres, com o alcance máximo de detecção contra uma grande ponte metálica reivindicado como 20km, e os tanques de batalha principais (MBT) podem ser detectados a até 10km. Nos modos de detecção de obstáculos e clima, ele escaneia um setor horizontal de 180°, normalmente na frente do helicóptero, enquanto em elevação a varredura é de 25° para baixo e 15° para cima. Quando empregado no modo de pesquisa de alvos no solo, o N025 escaneia em um setor horizontal de 90° em cerca de três segundos, enquanto no modo ar-ar a varredura horizontal se expande para 180°; a varredura de elevação é de 40° para baixo e 120° para cima. O suporte da antena do radar no mastro do rotor pode ser girado em 360° a uma taxa de até 90° por segundo para reposicionar a antena e seu campo de busca.

O N025 originalmente não possui modos sofisticados com baixa probabilidade de interceptação e de reconhecimento de alvos não cooperativos em solo do tipo apresentado no radar AN/APG-78 do AH-64D Apache. É por isso que, em sua configuração inicial de produção e no seu estado atual de integração, o N025 ainda não pode ser considerado um sensor de aquisição, classificação e reconhecimento de alvo completamente independente. O ciclo de engajamento do alvo, ao usar o radar, ainda requer detecção e reconhecimento visual pelo complexo eletro-óptico Tor-28N antes de utilizar armas guiadas ou não guiadas. Este próximo passo do desenvolvimento do radar – ou seja, poder ser utilizado como um sensor de mira independente, capaz de reconhecer alvos para engajamento subsequente – está programado para ocorrer no futuro, adicionando progressivamente novos incrementos de software e hardware para o sistema.

Mi-28NE (izdeliye 2941 e izdeliye 299) é um derivado de exportação do Mi-28N que em 2009-10 concorreu com AH-64D Apache Longbow por um contrato para 22 helicópteros de ataque para a Índia. Em 2011, porém, o AH-64D foi declarado vencedor. Mas em 2013, finalmente o Mi-28NE ganhou o primeiro contrato de exportação, 15 unidades para o Iraque. Ainda em 2013, a Argélia tornou-se o maior cliente do Mi-28 fora da Rússia, encomendando 42 Mi-28NE.

Os Mi-28NE vendidos ao Iraque e Argélia têm dois padrões e ambos são pelo menos ligeiramente mais modernos do que o Mi-28N russo. O padrão izdeliye 2941 é o equivalente de exportação do Mi-28N (izdeliye 294) e o izdeliye 299 com comandos de voo duplos é o equivalente de exportação do Mi-28UB (izdeliye 298). O Iraque adquiriu 11 izdeliye 2941 (Mi-28NE/N) e 4 izdeliye 299 (M-28NE/UB), enquanto a Argélia adquiriu 42 izdeliye 299 (Mi-28NE/UB).

O Mi-28NE foi o primeiro Mi-28 a utilizar um radar sobre o mastro de forma operacional. O radar N025, originalmente desenvolvido para as forças armadas russas, foi modificado e sua versão de exportação foi designada como N025E. Ele é usado nos Mi-28NE exportados para a Argélia e Iraque. Ele difere do N025 original por sua nova frequência operacional (ainda dentro da banda-Ka) e seu hardware também foi modificado para atender a alguns requisitos específicos do cliente, como a capacidade de trabalhar de forma confiável em ambientes muito quentes. Os primeiros conjuntos de radares padrão de série foram entregues em 2015 para instalação no lote final dos Mi-28NE iraquianos.

Alguns Mi-28NE da Argélia, além do radar, também receberam um pacote de autoproteção mais completo, que além dos sistemas já encontrados no Mi-28N inclui o sistema de alerta de aproximação de mísseis (MAWS) L370-2 com 2 receptores operando na banda ultravioleta (UV) nocasulo na ponta das asas e um sistema de contramedidas por energia dirigida (DIRCM – directional infrared counter measures) L370V28-5L com feixe laser para cegar mísseis superfície-ar com buscadores de calor (IR), a torre emissora está instalada sob a fuselagem.

Mi-28NM (izdeliye 296) é uma atualização abrangente do Mi-28N, que teve início em 2009 quando o Mi-28N estava praticamente pronto e a Mil recebeu um contrato para o programa de pesquisa e desenvolvimento Avangard-3 visando projetar um Havoc definitivo, livre das inúmeras deficiências que prejudicavam seu predecessor Mi-28N. O Mi-28NM é dotado de capacidade operacional noturna e climática melhoradas, mísseis guiados de longo alcance, melhor agilidade, desempenho em clima quente e a elevadas altitudes aprimorado, e por último, mas não menos importante, capacidade de sobrevivência reforçada.

O esforço de desenvolvimento e teste do Mi-28NM foi totalmente financiado pelo Ministério da Defesa da Rússia e teve um bom progresso desde 2016, mas o novo Mi-28NM ainda está em desenvolvimento, o primeiro protótipo, denominado OP-1, passou por seus primeiros testes de voo pairado em julho de 2016. Em dezembro de 2017, o Ministério da Defesa da Rússia ordenou que dois Mi-28NMs de pré-série fossem produzidos e usados ​​para fins de avaliação e teste e, embora tenham sido originalmente previstos para entrega até o final de 2018, os helicópteros só foram entregues em junho de 2019 (70 e 71 vermelho). O protótipo OP-1 recebeu o número “701 amarelo” e foi testado em combate na Síria em março de 2019. Em 27 de junho de 2019, um pedido em larga escala para 98 Mi-28NM foi finalmente assinado. A primeira entrega de seis Mi-28NMs de série destinados à Aviação do Exército Russo está prevista para 2020, enquanto os exemplos finais devem ser entregues às forças armadas russas até o final de 2027.

O Mi-28NM difere da versão N principalmente em seus sistemas de missão e armas atualizados. Possui um novo computador central, um sistema de navegação aprimorado, um radar modernizado N025M montado na parte superior do mastro do rotor, pacote de mira eletro-óptica modernizado OPS-28M Tor-M e um novo pacote de navegação eletro-óptico SMS-550. A tripulação recebeu o sistemas de mira e display montado no capacete NSTsI-V. Além disso, a fuselagem e rotor também sofreram aprimoramentos.

As melhorias consideráveis ​​de desempenho em voo foram alcançadas usando uma nova: fuselagem mais leve, caixa de transmissão principal e motores Klimov VK-2500P. O novo motor tem um modo de proteção adicional contra surtos e fornecem mais energia bruta: 2.800shp de potência no modo de emergência, 2.500shp na decolagem e 1.700shp em cruzeiro. O tempo entre revisões gerais (TBO) foi estendido para 3.000 horas/ciclos de voo. Além disso, a Mil declara que as novas pás do rotor principal que serão instaladas no Mi-28NM – agora sendo testadas no Mi-24 LL PSV – permitirão um aumento na velocidade máxima de 10% e um aumento na velocidade de cruzeiro de 13%.

Ausente no Mi-28 até então, o NSTsI-V será o novo e inédito sistema de visor e mira montada no capacete fornecido pela GRPZ Company, sediada em Ryazan. A empresa-mãe da GRPZ, KRET, anunciou a conclusão bem-sucedida dos testes de voo do NSTsI-V em setembro de 2018 e foi adicionado ao pacote de aviônicos de missão do Mi-28NM. Também foi testado em condições de combate do mundo real na Síria, o que revelou algumas deficiências que foram prontamente corrigidas pela equipe de design do GRPZ antes do lançamento da produção em série.

O principal sistema diretor de tiro do Mi-28NM continua sendo o pacote de mira eletro-óptica OPS-28M Tor-M aprimorado com um alcance de detecção para um tanque de guerra (MBT) de 10km durante o dia, enquanto o alcance de reconhecimento é de 9km. Durante a noite, o novo termovisor (FLIR) do OPS-28M possui um alcance de detecção de um MBT de até 9km, enquanto o alcance de reconhecimento é de 7km. Para guiar os mísseis, o laser designador (do tipo beam riding) LSN-296 substituiu o telêmetro a laser LD-294 do Mi-28N na composição do Tor-M. Além disso, o link de radiocomando I-256, utilizado para guiar o 9M120 Ataka-V no Mi-28N, foi removido do conjunto de equipamentos, cuja antena no Mi-28N está bem no nariz. A ausência desta antena é a diferença externa mais visível entre o Mi-28NM e o N.

Há também um derivado amplamente aprimorado do radar N025 em desenvolvimento pela GRPZ para instalação no Mi-28NM. De acordo com Pavel Budagov, diretor geral do GRPZ, o novo N025M apresenta novo hardware e software para habilitar novos modos de operação e uma taxa de varredura mais rápida no modo ar-ar, capacidade de rastrear mais alvos do que os do N025, melhor precisão de posicionamento de alvos e obstáculos, capacidade de detecção de grandes fenômenos meteorológicos e um canal de identificação amigo ou inimigo (IFF) recém-adicionado, com transpônder e interrogador operando na banda L (decimétrica).

O novo radar possui um computador muito mais poderoso e opera em duas bandas simultaneamente – a usual banda Ka (milimétrica) do N025 e a banda X (centimétrica) adicional usando a mesma antena refletora parabólica. Esse recurso de banda dupla fornece uma melhoria considerável na precisão do posicionamento do alvo. O novo radar também é apontado como capaz de rastrear até dez alvos simultaneamente contra quatro no N025. O radar da versão M, porém, semelhante ao N025 anterior, ainda não indica alvos diretamente para as armas. Apenas transfere as coordenadas iniciais para o cabeçote eletro-óptico OPS-28M.

Um novo sistema de conexão de dados do Mi-28NM permite uma gama ampliada de operações centradas em rede, incluindo, assim como no AH-64E Apache, o uso de informações fornecidas por UAVs. Essa nova área de desenvolvimento ainda está em um estágio muito inicial, mas a equipe do Mi-28NM poderá controlar UAVs táticos a uma distância de até 50km, procurando alvos com os sensores do UAV e preparando seu próprio ataque, inclusive com o uso de mísseis ar-superfície sem linha de visão.

O Mi-28NM possui um novo pacote de sistemas autoproteção integrados, o L370V28 Vitebsk (ou L370V28E Prezident-S28 para exportação), controlado por um sistema de computação central. O receptor de alerta radar L150-28M, o receptor de alerta laser L-140M e lançadores de flare são versões modernizadas dos modelos encontrados no Mi-28N. Além disso, foram introduzidos dois sistema defensivos encontrados nos Mi-28NE da Argélia: o sistema de alerta de aproximação de mísseis L370-2 nos casulos na ponta das asas e um sistema de contramedidas por energia dirigida (DIRCM – directional infrared counter measures) L370V28-5L que utiliza um feixe laser para cegar mísseis superfície-ar com buscadores de calor (IR), a torre emissora é instalada sob a fuselagem.

O armamento antitanque padrão do Mi-28NM são os mísseis 9M123M Khrizantema-VM e os mísseis 9M120-1 Ataka-VM. Ambos com guiamento por laser beam riding e também por radar beam riding no caso do Khrizantema-VM. No guiamento beam riding, em vez do míssil usar um sensor frontal para detectar o feixe de laser ou radar refletido no alvo, o míssil tenta se posicionar dentro do feixe laser ou de radar através sensores na cauda enquanto voa em direção ao alvo, isso simplifica o sistema de guiamento do míssil, mas impede que uma plataforma diferente da lançadora faça a mira no alvo.

O novo míssil antitanque (ATGM) 9M123M Khrizantema-VM foi desenvolvido pela KBM Company de Kolomna. Até 8 desses ATGMs supersônicos lançados de contêineres podem ser transportados em 2 lançadores nas estações de armas externa das asas, 4 mísseis em cada lançador. O alcance máximo é de 10km, pode penetrar entre 1.100-1.200mm de blindagem homogênea apos derrotar a blindagem reativa. O sistema de guiamento é duplo, utiliza guiamento por laser e radar beam riding.

O guiamento por radar do 9M123M Khrizantema-VM é útil em condições de baixa visibilidade, quando a orientação por laser é ineficaz, mas requer a implantação de um radar de controle de tiro alojado em um pod sob a asa. O radar opera na faixa de frequência de 100-150GHz (comprimento de onda de 2-3mm). Detecta e rastreia alvos terrestres e, em seguida, mira automaticamente o Khrizantema-VM contra eles.

O Mi-28NM também pode usar a nova versão do ATGM Ataka, o 9M120-1 Ataka-VM (Ataka-1) com orientação por laser beam riding. Este míssil é muito mais acessível que o Khrizantema-VM e pode ser levado em dobro (16 mísseis), o alcance máxima de engajamento é de 6km e é capaz de perfurar 850mm de blindagem homogênea após derrotar a blindagem reativa.

No início de 2019, a mídia russa anunciou que o Mi-28NM seria armado com um novo míssil guiado izdeliye 305. Os poucos detalhes disponíveis indicam que o míssil possui navegação por satélite (Glonass) e um sensor imagem infravermelha (IIR); o sinal de vídeo do sensor IIR é transmitido ao helicóptero via datalink. Alegadamente, há também uma versão com orientação por radar de ondas milimétricas. O izdeliye 305 é fabricado pela KB Mashinostroyeniya em Kolomna, a mesma empresa que fabrica os mísseis Ataka e Khrizantema. O Mi-28NM poderá transportar até oito izdeliye 305 em quatro lançadores APU-305, cada um com dois mísseis.

O canal de TV Zvezda, afiliado ao Ministério da Defesa Russo, mostrou imagens do protótipo Mi-28NM “701” armado com o novo míssil LMUR (Lyogkaya Mnogofunktsionalnaya Upravlaemaya Raketa). A imagem do míssil estava embaçada, mas estava claro que era curto e volumoso, de diâmetro muito maior que os outros mísseis do Mi-28. É provável que o LMUR seja o izdeliye 305. O ministro da Defesa russo Sergey Shoygu disse em março de 2019 que o LMUR poderia atingir alvos a uma distância de 15km – outras fontes falam a até 25km.

Mi-28UBM será um Mi-28NM com comandos de voo duplos.

Mi-28NE “Modernizado” é uma versão intermediária entre o N e o NM que foi apresentada no verão de 2018 pela Rostvertol com dois helicópteros de demonstração – numerados 1707 e 1811. Esta versão não tem designação específica, mas é descrito como Mi-28NE “Modernizado”. O principal recurso é a introdução dos ATGMs Khrizantema-VM e Ataka-VM na plataforma padrão Mi-28N. Os helicópteros também apresentam o sistema de autoproteção integrado L370V28 Vitebsk (exportado como L370V28E Prezident-S28), motores VK-2500-01 aprimorados classificados em 2.400shp (os motores VK-2500-02 padrão são classificados em 2.200shp para decolagem) e novas pás do rotor principal de teste. Filtros de poeira de um novo design foram montados nas entradas de ar do motor do “1707”, bem como nos tanques de combustível à prova de explosão. Ele representa o capítulo mais recente da história do Mi-28.

*Ricardo N. Barbosa é Técnico do Seguro Social e 3º Sargento da Reserva não Remunerada da FAB. E-mail: rnbeear@hotmail.com

Um comentário sobre “Mi-28N Night Hunter, o “tanque de guerra” voador da Rússia

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