A ameaça Sukhoi Su-35S, o Flanqueador E+

Desenvolvido em cima da plataforma Su-27, o Su-35S representa o estado da arte da aviação de caça russa. Com uma centena de unidades encomendadas, o Su-35S será a primeira linha de defesa da Força Aeroespacial Russa por mais uma década, pelo menos até a efetiva entrada em operação do Su-57. 

Por: Ricardo N. Barbosa

História

O Sukhoi Su-35S, designado Flanker/Flanqueador E+, é versão mais avançada da família Flanker que teve origem no Su-27, esse último foi desenvolvido pela Sukhoi no início da década de 1980 a fim de conter a ameaça dos novos caças americanos de quarta geração como o F-14 Tomcat e F-15 Eagle. O Su-27 adotou uma fuselagem integral com motores espaçados, essa configuração proporciona o transporte de grandes quantidades de combustível internamente e excelente manobrabilidade.

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Su-27, base para o Su-35S, visualmente são muito similares.

O Su-35 originou-se da rivalidade entre as plantas de produção Irkutsk e Komsomolsk-on-Amur (KnAAZ – Komsomolsk on Amur Aircraft Plant) durante a década de 1990. As empresas de componentes da Sukhoi lutavam para sobreviver na ausência dos exorbitantes gastos de defesa da era soviética e voltaram-se para as exportações como forma de sustentar sua base industrial e financiar novos projetos de pesquisa e desenvolvimento. As lideranças da planta Komsomolsk-on-Amur decidiram que precisavam de um projeto para competir com o Su-30MKI da Irkutsk no mercado internacional de caças, o Ministério da Defesa Russo não desempenhou um papel ativo no desenvolvimento do Su-35.

O projeto Su-35, incialmente designado Su-35BM (“BM” de Bolshaya Modernisatsiya – Grande Modernização; o BM foi posteriormente abandonado) foi lançado no início dos anos 2000s como um programa de exportação, financiado apenas pela Sukhoi e seus parceiros; o primeiro modelo da aeronave foi apresentado pela primeira vez em Dubai em 2003. O primeiro Su-35-1, número 901, voo em 19 de fevereiro de 2008, seguido pelo 902 em 2 de outubro de 2008, o 903 foi destinado a testes estáticos e a terceira aeronave, 904, pegou fogo na pista em 26 de abril de 2009, antes do primeiro voo.

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Su-35BM ‘901’ foi o primeiro Su-35 a levantar voo.

Em agosto de 2009, a força aérea russa encomendou um lote inicial de 48 aeronaves Su-35S (“S” de serrynyy – produção) que foi a primeira variante do Su-35 a efetivamente entrar em produção seriada. Em 3 de maio de 2011, o Su-35S-1, a primeira aeronave configurada para a Força Aérea Russa (terceira a voar) realizou seu primeiro voo decolando da pista da fábrica de Komsomolsk-on-Amur. Os testes realizados se desdobraram devagar por causa de problemas relacionados a integração da aviônica. Só recentemente o Su-35S terminou a segunda etapa de seus ensaios conjuntos estaduais, o que significa que está de acordo com os requisitos da Força Aérea Russa, o documento referente foi assinado em 2017.

Em dezembro de 2015 a Rússia encomendou mais 50 aeronaves Su-35S, a entrega da ultima aeronave está prevista para 2020. Em 2015 a China fez uma encomenda de 24 unidades do Su-35SK (“K” de Kitay, China) por 2 bilhões de dólares com a entrega das primeiras unidades iniciando no final de 2016. Em 14 de fevereiro de 2018 a Indonésia encomendou 11 Su-35S por 1,14 bilhões de dólares, as primeiras unidades serão entregues a partir de outubro do mesmo ano. A estimativa de custos para cada unidade do Su-35S é de 50-60 milhões de dólares para a Rússia e 80 milhões nos contratos de exportação.

A aquisição do Su-35S pela China foi particularmente curiosa, já que esse país vem desenvolvendo uma família própria de aeronaves derivadas da família Flanker: J-11, J-15 e J-16. Especula-se que o interesse chinês residiria principalmente no motor AL-41F-1S com empuxo vetorado e desempenho superior ao WS-10 chinês.

Função

O Su-35S é um caça multifunção pesado de longo alcance, o mesmo deveria servir ao lado das variantes Su-30 como um complemento low-end do caça russo de quinta geração Su-57, mas devido aos atrasos no desenvolvimento desse último e a escala de produção do mesmo reduzida a 12 unidades até 2020/22 o Su-35S permanecerá como o caça hight-end da Rússia pelo menos até o meio da próxima década.

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Sukhoi Su-35S Flanker E+

A fabricante classifica o Su-35S como um caça multifunção 4++ em uma tentativa de promovê-lo como uma aeronave tecnologicamente próxima aos novas caças de quinta geração. Essa classificação apresenta-se exagerada tendo em vista a ausência de uma aviônica característica de quinta geração, como um radar AESA ou um sistema IRST de última geração, ambos presente, pelo menos para exportação, em caças de quarta geração avançados como Rafale, Typhoon e Gripen NG.

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Caça multifunção pesado de quarta geração avançado.

A própria classificação 4++, independente da aeronave, já é questionável, mas seu emprego obriga a utilização de uma aviônica no mais elevado estado da arte, um radar AESA e um IRST de ultima geração são imprescindíveis.

Apesar de ser um caça multifunção, o Su-35S deve atuar na VKS (Força Aeroespacial Russa) principalmente como uma aeronave de superioridade aérea, ficando o ataque tático a cargo do Su-30 e Su-34.

Fuselagem

O Su-35S é externamente muito similar ao Su-27, mas com “barbatanas”  inferiores e ferrão de cauda mais curtos, os lemes são mais largos e foram adicionados mais dois hardpoints de armas, um em cada asa, totalizando 12. O grande freio aerodinâmico na coluna foi retirado, em vez disso a frenagem é efetuada por deflexão diferencial dos lemes.

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O Su-35S utiliza os lemes como freio aerodinâmico.

Com o uso generalizado de ligas de titânio, a estrutura da aeronave foi reforçada, a vida útil da célula é de 6.000h de voo ou 30 anos, o que ocorrer primeiro, ante as 2.000h ou 20 anos do Su-27. A célula do Su-35S com seu ciclo de vida mais elevado representou um grande salto na indústria aeroespacial russa que aproximou-se do padrão ocidental, mas nesse quesito o Su-35S ainda é superado por aeronaves como F-16, F-22 e F-35 que possuem vida útil de até 8.000h de voo.

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Dois hardpoints foram adicionados as asas no Su-35S.

O extenso uso de novos materiais compostos na estrutura do Su-35S, como a fibra de carbono nos profundores (lemes horizontais), diminuíram seu peso em 10% em relação ao que seria originalmente alcançado, totalizando 19.000kg vazio. A capacidade de combustível interno foi ampliada em 22% em relação ao Su-27, totalizando 11.500kg. A estrutura do Su-35S foi reforçado tendo em vista o aumento do peso de decolagem e pouso em relação ao Su-27, pelo mesmo motivo o trem de pouso dianteiro passou a possuir duas rodas.

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O Su-35S possui profundores em fibra de carbono.

Outra diferença visível entre o Su-27 e o Su-35S é a presença de uma Unidade de Potência Auxiliar TA14-130-35 nesse último, a entrada de ar da mesma é visível entre as “barbatanas” inferiores. Essa unidade permite ao Su-35S dar partida em seus motores sem o auxilio de uma unidade externa, além de manter os principais sistemas funcionando em caso de falha em algum dos motores. A aeronave também recebeu uma unidade de geração de oxigênio KS-129 ausente no Su-27. A geração autônoma de oxigênio dispensa os cilindros de oxigênio que devem ser recarregados antes do voo no Su-27. Tanto a partida e a geração de oxigênio autônomas fornecem uma maior flexibilidade operacional ao Su-35S.

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Entrada de ar para a UPA ao lado de um hardpoint central.

Graças ao uso de material absorvente de radar (RAM) a assinatura radar (RCS – Radar Cross Section) do Su-35S passou a ser reivindicada como sendo até seis vezes menor do que a do Su-27, algo entre 1-3m², ante os 10-15m² do Su-27.

A face do motor (fan e compressor) e as paredes das entradas de ar foram cobertas com RAM magnético. Nas partes quentes do motor no aspecto traseiro foi aplicado RAM cerâmico resistente ao calor. O canopy foi tratado com material electrocondutor que atua ocultando a grande reflexão dos componentes metálicos no cockpit. O radome recebeu cobertura seletiva que altera a condutividade e torna o mesmo transparente somente à banda de atuação do seu próprio radar.

A Sukhoi diz que a redução do RCS é otimizada na banda-X e apenas no aspecto frontal. O menor RCS do Su-35S em relação ao Su-27 é capaz de diminuir em até 40% o alcance de detecção do radar adversário, ou seja, enquanto o Su-27 hipoteticamente é detectado a 200km por um radar de controle de fogo o Su-35S será detectado a aproximadamente 120km pelo mesmo radar. 

Apesar do menor RCS o Su-35S não é um caça furtivo, sua assinatura radar está ligeiramente acima de modelos como F/A-18E/F e Rafale que possuem RCS estimado entre 0,1-1m² e muito acima dos caças de quinta geração americanos com RCS na casa dos 0,0001m². 

Motor

A aeronave é alimentada por dois motores turbofans Saturn AL-41F-1S (Izdeliye 117S) com empuxo vetorado, cada motor produz 86,3kN (19.401lb) de empuxo a seco, 137,3kN (30.865lb) em pós-combustão e 142,2kN (31.967lb) em emergência.

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Motor AL-41F-1S (izdeliye 117S).

A estrutura mais robusta desse motor proporciona um vida útil de 4.000h com tempo entre revisões gerais de 1.500h. Comparativamente o motores AL-31FP utilizado pelo Su-30MKI indiano possui vida útil de 2.000h e 1.000h entre as revisões gerais. Com a célula da aeronave chegando a uma vida útil de 6.000h, é necessária apenas uma troca de motor durante todo o periodo operacional da mesma.

Obs: Os bocais móveis do Su-35S são do tipo 3D fixo, não podem movimentar-se livremente em todos os eixos. O mesmo faz uso de um “empuxo vetorado 2D inclinado”. 

O Su-35S tem controle de voo e propulsão totalmente integrados, com motores equipados com bocais móveis (TVC) que deslocam-se em um eixo inclinado em 32°, no sentido horário no motor direito e no sentido anti-horário no motor esquerdo, resultando em um deslocamento de 15° para cima ou para baixo e de 8° para cada lado da aeronave. Essa inovação no design dos motores gera forças de controle verticais e laterais a partir do empuxo vetorado por deflexão diferencial dos bocais. Essa configuração é chamada de vetoramento 3D fixo, o bocal não possui um movimento totalmente livre, mas um deslocamento em um eixo inclinado que produz forças verticais e laterais.

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Bocais com deflexão diferencial 3D fixo em um Su-30.

O empuxo diferencial do motor é automaticamente controlado pelo sistema fly-by-wire (FBW) digital de redundância quádrupla KSU-35, sem nenhum comando do piloto, permitindo que o Su-35S permaneça totalmente controlável em qualquer ângulo de ataque e a uma velocidade aerodinâmica extremamente baixa ou mesmo zero, quando as superfícies de controle aerodinâmico são totalmente ineficazes, perfil de voo conhecido como supermanobrabilidade.

A supermanobrabilidade é um características relativamente comum em aeronaves russas, mas que está envolvida em questionamentos. Os defensores da mesma argumentam que ela aumenta o envelope de engajamento no combate aéreo aproximado (dogfight). Os destratores apontam que em uma doutrina de conservação de energia (velocidade e/ou altitude) é irrelevante o controle da aeronave em baixas velocidades já que esse perfil de voo deve ser evitado em um combate multi-aeronaves.

Ao contrário da crendice popular, manobras como a Cobra de Pugachev, que levam a aeronave a um elevado ângulo de ataque e perda acentuada de velocidade, não possuem ganho tático real, as mesmas tornam o Su-35S um oportuno alvo lento, mísseis “adoram” alvos lentos. Esse tipo de manobra serve para apresentar o potencial da aeronave em termos de ângulo de ataque e curva instantânea em manobras básicas de combate. Resumindo: A Cobra de Pugachev é uma manobra para demonstração de potencialidades e não uma manobra básica de combate.

Obs: A manobra Cobra de Pugachev não possui valor tático real em um dogfight.

A supermanobrabilidade pode ser classificada como um luxo bem vindo que amplia o envelope de engajamento, mas que deve ser utilizada com parcimônia para não tornar a aeronave um alvo fácil ao sangrar energia excessivamente. A supermanobrabilidade é uma caraterística que deve ser respeitada, mas que, sozinha, não é capaz de garantir a vitória em um dogfight. A maioria dos dogfights foram vencidos por quem detinha a melhor consciência situacional e consequentemente entrou melhor posicionado no combate, muitos alvos foram abatidos sem se quer terem a oportunidade de manobrar defensivamente.

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O TVC permite o controle absoluto do Su-35S em voo.

O AL-41F-1S dá ao Su-35S uma excelente relação empuxo/peso (1,14 com 50% do combustível interno e 4 mísseis ar-ar), o que se traduz em uma elevada aceleração e grande manobrabilidade. Nesse quesito – relação empuxo/peso – só é superado, hoje, de forma significativa em configuração similar, pelo F-22 e Typhoon que apresentam uma relação entre 1,2-1,3. Quanto mais energética é a aeronave, mais ela conserva e recupera energia.

Independentemente do valor tático das manobras realizadas pelo Su-35S em shows aéreos, o mesmo é uma das maiores referências no que tange a manobrabilidade. O título de melhor caça no dogfight só não lhe cabe porque aeronaves de combate não possuem desempenho cinemático linear, aeronaves como F-22 e Typhoon ainda podem equiparar-se ou em certas condições até superar o Su-35S no dogfight. Além disso, a mira montada do capacete e os mísseis de quinta geração nivelaram as aeronaves na arena visual. No fim do dia, um dogfight entre esses três participantes será resolvido pelo homem dentro do cockpit.

De acordo com o principal piloto de testes da Sukhoi, Sergey Bogdan, os testes de voo demonstraram que o Su-35S é capaz de supercruizar – sustentar velocidades supersônicas sem pós-combustão – ultrapassando Mach 1,1 em potência militar, desde que em certa condições de altitude e com baixa quantidade de combustível. Porém, essa capacidade de supercruise do Su-35S não é comparável  ao padrão alcançado pelo F-22 Raptor e seus Mach 1,7.

A capacidade de supercruise do Su-35S  é equivalente ao padrão alcançado por caças de quarta geração avançados como Typhoon, Rafale e pelo F-35 de quinta geração. O Typhoon possui ligeira vantagem em relação aos demais, todos chegam a pouco mais de Mach 1 em certas condições favoráveis, mas com utilidade duvidosa em situações reais de combate. Na prática, com um supercruise lento, o piloto tende a manter-se abaixo de Mach 1 nessas aeronaves para economizar combustível, utilizando a pós-combustão quando for necessário ganhar energia (velocidade/altitude) rapidamente.

Cockpit

O cockpit do Su-35S apresenta um visor holográfico monocromático na altura da cabeça (HUD; head-up display) IKSh-1M com campo de visão 20° x 30° e com uma unidade de controle e exibição integrada.

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O painel de instrumentos do Su-35S é um conjunto no estado da arte capaz de entregar uma elevada consciência situacional, o mesmo é dominado por dois grandes display multifuncionais MFI-35 de LCD posicionados lado-a-lado, cada um com 305mm x 230mm, 15 polegadas  na diagonal (380 mm) e 1400 x 1050 pixels de resolução, além de três displays menores.

O sistema de mira montada no capacete (HMS – Helmet Mounted Sight) russo NSTs-T-04, originário do Yak-130, substituiu o Sura-M fabricado na Ucrânia que originalmente estava integrado no Su-35S, mas que foi banido depois que a Ucrânia impôs um embargo à venda de armas para a Rússia em 2014.

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Sura-M que anteriormente equipava o Su-35S.

A Rússia foi uma das pioneiras na adoção da mira montada no capacete nos anos 80. Mas é notável que seus atuais modelos, apesar de cumprirem sua função primária de apontar o buscador do míssil, não representam mais o estado da arte quando comparados aos seus análogos ocidentais como o JHMCS II  que absorveram parte dos dados apresentados pelo HUD e tornaram-se displays montados no capacete (HMD – Helmet Mounted Display). Em contraponto, algumas modernas aeronaves como F-22 e Rafale ainda operam sem HMD/S.

Dimensões

21,9m de comprimento; 14,7m de envergadura sem os pods na ponta das asas e 15,3m com os pods; 5,9m de altura.

Peso

Peso máximo de 34.500kg; vazio de 19.000kg; 25.500kg com 50% de combustível e quatro mísseis ar-ar; 11.500kg de combustível e até 8.000kg de armamento. Importante observar que o Su-35S não pode operar com capacidade máxima de combustível e carga simultaneamente.

Performance

Velocidade máxima a 11.000m (36.089ft) de Mach 2,25 (2.754km/h) e de Mach 1,14 (1.400km/h) ao nível do mar. Aceleração (11.000m com 50% de combustível) 13,8s de 600 a 1.100km/h e 8s de 1.100 a 1.300km/h. O teto de serviço é de 18.000m (59.055ft). Alcance máximo de 3.600km voando a elevadas altitudes e 1.580km voando a Mach 0,7 ao nível do mar (raio de ação pode ser estipulado em torno de 45% do alcance máximo). Carga máxima em manobras de 9g.

Sistema de controle de fogo

O Su-35S possui o mais poderoso radar de qualquer variante Flanker em serviço, o N135, o mesmo faz parte do sistema de radiolocalização Sh135 Irbis (para exportação: Irbis-E) que é formado pelo radar N135 e sistema de contramedidas eletrônicas Khibiny-M, mas convencionou-se chamar o N135 de Irbis ou Irbis-E.

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O N135 possui 900mm de diâmetro e 1772 elementos emissores operando na banda-X (8-12GHz).

Este radar é uma evolução do  N011M Bars do Su-30MKI, assim como seu predecessor ele está equipado com uma antena com matriz de varredura eletrônica passiva (PESA). O Irbis usa vários módulos em comum com o Bars, incluindo um sistema de sincronização, receptores de baixa e ultra-alta frequência, bem como o amplificador principal. Os sistemas de computação originais do Bars foram substituídos por unidades russas. Os computadores Solo-35.01 para processamento de sinal inicial e Solo-35.02 para controle radar e processamento de dados substituíram os RC1 e RC2 indianos utilizados no Bars.

Obs: O N135 é o radar mais poderoso da família Flanker, possui o maior alcance, mas não o mais poderoso a equipar uma aeronave de caça. Esse título provavelmente pertença hoje ao F-22 Raptor e seu radar APG-77.

O N135 pode detectar um alvo com assinatura radar (RCS) de 3m² – caça típico de 4ª geração armado – de frente a até 200km, ou 170km olhando para baixo contra a desordem de solo (look-down).

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Alcance de detecção do Irbis para uma busca em volume e sem a indicação prévia do alvo.

Em um campo de busca estreito limitado a apenas 100 graus² (20° x 5° ou equivalente) o alcance pode chegar a 350-400km para um alvo com RCS de 3m² em aproximação de frente, ou 150km pelo aspecto traseiro. Esse modo é utilizado quando o alvo tem sua localização aproximada indicada por outro sistema embarcado (RWR, IRST) ou por uma plataformas de apoio, como a aeronave alerta aéreo antecipado A-50U ou controle de solo. Sem a indicação prévia do alvo o piloto é propenso a usar um campo de busca mais amplo, de pelo menos 300 graus² (60° x 5° ou equivalente), e uma velocidade de varredura maior que diminuem pela metade o alcance do radar, mas fornecem uma melhor consciência situacional.

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Alcance de detecção do Irbis com a indicação prévia do alvo e campo de busca estreito.

O alcance de detecção do N135 Irbis é suficiente para garantir uma consciência situacional adequada contra qualquer aeronave de caça legado – que não seja da quinta geração. No melhor cenário, sem interferência eletrônica, aeronaves de quarta geração avançadas como F/A-18E/F e Typhoon serão acompanhadas antes de poderem engajar o Su-35S com seus mísseis ar-ar, diminuindo assim as chances desse último ser surpreendido. Porém, o mesmo não pode ser dito contra as aeronaves furtivas americanas (F-35, F-22) e seu baixo RCS – na ordem dos 0,0001m², neste caso, são grandes as chances do Su-35S ser sobrepujado fora da arena visual pelo F-22 e não conseguir impedir que o F-35 opere incólume em sua função de ataque tático.

No modo ar-superfície o N135 Irbis traqueia 4 alvos, atacando 2 simultaneamente. Um navio de grandes dimensões como um navio aeródromo pode ser detectado a 350-400km, uma ponte a 150-200km, uma lancha a 100-120km e SAMs, blindados e tanques a 60-70km. O mesmo pode operar o modo avançado SAR (Radar de Abertura Sintética) que produz uma imagem do solo com resolução de até 3m, algumas fontes falam em 1m (quanto menor, melhor). Possui também o modo GMTI que capaz de detectar veículos de superfície que se movem lentamente. Combinando esses dois modos o Irbis pode localizar e identificar alvos de superfície.

Os modos SAR/GMTI são extremamente importantes para operações ar-solo, principalmente para localizar sistema SAMs (mísseis superfície-ar) que emitem de forma intermitente, não permitindo assim que sejam atacados por mísseis orientados por radar passivo ou que sejam geolocalizados de forma precisa. No caso do Su-35 e seu N135 Irbis, porém, a resolução de 1m mostra-se inadequada, os EUA apontam que é necessária uma resolução de pelo menos 0,3m para detectar e identificar veículos terrestres e de 0,1m para uma identificação automática. Para efeito de comparação, o radar de direcionamento mecânico (MSA) APG-68(V)9 do F-16C possui 0,6m de resolução no modo SAR; o AESA Zhuk-AE do Mig-35 possui 0,5m e o MSA Captor-M do Typhoon Tranch 2 possui 0,3m. O APG-81 do F-35, que possui modo SAR com reconhecimento automático (ATR – Automatic Target Recognition), possui menos de 0,1m de resolução.

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Mapeamento SAR realizado por um UAV. Resolução da esquerda para direita, de cima para baixo (1m – 0,3m – 0,1m).

A resolução de 1m do Irbis será suficiente apenas para um mapeamento capaz de localizar e identificar grandes estruturas e travar armas orientadas por GPS/GLONASS contra as mesmas. Relatórios da mídia controlada pelo estado russo informormaram que a Força Aérea estava “mais ou menos satisfeita com o Su-35S” e o seu desempenho na Síria. De fato, em sua implantação na Síria ficou atestada a deficiência do Su-35S e seu radar N135 Irbis em orientar com precisão as bombas guiadas.

Além de radares com melhor resolução, os caças ocidentais tradicionalmente fazem uso de modernos pods designadores de alvos para orientar suas armas de ataque ao solo. A falta de pods de designação é considerada uma fraqueza tradicional da Força Aérea Russa. Os russos estão desenvolvendo pods indígenas depois que os planos para desenvolvimento em conjunto com a França falharam. Existe um programa de desenvolvimento de pods de designação que começou antes mesmo da Síria, mas nenhum resultado prático foi alcançado por enquanto, os pods russos ainda estão sendo testadas e não está claro quando estarão operacionais. O modelo em desenvolvimento para o Su-35S é o KOEP-35.

Como um radar PESA, o Irbis possui uma elevada capacidade de contra-contramedidas eletrônicas (ECCM) – “capacidade de resistir à interferência eletrônica”. Segundo a NIIP, o N135 Irbis tem duas vezes a largura de banda do N011M Bars e melhor capacidade ECCM. Um radar PESA ainda é inferior aos novos radares AESA no que tange a ECCM, por isso não está claro se o N135 poderá atuar impune em um ambiente de guerra eletrônica (EW) pesada imposta pelos caças de quarta e quinta geração equipados com radares AESA e/ou sistemas jammers avançados.

O Irbis possui uma antena articulada que fornece um limite de busca de ±125° em azimute e ±60° em elevação, pode rastrear 30 alvos aéreos e atacar 8 simultaneamente com mísseis além do alcance visual (BVR) guiados por radar ativo, ou 2 simultaneamente com mísseis BVR  guiados por radar semi-ativo (requer iluminação continua do alvo). O Irbis é desenvolvido pelo instituto Tikhomirov NIIP.

Opcionalmente especula-se que o Su-35S pode ou poderá ser equipado com um radar AESA originalmente desenvolvido para o Su-57 e que trabalha na banda-L, o N036L-1-01 é formado por duas matrizes, cada uma é instalada no seu respectivo bordo de ataque das asas. A expectativa é que ele possa atuar como um poderoso interrogador IFF a fim de realizar a identificação amigo-inimigo a longas distâncias ou que possa atuar contra aeronaves de caça furtivas que normalmente são especializadas em derrotar as bandas C, X e Ku.

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O N036L-1-01 tem uma abertura menor e provavelmente menos energia do que os radares montados no “nariz”, mas as vantagens da banda-L podem ser suficientes para detectar um caça furtivo mais distantes do que o radar principal.

Obs: ON036L-1-01 pode até detectar uma aeronave, mas não pode direcionar um míssil contra a mesma.

A Sukhoi não reivindica que o Su-35S possa engajar alvos com o N036L-1-01, estando restrito na altura à espessura da asa, o sistema tem uma baixa precisão em elevação em virtude do feixe de onda em forma de leque que fornece um recurso de pesquisa 2D, ou seja, é incapaz de determinar a altitude do alvo.

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O radar AESA N036L-1-01 produz um feixe de onda em forma de leque incapaz de determinar a elevação do alvo.

O N036L-1-01 do Su-35 e Su-57 terá função de busca e aquisição, cabendo ao mesmo “chamar” o radar principal que atua na banda-X para apresentar uma solução de tiro. Na prática, o mesmo deverá atuar no aumento da consciência situação contra aeronaves furtivas em uma faixa inferior a 40km, delimitando o campo de busca para o N135 Irbis caso algum alvo seja previamente detectado, lembrar que a indicação aproximada do alvo permitir dobrar o alcance de detecção do Irbis.

É importante observar que ainda não foi possível confirmar o uso do N036L-1-01 por parte do Su-35S. Atualmente é apontada a existência de um interrogador amigo-inimigo IFF Type 4283 no mesmo local. Existe assim a possibilidade desse radar seguir no Su-35S o mesmo destino do suposto radar traseiro que nunca foi implementado.

Obs: Ao contrário do que é amplamente divulgado, o Su-35S não possui um radar traseiro localizado no ferrão. Neste local encontra-se o paraquedas de frenagem e parte dos sistemas de contramedidas eletrônicas.  

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Paraquedas de frenagem no ferrão de cauda do Su-35S.

O OLS-35 desenvolvido pela NPK SPP de Moscou (Scientific and Prodution Corporation Precision Instruments Systems) compreende um IRST de 2ª geração operando na banda média do infravermelho MWIR (3-5µm), uma câmera de TV e um laser buscador de distância e designador de alvo.

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O OLS-35 está ligeiramente à direita na frente do cokpit.

O IRST é um sensor térmico que pode detectar aeronaves pela seus emissões IR e delimitar o campo de busca do radar. O IRST do OLS-35 pode rastrear até quatro alvos simultaneamente em um limite de busca de ±90° em azimute e -15/+60° em elevação. O alcance de detecção contra um Su-30 visto pela retaguarda é de 90km e 35km de frente, mas esse alcance ocorre em condições ideais de tempo (IRSTs são fortemente afetado pelas condições atmosféricas) e em um campo de visão estreito, na prática, essa escala pode ser consideravelmente menor do que a faixa máxima divulgada.

Apesar de ainda ser bastante funcional, o OLS-35 não representa mais o estado da arte nesse tipo de tecnologia. Sensores ópticos como o PIRATE do Typhoon ou o EOTS do F-35 entregam uma capacidade consideravelmente superior.

Obs: O OLS-35, assim como o radar banda-L, a princípio não pode  sozinho direcionar um míssil contra um  alvo. 

Como todo sensor passivo, o IRST do OLS-35 só pode determinar o azimute e elevação do alvo, falta a distância para uma solução de tiro adequada para os mísseis, a distância pode ser determinada pelo radar ou laser, esse ultimo com um alcance limitado a 20km, ou seja, se o OLS-35 detectar  um F-35 a 25km, o mesmo não poderá direcionar um míssil, será necessário “chamar” o radar para fornecer a telemetria adequada para o lançamento. Na prática, assim como o radar banda-L, o OLS-35 é um reforço para a consciência situacional a média e curtas distâncias e um sensor para direcionar o radar para um campo de busca mais reduzido a fim de localizar alvos furtivos a maiores distâncias.

Uma ultima alternativa ao Su-35S caso o radar principal não consiga detectar o contato furtivo indicado pelo OLS-35 é a triangulação do mesmo com a ajuda de outros Su-35S da esquadrilha ligados via datalink. A triangulação consegue determinar com boa exatidão a posição do alvo, mas é necessário que mais de uma aeronave esteja rastreando o mesmo alvo através do OLS-35.

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Triangulação entre diferentes aeronaves.

Tanto o OLS-35 quanto o radar banda-L irão atuar em uma faixa de detecção de no máximo 40km, contra um alvo de frente, na tentativa de evitar que caças furtivos possam realizar o lançamento de seus mísseis BVR já dentro das suas respectivas zonas sem escapatória (NEZ),  ∼35km para o AIM-120C-7, ∼45km para o AIM-120D e ∼60km para o Meteor. NEZ é a zona teórica em que mesmo dando meia volta o alvo ainda será alcançado pelo míssil em perseguição. Ou seja, via de regra, como o Su-35S não tem como evitar que caças furtivos ataquem primeiro, resta ao Flanker E+ auxiliado pelo OLS-35 e N036L-1-01 tentar evitar que o mesmo ocorra dentro do NEZ dos mísseis BVR agressores.

Recursos de Autoproteção

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O Su-35S possui um conjunto robusto de contramedidas projetadas para atuar em todo o espectro eletromagnético. Esse conjunto é formado pelo sistema interferente (jammer) L265M10 Khibiny-M; Receptor de Alerta Radar (RWR) L150-35; Sistema de Alerta de Aproximação de Mísseis (MAWS); Sistema de Alerta Laser (LWS) e despistadores descartáveis chaffs/flares UV-50.

Proteção além do alcance visual (BVR)

O RWR utilizado pelo Su-35S é o sistema L150-35 Pastel desenvolvido pela TKBA (Tsentralnoye Konstruktorskoye Byuro Avtomatiki / Central Design Bureau of Automatics), este atua na detecção e análise das emissões de radiofrequência, identificando a fonte com base em uma biblioteca de ameaças e apontando sua direção para o piloto. Se uma emissão desconhecida for detectada, o sistema pode armazenar a mesma para análise posterior, funcionando assim como um sistema ELINT.

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Antenas espirais do sistema RHAWS do Su-35S.

O L150-35 Pastel também é comumente classificado como um sistema RHAWS (Radar Homing and Warning System – Sistema de Alerta e Orientação por Radar), graças a sua capacidade de designar alvos para mísseis antirradiação como o Kh-31P e R-27P/EP. Porém, como trata-se de um sensor passivo, o RWR não pode designar alvos para outros tipos de mísseis, já que é incapaz de determinar com exatidão a distância e velocidade da fonte emissora, mas o mesmo pode delimitar um campo de busca para o radar, dobrando seu alcance de detecção em uma varredura concentrada na região previamente apontada.

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O L150-35 do Su-35S opera também na banda Ka.

A versão L150-35 usada pelo Su-35S, comparada com outros sistemas L150, possui outros receptores trabalhando na banda milimétrica, assim sua faixa de frequência abrange um espectro que varias de 1,2 a 40GHz (8mm a 25cm de comprimento de onda), enquanto a faixa típica coberta pelo L150 é de 1,2 a 18GHz.

A suíte interferente de autoproteção L265M10-01 (ou 02 para exportação) Khibiny-M é uma versão modernizada do jammer Khibiny L175VE instalado no Su-34, a nova versão é formada por uma seção de reconhecimento de ameaças instalado em um pod na ponta da asa direita, outra de contramedida ativa (jammer) na asa esquerda (enquanto a primeira detecta e analisa os sinais, a segunda interfere nos mesmos) e um sistema de processamento de dados na fuselagem, atrás do cockpit. A massa total desse sistema é de 450kg, dos quais 410kg são dos pods instalados nas pontas das asas e 40kg do subsistema de controle.

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Pod L265M10-02 Khibiny-M exportado para a PLAAF.

Obs: Aeronaves de caça tradicionalmente usam técnicas jammer para autoproteção e de forma defensiva, ou seja, o objetivo é quebrar o bloqueio de um radar que já está travado na aeronave e pronto para orientar um míssil ou já fazendo-o.

Segundo Piotr Butowski em seu livro Russia’S Warplanes Volume 1, os componentes do sistema Khibiny-M possuem uma parte instalada ao longo da fuselagem do Su-35S que  cobre as bandas H a J (frequências de 6 a 20G Hz) utilizadas nos radares de controle de fogo de sistemas SAMs, caças e mísseis. Os pods opcionais na ponta das asas cobrem 90° em azimute e elevação no aspecto frontal e traseiro, ou seja, cobrem 180° dos 360° em volta da aeronave; operam  nas bandas E a G (frequências de 2 a 6GHz) dos radares de alerta antecipado, busca e aquisição utilizados pela defesa aérea em solo  ou aeronaves AEW&C.

A implantação de parte da suíte de EW Khibinu-M – bandas H a J – diretamente na fuselagem do Su-35S desobriga a necessidade do pod na ponta das asas para a atuação contra radares de controle de fogo normalmente utilizados em aeronaves de caça, SAMs e seus respectivos mísseis. Esse sistema embutido é uma inovação na família Flanker que sempre dependeu de pods para a função jammer.

O Khibiny-M provavelmente está interligado ao RWR L150-35 para permitir várias técnicas comuns de guerra eletrônica (EW) como interferência por ruído e interferência enganosa. A base para todos os sistemas de contramedidas é fazer o sinal de interferência exceder a retorno da fuselagem da aeronave na perspectiva do radar adversário.

Interferência por ruído – Esta modalidade de ECM irá detectar a banda de atuação do sinal radar alvo  e gerar um ruído aleatório a fim de cobrir o sinal de retorno com um ruído de fundo, essa técnica necessita uma menor análise do sinal, porém uma maior potência para cobrir uma banda larga em que o radar alvo provavelmente estará atuando. Quanto mais o sistema conseguir determinar os parâmetros do sinal a ser bloqueado mais ele pode concentrar o ruído em uma banda estreita e aumentar o poder de bloqueio. A desvantagem desse modo é que o míssil  sabe que está sendo jammeado e pode ativar o modo HOJ (Home-On-Jam) em que passar a seguir a origem do sinal interferente

Interferência enganosa – Essa modalidade atua principalmente através de sistemas DRFM (Digital Radio Frequency Memory) que efetivamente memorizam um sinal de radar de entrada e o repetem de volta com informações falsas a cerca da localização da aeronave. O sinal repetido com as informações falsas deve ser mais forte do que o sinal original refletido pela fuselagem. A técnica DRFM será utilizada apenas quando a aeronave já foi detectada e está sendo rastreada. Uma importante vantagem desse modo é que ele é imune a capacidade HOJ do míssil, já que o mesmo irá  adquirir uma localização falsa da fonte emissora e não detectará que está sendo enganado. A técnica DRFM necessita de uma maior análise das emissões, porém de menor potência, já que sabe exatamente em que frequência deve atuar.

Os pods nas pontas das asas também indicam uma interferência enganosa através da técnica Olhos Cruzados, antenas relativamente distantes uma da outra emitem sinais fora de fase que ao chegarem simultaneamente na cabeça de busca do míssil darão uma posição angular falsa, essa técnica é indicada contra mísseis monopulsos como o AIM-120.

Neste momento o Khibiny-M  ainda é efetivo em sua luta contra os radares embarcados nos caças da OTAN, a maioria desses radares ainda operam com antenas de varredura mecânica menos resistente à interferência do que as antenas AESA. Nesse caso o Khibiny-M irá atuar na quebra do bloqueio do radar adversário, impedindo esse de conseguir os parâmetros exatos para o lançamento e orientação dos mísseis. Porém, a rápida adoção de radares AESA em aeronaves americanas e a possibilidade de disparar os novos mísseis com radar ativo sem travar no alvo antes do lançamento irá forçar o Khibiny-M a migrar para uma atuação antimíssil.

O Khibiny-M terá no decorrer do tempo um papel fundamental contra os mísseis BVR da OTAN em vez de atuar contra os radares dos caças. Atuando contra mísseis o tempo de respostar está reduzido a um intervalo de apenas 10-15s, mas será mais fácil quebrar o bloqueio do pequeno radar do míssil do que dos poderosos radares AESA dos caças da OTAN e suas modernas técnicas LPI (baixa probabilidade de interceptação).

Como Su-35S deve atuar principalmente na quebra do bloqueio dos mísseis após estes ativarem o próprio radar na fase terminal, o fator chave da eficácia do Su-35S contra os caças ocidentais será decorrente da capacidade do Khibiny-M em degradar a probabilidade de morte (PK) do AIM-120C/D e Meteor.

O AIM-120C/D possui um seeker terminal monopulso de banda-X e uma elevada capacidade de contra-contramedidas eletrônicas (ECCM), o mesmo tem um histórico com um PK de 46% contra aeronaves iraquiana e sérvias com baixa capacidade de contramedidas eletrônicas, mas a tecnologia de orientação e ECCM (capacidade de resistir à interferência) do míssil progrediram de forma significativa desde a década de 1990.

Existe um certo equívoco em subestimar a capacidade ECCM do AIM-120 ou apostar em um baixo PK. Os AIM-120 historicamente lançados estavam fora do NEZ (zona sem escapatória) e sofreram com a baixa energia na fase final do engajamento, foram vencidos principalmente pela cinemática  e não pela baixa capacidade ECCM, que para o bem ou para o mal se quer foi posta à prova em combate. O seeker com radar monopulso do AIM-120 é historicamente mais resistente a jammer do que modelos com radares Pulso Doopler.

A última versão do AIM-120 possui quase 3 vezes mais alcance que a primeira e um NEZ pelo menos duas vezes maior. Somando-se a isso tudo existe a capacidade stealth das aeronaves americanas, a mesma é capaz de entregar armas ainda mais próximas do alvo, ou seja, hoje, um F-22 ou F-35 possui versões do AIM-120 com pelo menos o dobro do alcance e lançados dentro ou próximo do NEZ, definitivamente o Su-35S não terá vida tão fácil pela frente.

O Meteor é um projeto europeu de um míssil ar-ar de longo alcance para equipar o Eurofighter, Gripen e Rafale, futuramente será integrado ao F-35. O mesmo teoricamente possui um alcance superior ao AIM-120D e um seeker atuando na banda-Ku.

O Meteor possui a melhor cinemática dos mísseis BVR. Os requisitos do programas visavam um míssil com NEZ 3 vezes maior que as primeiras versões do AIM-120. Assim como o AIM-120, o Meteor não deve ter seu PK subestimado com base no histórico de mísseis BVR muito menos capazes.

Proteção dentro do alcance visual (WVR)

A suíte de alerta de aproximação de mísseis (MAWS) inclui 6 sensores ultravioletas da NPK SSP instalados na parte frontal da fuselagem e cobrindo 360° ao redor da aeronave. A varredura consegue detectar o lançamento de um míssil portátil (MANPADS) a 10km, mísseis ar-ar a 30km e grandes mísseis superfície-ar a 50km. O MAWS atuando no espectro UV possui como característica um menor número de alarmes falsos e menor alcance comparado a um sistema IR.

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Sensores MAWS e LWS do Su-35S.

Dois sensores de alerta laser (LWR) estão instalados nos lados da parte frontal da fuselagem, um de cada lado, eles podem detectar um laser buscador de distância rastreando a aeronave a 30km.

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Sensores MAWS e LWS ao longo da fuselagem.

O Su-35 possui seis conjuntos de despistadores descartáveis chaff/flare UV-50 com 14 rodadas cada. Inicialmente os 6 conjuntos estavam montadas na parte superior da fuselagem próximo ao ferrão de cauda, porém 2 conjuntos foram posteriormente deslocados para a parte inferior do ferrão de cauda.

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Os dois lançadores UV-50 deslocados para a base do ferrão.

Chaffs e Flares são dispositivos de contramedidas básicos, ambos são disparados com o intuito de enganar o seeker do míssil, são numerosos e baratos, mas que eventualmente ainda podem salvar a aeronave quando todas as demais contramedidas falharem.

Armamento

O Su-35 é capaz de empregar todas as armas de nova geração russas desde mísseis ar-ar até armas ar-superfície guiadas. Um máximo de 8.000kg em armamento pode ser transportado em 12 pontos. A carga padrão é composta por mísseis ar-ar R-27, R-77-1 e R-74M.

Os novos tipos de mísseis ar-ar que recentemente entraram em serviço na Rússia e podem ser operados pelo Su-35S são os mísseis de longo alcance R-37M,  alcance médio R-77-1 e mísseis de curto alcance R-74M. O mais interessante é o R-37M de longo alcance; os caças da família Su-27/Su-30 anteriores não usavam essa classe de armamento. O R-37M (para exportação: RVV-BD; Raketa Vozdukh-Vozdukh Bolshoy Dalnosti, míssil ar-ar de longo alcance) foi lançado pela primeira vez por um MiG-31 em 2011 e completou a aceitação estadual no início de 2014. Possui um alcance máximo de 200km (exportação) ou 300km (Rússia) e seu buscador pode supostamente bloquear em um alvo com RCS de 5m² a pelo menos 40km. O míssil pode atingir alvos manobrando a até 8g. O Su-35S pode transportar quatro R-37Ms, dois entre os motores e dois nos hardpoints internos das asas.

Obs: O míssil KS-172 (400km) considerado um míssil anti-AWACS ou “AWACS Killer” foi preterido em favor do mais compacto R-37M.

Entre as armas ar-superfície implementadas no Su-35S temos os novos mísseis anti-radar Kh-31PM e Kh-58USh; mísseis antinavio Kh-35U e Kh-59M2A; míssil ar-solo universal Kh-38M; e bombas guiadas de 250 kg (551lb), 500kg (1.102lb) e 1.500kg (3.307 lb). 

Cada Flanker pode ser equipado com até doze mísseis BVR e dois WVR, vários mísseis são disparados contra cada alvo para aumentar a probabilidade de morte (PK). Em uma configuração típica para missões ar-ar o Su-35S pode operar com 4 mísseis R-27ER/ET, 4 mísseis R-77-1, 2 mísseis R-74M e 2 pods Khibiny (10 mísseis no total) ou mais 2 R-74M no lugar dos pods (12 mísseis no total). Uma carga menos padrão seria composta também pelo míssil R-37M (não foi visto nenhum Su-35S operando com o mesmo até agora), ou por até 4 R-77-1 entre os motores de um total de até 12 R-77-1 ao longo da fuselagem.

Contra um inimigo de quarta geração uma salva de 3 mísseis por alvo proporciona ao Su-35S uma média de até 4 alvos engajados por saída, mas contra um caça de quinta geração é necessário uma salva de até 6 mísseis por alvo em virtude do RCS reduzido que diminui o PK dos mísseis, dessa forma o Su-35S poderá engajar em média apenas 2 alvos de quinta geração por saída.

Obs: Para um míssil BVR com PK de 50% ou 0,5 (AIM-120 e R-77) em determina condição, o lançamento de uma salva de dois mísseis por alvo eleva o PK do engajamento para 75%, ou seja, de 4 alvos engajados 3 serão destruídos. Uma salva de três eleva o PK para aproximadamente 88%. 

Em um ambiente de guerra eletrônica (EW), mísseis BVR como o AIM-120 ou R-77 provavelmente terão um PK menor do que 50%. Daí a doutrina BVR de lançar pelo menos dois mísseis contra um único alvo já que o PK contra o alvo aumenta à medida que o número de mísseis disparados aumenta. O Su-35S transportando grande quantidade de mísseis pretende aumentar o PK do engajamento lançado vários contra cada alvo.

Armamento Ar-Ar Padrão

R-27 (AA-10 Alamo)

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O R-27 é uma família de mísseis desenhada pela Vympel na década de 70 a fim de equipar os caças Mig-29 e Su-27. Por ter um projeto modular tornou-se a base de uma família de mísseis com vários tipos de sensores (semi-ativo, passivo e infravermelho) e vários tamanhos de propulsão (queima longa/queima curta).

O R-27R/RE é o míssil BVR mais numeroso no inventário da Força Aeroespacial Russa (VKS) e é equivalente ao americano AIM-7 Sparrow. O R-27R/RE utiliza orientação inercial na fase intermediária com atualização por rádio comando e um seeker SARH (guiamento semi-ativo) na fase terminal para localizar o alvo, não possui trajetória balística (loft) e nem capacidade “dispare e esqueça”, o alvo deve permanecer iluminado pelo Irbis durante todo o engajamento. O Irbis é capaz de iluminar até dois alvos distintos simultaneamente para mísseis SARH. A variante R-27R tem um alcance de 60km contra um alvo em aproximação, o R-27ER possui 95km de alcance contra o mesmo tipo de alvo. O Su-35S usa principalmente a variante ER com alcance estendido.

A série R-27T/ET é visualmente distinta de todas as outras variantes de R-27 como resultado de seu seeker IR na seção do nariz do míssil. Enquanto o R-27T/ET é tecnicamente um míssil BVR numa perspectiva do alcance máximo cinemática, em termos práticos é limitado ao âmbito do alcance visual (WVR). O Seeker IR do míssil deve ser travado no alvo antes do lançamento (LOBL), já que o R-27T/ET não apresentam orientação inercial e não podem receber atualizações intermediária por rádio comando. O R-27ET fornece maior desempenho na discriminação de contramedidas IR e tem um alcance máximo de aquisição de aproximadamente 15km contra um alvo de frente e 80km pela retaguarda. O Su-35S utiliza principalmente a variante ET com alcance estendido.

O R-27P/EP está entre os poucos mísseis ar-ar com orientação inercial e radar passivo. O míssil utiliza um seeker banda-X passivo para detectar alvos emitindo a uma distância  de até 200 km, no entanto, o míssil ainda é limitado pela duração da bateria e propelente. Assim, o alcance máximo contra alvos aproximando-se é de 110km na versão EP e 75km na P, e o alvo não deve manobrar a mais de 5,5g devido as limitações do sensor. O R-27P/EP é teoricamente capaz de fornecer recursos BVR sem alertar o Receptor de Alerta Radar (RWR) adversário. Esta variante possui como claro objetivo aeronaves de EW e AWACS que possuem forte emissão e baixa manobrabilidade.

O desempenho em combate do R-27 parece ter sido negativo até agora. No conflito entre a Eritréia e Etiópia em 1999/2000 foram disparados cerca de 24 mísseis com apenas um acerto. Um Su-27S atingiu um MiG-29 que passou dentro do raio letal do míssil, a aeronave foi danificada e caiu durante o pouso. Foram vários combates com vários disparos em salvas, o R-27 teve um PK menor do que o AIM-7E e AIM-7F utilizados no Vietnã, que tiveram um PK entre 8-10%. O R-27 ainda é largamente utilizado pela VKS, é comum imagens de aeronaves operando somente com o R-27 como míssil BVR, o mesmo ainda deve constituir a base da capacidade BVR russa pelos próximos 10 anos. Uma doutrina racional para o R-27 seria usar o mesmo para o primeiro disparo BVR quando o objetivo for forçar o adversário a adotar uma posição defensiva, com o engajamento sendo efetivamente concluído com o R-77 caso o mesmo persista no combate.

R-77-1 (AA-12 Adder)

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O mais avançado míssil BVR de médio alcance no inventário da VKS é o R-77-1, o mesmo é também conhecido como o RVV-SD ou Izdeliye 170-1 e é considerado um análogo ao AIM-120C-7. O R-77-1 é uma variante modernizada do R-77 original (Izdeliye 170) desenvolvido durante a década de 1980. Como resultado das dificuldades financeiras durante a década de 1990, a força aérea da Rússia não adotou o R-77. A VKS ordenou a compra de seu primeiro lote de mísseis R-77-1 em 2009, em conjunto com compra inicial  dos Su-35S, as entregas dos mísseis R-77-1 começaram em 2011. A VKS comprou dois lotes adicionais de mísseis R-77-1 em 2012 e 2015 que são esperados para entrega entre 2016 e 2017, o contrato de 2015 vale US $ 226 milhões que equivale aproximadamente a mais de 220 mísseis..

O R-77-1 é 17 centímetros mais longo e 15 kg mais pesado do que o R-77, totalizando 3,71m e 190kg. Em termos de desempenho, o R-77-1 tem um alcance de 110 km e incorpora o seeker 9B-1348-1 com radar ativo. O radar ativo permite o uso em qualquer tempo, qualquer aspecto e modo “dispare-e-esqueça” com grande capacidade de contra-contramedidas eletrônicas. O radar pode usar técnicas Home-on-Jam (HOJ) se sofrer interferência e ir em direção as emissões inimigas. Enquanto o Su-35S pode engajar no máximo 2 alvos simultaneamente com o R-27, com o R-77-1 esse número sobe para 8 alvos engajados simultaneamente. O R-77 padrão atingiu um Pk de 50% nos testes, mostrando assim um desempenho equivalente ao AIM-120. O R-77 nunca fez sua estreia em combate.

Alcance min (0,3km) max (110km); Altitude do alvo: 0,02-25km; Fator de carga do alvo: até 12g; Peso de lançamento e da ogiva: 190/22,5kg; Buscador: radar ativo; Fusível a laser; Dimensões: comprimento/ diâmetro/ envergadura/ treliça 3,71 x 0,2 x 0,42 x 0,68m.

R-74M (AA-11 Archer)

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O principal míssil WVR IR da VKS é o R-73 que cumpre um papel semelhante ao americano AIM-9 Sidewinder. O R-73 é um pouco maior que o AIM-9X, o R-73M2 tem um diâmetro de 170mm, um peso de lançamento de 110kg, uma ogiva de 8kg e 2,9metros de comprimento. Como o Sidewinder, a família de  mísseis R-73 contém mais de meia dúzia de variantes que variam em termos de tipo de seeker, fusível, capacidade off-boresight e motor foguete.

A próxima grande evolução no design do R-73 é o R-74M (RVV-MD) que possui um alcance de até 40km, capacidade para ±75° off-boresight, seeker IR dual-band com alcance estendido e melhor capacidade de contra-contramedidas eletrônicas. A última variante da R-73 é o R-74M2 que é análogo ao AIM-9X bloco II, essa versão ainda está em desenvolvimento. O R-74M2 apresenta um novo seeker IIR, datalink, novo motor foguete e capacidade de travar no alvo após o lançamento (LOAL) que permitir em teoria atuar contra alvos em um quadrante de 360°.

O R-73 provou ser um míssil WVR letal, um total de nove mísseis foram lançados no conflito entre a Eritréia e Etiópia em 1999/2000, resultando em cinco vitórias aéreas ou um PK de 55%.

Aliado ao capacete com mira e a excelente capacidade de curvas do Su-35S, o conjunto R-74/Su-35S está entre um dos mais letais na arena visual. Desta forma, qualquer oponente do lado ocidental deve evitar este tipo de confronto com o Su-35S, o resultado é bem menos previsível do que o engajamento BVR.

Alcance min (0,3km) max (40km); Altitude do alvo: 0,02-20km; Fator de carga do alvo: até 12g; Peso de lançamento e da ogiva: 106/8kg; Buscador: IR dual band; Fusível radar; Dimensões: comprimento/ diâmetro/ envergadura 2,92 x 0,17 x 0,51m.

Obs: O alcance balístico máximo divulgado não corresponde as condições reais de combate. O alcance de fato vai depender da altitude, velocidade e direção do alvo e da aeronave interceptadora. Por exemplo, o míssil R-27ER possui alcance máximo balístico divulgado de 95km, mas de fato será de 60km com o alvo e interceptador voando em aproximação a 900km/h, numa altitude de 10 mil metros; 30km com o alvo afastando-se.  A 5km de altitude nas mesmas condições o alcance é de 40km com o alvo em aproximação e 18km afastando-se. A 1km de altitude temos26km e 10km respectivamente. Dessa forma, o alcance realmente útil de um míssil é de aproximadamente 50% do alcance máximo balístico. As limitações do seeker também devem ser levadas em consideração. Por exemplo, o R-27T/ET só trava no alvo antes do lançamento, dessa forma o alcance será limitado ao alcance do seeker. A manobrabilidade do alvo e suas contramedidas eletrônicas como jammers diminuem ainda mais o alcance real do míssil – fatores que dizem respeito a todos os mísseis.

Primeira implantação

A Rússia enviou quatro Su-35Ss para a Síria no final de janeiro de 2016, uma vez que procurou fortalecer seus ativos de escolta após o abate de um Su-24 por um F-16 turco em novembro de 2015. A tripulações na Síria sofre uma rotação a fim de proporcionar experiência de combate a os esquadrões de Su-35S.

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Su-35S ’24’ Vermelho com marcações de alvos atacados.

Além dos mísseis ar-ar (MAA) R-27 e do R-73, os novos ‘Flankers’ foram vistos carregando o novo MAA de médio alcance R-77-1. Eles também foram vistos esporadicamente transportando bombas de 250kg, mas apesar das reivindicações russas de que os Su-35S usaram armas guiadas ar-solo, não surgiu nenhuma prova fotográfica. As aeronaves na Síria normalmente voam com pods de interferência Khibiny.

A implantação na Síria certamente permitiu que os pilotos do Su-35 operassem em ambientes de combate complexos, mas também serviu para divulgar o caça. De fato, a maioria das missões são na verdade atendidas pela geração anterior de aviões de ataque e helicópteros.

Desafiando a OTAN

O Su-35S é pelo menos equivalente à maioria dos caças ocidentais de quarta geração, ou até mesmo superior em relação ao modelos implantados nas décadas de 70 e 80, como F-15C/D e F-16C/D legados. O mesmo faz uso de um aviônica robusta que apesar de não representar o estado da arte ainda é suficiente para conter qualquer aeronave de caça legado (que não seja da quinta geração).

Birds of a feather ...
F-15C/D e F-16C/D legados foram superados pelo Su-35S.

Como a aviação de caça europeia ainda será composta principalmente por caças de quarta geração por pelo menos mais duas décadas, o Su-35S ainda possui um longo período de efetividade pela frente.

A única aeronave de caça voltada à superioridade aérea capaz de superar o Su-35S com consistência é o F-22 Raptor. Comparações com o F-35 são inicialmente fora de propósito, esse último possui como principal função o ataque tático. O objetivo primário do F-35 é evitar o Su-35S usando sua capacidade stealth para realizar ataques furtivos em profundidade sem ser molestado.

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Caberá ao Su-57 e a IADS russa conter a 5ª geração americana.

O “pequeno” número de F-22 na USAF, porém, tende a obrigar alguns esquadrões de F-35 a atuarem na função de superioridade aérea e a um enfrentamento contra o Su-35S. Nesse caso, o Su-35S ainda teria dificuldades em virtude da baixa observabilidade do F-35 que entrega uma vantagem considerável na arena BVR. Caberá ao futuro Su-57 e a IADS (Sistema de Defesa Aérea Integrado) russa conter a quinta geração americana e ao Su-35S a atuação contra a quarta geração avançada europeia.

Um Su-57 mais em conta

A maior diferença entre os Su-35S e Su-57 é a fuselagem, que no último é projetada para voo sustentado e manobras a velocidades supersônicas e transporte interno de armas para ajudar a manter uma assinatura radar (RCS) reduzida, nesse último caso, o RCS do Su-57 (0,1-1m²) é especulado como mais próximo do Su-35S (1-3m²) do que dos caças de quinta geração americanos (0,0001-0,001m²). Ambas as aeronaves são produzidas na mesma instalação de produção, com o mesmo ferramental, assim, os padrões de produção são semelhantes.

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Su-57 é otimizado para voo supersônico e baixo RCS.

Os motores de ambos os caças são virtualmente o mesmo. O novo motor Lyulka AL-41F1, uma versão completamente atualizada do AL-31F, foi adotado por ambos os caças. A único diferença é que o AL-41F1S (izdeliye 117S) do Su-35S tem seu próprio sistema de controle, enquanto o controle do AL-41F1 (117) no Su-57 vem através do sistema de controle de voo da aeronave. Apenas o Su-57 atualizado com motores de nova geração ‘izdeliye 30’ será significativamente melhor, e esse motor poderia facilmente ser importado para o Su-35S.

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Su-57 e Su-35S compartilham do mesmo motor.

Na verdade, o desenvolvimento do Su-35S correu ao lado do Su-57. A principal diferença em termos de aviônica de combate é o radar N036 com matriz de varredura eletrônica ativa (AESA). O Su-35S utiliza o N135 Irbis com matriz de varredura eletrônica passiva (PESA). O conjunto de armas de ambos os caças é praticamente o mesmo. Futuramente o Su-35S poderá adotar uma variante do N036.

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Radar N036-1-01 AESA com 1552 módulos T/R.

O atraso na produção seriada do Su-57 e a necessidade de manter a linha de montagem com pelo menos 10 caças por ano provavelmente levará a VKS a continuar contratando mais lotes do  Su-35S após a entrega da última unidade em 2020.

Assinando: Ricardo N. Barbosa



Fontes e Referência

– NIIP antena de banda L. http://www.niip.ru/catalog/far-s-eul/afar-l-diapazona/

– NIIP Irbis.  http://www.niip.ru/catalog/aviatsionnoe-naprvlenie/rlsu-irbis/

– Russia’s Warplanes Volume 1. Via Piotr Butowski.

– Su-35 Multifunctional Super-Maneuverable Fighter.  http://www.knaapo.ru/media/eng/about/production/military/su-35/su-35_buklet_eng.pdf



Rede Social

Facebook: https://www.facebook.com/tecnomilitar2/JHMCS

You Tube: Canal Arte da Guerra  https://www.youtube.com/channel/UCNlCllCWYAtU7TzBNKwaMHw

2 comentários sobre “A ameaça Sukhoi Su-35S, o Flanqueador E+

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