AGM-183A ARRW, o planador hipersônico da USAF

No início da próxima década, a USAF pretende colocar em operação seu primeiro planador hipersônico, tornando-se assim a primeira Força Aérea do mundo dotada de uma arma desta categoria.

Por: Ricardo N. Barbosa*

O AGM-183A Air-launched Rapid Response Weapon (ARRW) é um planador hipersônico (mais informações aqui) desenvolvido pela Lockheed Martin Corps. para ser lançado a partir dos bombardeiros pesados da Força Aérea Americana (USAF).

Ele foi desenvolvido como uma continuação do programa de redução de riscos Tactical Bosst Glide (TBG) da DARPA e voo pela primeira vez sob a asa de um B-52H Stratofortress em 12 de junho na Base da Força Aérea de Edwards, Califórnia (Figura 1). O teste coletou dados sobre os impactos de arrasto e vibração na própria arma e no equipamento de transporte externo da aeronave. 

A arma está sendo desenvolvida dentro de um esforço de prototipagem rápida, a revisão crítica do projeto ocorreu em 27 de fevereiro de 2020. O serviço espera o primeiro lançamento operacional da arma até o final de 2020 ou início de 2021 e a capacidade operacional antecipada até 2022.

Externamente o AGM-183A é similar a um míssil balístico lançado por via aérea (como o Kinzhal russo, lançado pelo MiG-31K), possui um corpo cilíndrico e aletas de direcionamento rebatíveis na seção traseira (Figura 2), mas o perfil de voo é completamente diferente de um míssil balístico. O “segredo” está internamente na seção frontal.

O AGM-183A é acelerado por um foguete de estágio único com 30 polegadas de diâmetro (76,2 cm), quando atinge grandes altitudes ele ejeta um planador hipersônico que está encapsulado na seção frontal (Figura 3 e 4), que então plana entre Mach 10 e Mach 15 (valor especulado) na atmosfera até atingir um alvo na superfície da terra a até 1.000km de distância (valor especulado).

O planador possui um formato de cunha com maior relação de sustentação e mais capacidade de manobra do que os planadores cônicos que foram amplamente testados pelos EUA nos últimos anos. Isso significa que trata-se de uma solução mais arriscado e desafiadora, porém mais capaz.

Uma característica ainda incerta é se o planador será dotado de uma ogiva convencional (não nuclear) ou irá destruir o alvo apenas com sua energia cinética, através de um impacto direto. A única certeza é que não trata-se de uma arma com ogiva nuclear, o que irá exigir grande precisão na orientação, mesmo contra alvos fixos.

O B-52H carrega o míssil sob sua asa no que parece ser um Improved Common Pylon (ICP) modificado. O comprimento total da arma parece sugerir que pode ser possível ao bombardeiro carregar dois AGM-183As sob cada asa (Figura 5). Para que essa configuração funcione, a arma teria que cair primeiro do bombardeiro, como uma bomba, antes que o foguete fosse acionado.

A USAF também manifestou interesse em um novo pilone Heavy Release Capability (HRC) para o B-52H, cada um capaz de transportar duas armas de 20.000 libras, o que também pode ser uma indicação de que o serviço está olhando para que este seja o pilone padrão para a carga completa de quatro AGM-183A no B-52H.

Além do B-52H, o Comando de Ataque Global da USAF também está planejando integrar o AGM-183A no bombardeiro pesado B-1B Lancer (Figura 6). O objetivo seria modificar pelo menos 1 esquadrão (18 aeronaves) para transportar o AGM-183A em estações de armas externas.

A previsão é que o B-1B receba 6 estações externas de armas (Figura 7), se cada estação puder transportar 1 míssil AGM-183A, o B-1B poderá ter uma carga máxima de até 6 mísseis, 50% mais do que o B-52H. Um bombardeiro B-1B com seis AGM-183A ofereceria uma impressionante capacidade de ataque.

Alem do B-52H e do B-1B, é possível inclusive, caso seja do interesse da USAF, a integração do ARRW na linha central do F-15E e do futuro F-15EX.

O obejtivo da USAF com o AGM-183A não é substituir seus mísseis de cruzeiro existentes, até porque seria economicamente inviável, mas complementa-los, empregando o planador hipersônico, por exemplo, contra alvos sensíveis ao tempo ou endurecidos. Trata-de uma arma de nicho.

*Ricardo N. Barbosa é Técnico do Seguro Social e 3º Sargento da Reserva não Remunerada da FAB. E-mail: rnbeear@hotmail.com

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