Bell AH-1Z Viper, o Cobra definitivo!

Com mais de 50 anos desde o primeiro voo em 1966, o Bell AH-1 Cobra evoluiu gradativamente do AH-1G Cobra até a última versão AH-1Z Viper, que permitirá ao USMC chegar até a década de 2030 com um dos helicópteros de ataque mais capazes do mundo.


Por: Ricardo N. Barbosa*


SUMÁRIO

1. Fabricante; 2. Função; 3. Tripulação e cockpit; 4. Estrutura, sistema de rotor e transmissão; 5. Grupo motopropulsor; 6. Dimensões; 7. Pesos; 8. Desempenho; 9. Sistema de controle de tiro; 10. Aviônica; 11. Recursos de autoproteção e blindagem; 12. Armamento; 13. História; 14. Produção e operadores; 15. Variantes; 16. Futuro.


1. Fabricante

Desenvolvido pela empresa americana Bell Helicopter Textron. A produção em série é realizada principalmente pela plantas da Bell em Fort Worth e Amarillo, Texas.

2. Função

Helicóptero de reconhecimento e ataque do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (United States Marine Corps – USMC). Projetado para operações a partir de navios anfíbios; deve realizar principalmente missões de escolta, reconhecimento armado e apoio aérea aproximado, mas sem abdicar da capacidade antiblindado.

3. Tripulação e cockpit

Os dois tripulantes estão sentados em tandem (um atrás do outro), com o piloto no cockpit frontal e o operador de sistema de armas (weapon systems operator – WSO) (também chamado de artilheiro) no cockpit traseiro. Este posicionamento dos tripulantes diverge dos demais helicópteros de ataque, que normalmente posicionam o piloto no cockpit traseiro e o artilheiro no cockpit frontal. No AH-1Z a posição foi trocada devido à visibilidade amplamente melhor do cockpit frontal.

Os dois cockpit são praticamente idênticos, não são isolados fisicamente e possuem controles de voo duplos, de modo que o WSO também pode pilotar o helicóptero em caso de necessidade. A posição do comando cíclico não é a convencional, pois está localizado na lateral direita do piloto (sidestick controller) – esta posição foi escolhida para maximizar o espaço no cockpit. Já o comando coletivo permanece na posição esquerda.

Cada cockpit é construído em torno de duas telas multifuncionais coloridas (Color Multifunction Displays – CMFD) de LCD com 8 x 6 polegadas (203 x 153mm) posicionadas lado a lado e utilizadas para interação com diversos sistemas do helicóptero – podendo apresentar informações de voo e navegação, comunicação, mapa digital, dados da estrutura da aeronave/motor, status das estações de armas, informações de direcionamento e etc. A exibição será organizada com base nos requisitos da missão.

Existe também  uma pequena tela colorida de LCD (chamada de tela de dupla função) com 4,2 x 4,2 polegadas (106 x 106mm) posicionada no centro do painel de instrumentos, logo abaixo das grandes telas multifuncionais. No caso improvável de uma falha total de sistemas e das telas maiores, a pequeno tela apresentará uma simbologia com situação vertical e horizontal para voo por instrumentos, bem como outras indicações de status.

A inserção de dados e controle dos sistemas podem ser feitos sem retirar as mãos dos comandos no cíclico e coletivo (Hands On Collective And Stick – HOCAS) ou pode ser utilizado um teclado de inserção de dados no centro do painel, logo abaixo da tela de dupla função.

Em ambas os cockpits também existe um dispositivo semelhante a um joystick de vídeo game, chamado de “mission grip” (controle de missão), utilizado para a seleção e disparo de armas (menos de foguetes não guiados e do canhão em modo fixo) bem como para o controle do sistema de aquisição de alvos (Target Sight System – TSS), a partir do qual realiza a mira do canhão e do míssil ar-ar AIM-9 e controla o telêmetro e designador laser para mira dos mísseis antitanque Hellfire.

Os dois tripulantes utilizam um moderno sistema de visor e mira montada no capacete (Helmet Mounted Sight Displays – HMSD) projetado pela francesa Thales.  O “Optimized Top Owl Version 2” (OTO V2) utiliza um pequeno visor monocular com 40° de campo de visão (Field Of View – FoV) compatível com óculos de visão noturna (Night Vision Goggles – NVG); projeta informações de forma a reduzir a carga de trabalho e a aumentar a consciência situacional.

Além dos principais parâmetros de voo, o OTO V2 ainda apresenta: ponto de visada do outro tripulante, quantidade de munição e simbologia suplementar para facilitar aproximações e o voo pairado em ambientes com baixa visibilidade.

4. Estrutura, sistema de rotor e transmissão

O AH-1Z foi desenvolvido dentro do programa de atualização H-1, que foi centrado do desenvolvimento do AH-1Z e do helicóptero utilitário UH-1Y com 85% de partes comuns; compartilham motor, rotores, toda seção de cauda, aviônicos, instrumentação do cockpit e software. A Bell estima que esse alto grau de semelhança economizará ao USMC aproximadamente 3 bilhões de dólares, assumindo uma vida útil de 30 anos para toda a frota H-1.

A estrutura do AH-1Z é modular e baseada no AH-1W, logo a estrutura da fuselagem não é fundamentalmente diferente da do modelo anterior e geralmente é revestida com alumínio, embora a quantidade de material compósito utilizado tenha aumentado. Apesar da maioria dos AH-1Z utilizarem células realmente novas, algumas são AH-1W remanufaturados, e no decurso do processo de conversão de aproximadamente 13 meses, no entanto, a estrutura retorna a zero horas de voo e, portanto, torna-se praticamente nova. Segundo Bell, a vida útil é de pelo menos 10.000 horas de voo.

Os  sistema de controle de voo continua mecânico com atuadores hidráulicos redundantes. Todos os comandos de voo das cabines de pilotagem possuem ligação mecânica direta com as superfícies de comando, mas sem uso de cabos de comando. O trem de pouso tipo esqui foi reforçado para suportar o aumento de peso. Os quatro tubos curvos do trem de pouso utilizados para absorção de energia agora são retangulares em vez de redondos e projetados para uma razão de descida de até 3,66m/s e, em casos extremos, até 4,48m/s.

Conforme previsto, o AH-1Z possui uma nova caixa de transmissão capaz de aceitar 2.625 shp dos motores para distribuição para o novo rotor principal, rotor de cauda e vários outros acessórios.

O novo rotor principal de quatro pás (diâmetro de 14,63m) sem rolamento e sem dobradiças, possui 75% menos peças do que o de sistemas articulados de quatro pás, além disso, as pás dobram semi-automaticamente para economizar espaço nos porta-helicópteros do USMC. As pás são feitas de material compósito, possuem vida útil de 10.000 horas e podem tolerar golpes de munição até calibre 23mm. Além do nível reduzido de ruído, o novo sistema produz muito menos vibração que o antigo rotor de duas pás do AH-1W e possibilita um melhor desempenho em relação à carga útil, velocidade e razão de subida, mas também um voo mais suave e uma plataforma de armas e sensores mais estável.

O rotor de cauda (diâmetro de 2,97m) consiste basicamente em dois rotores independentes de duas pás em um eixo e, portanto, parece ter também quatro pás. Como os primeiros AH-1, o rotor de cauda está novamente no lado esquerdo da fuselagem.

Em relação ao AH-1W, a capacidade de combustível interno do AH-1Z dobrou, foi aumentada em aproximadamente 757 litros (agora totaliza 1.561 litros), em parte pela instalação de tanques de combustível nas asas recém-projetadas. Além disso, até quatro tanques de combustível externos, cada um com uma capacidade de 292 litros (capacidade combinada de 1.168 litros), podem ser transportados nas quatro estações de armas universais sob as asas.

5. Grupo motopropulsor

Dois turboeixo T700-GE-401C desenvolvido e produzido pela americana General Eletric. O T700-GE-401C é uma  versão atualizada do motor T700-GE-401 (1.690 shp na decolagem) utilizado no AH-1W. O novo motor produz 8% mais de potência contínua e introduziu um novo controle de motor eletrônico com autoridade total (sigla em inglês FADEC) BARK-78 e uma nova seção de turbina. A potência em emergência (2,5 minutos), no caso de um dos motores falhar, é de 1.828 shp. A potência máxima (30 minutos ou na decolagem) é de 1.690 shp. A potência máxima contínua em voo de cruzeiro é de 1.546 shp.

6. Dimensões

Comprimento: 15,2m. Comprimento com o canhão estendido: 15,47m. Comprimento com rotor principal: 17,75m. Diâmetro do rotor principal: 14,63m. Diâmetros do rotor de cauda: 2,97m. Envergadura com o rotor principal rebatido: 4,6m. Altura: 4,37m.

7. Pesos

Vazio: 5.580kg. Máximo de combate: 8.390kg. Carga de armas: 1.260kg. Combustível interno: 1.258kg

8. Desempenho

Velocidade máxima em mergulho: 410km/h. Velocidade máxima (30 minutos): 370km/h. Velocidade máxima de cruzeiro: 290km/h. Velocidade de cruzeiro para longo alcance: 260km/h. Razão máxima de subida: 14,2m/s. Teto máximo operacional: 6.000m. Alcance (com combustível interno): 570km. Raio de combate (com 30 minutos na estação, 8 ATGMs, 14 foguetes e 650 tiros de canhão): 242km. Sobrecarga em manobras: -0,5/+2,5g.

9. Sistema de controle de tiro

O principal sistema de controle de tiro do AH-1Z é o moderno pacote eletro-óptico/infravermelho (EO/IR) AN/AAQ-30 Target Sight System (TSS), desenvolvido pela Lockheed Martin e apelidado de Hawkeye (olhos de águia). O TSS é utilizado para busca, designação e fixação de alvos, com capacidade de rastreamento multi-alvo. O pacote de sensores do TSS estão embalados em um torre giro-estabilizada no nariz do AH-1Z. A torre pode ser direcionada em até 120° para os lados, 45° para cima e 110° para baixo. O peso de todo o sistema é de 116kg (83kg da torre e 33kg da unidade de eletrônica). A torre possui 3 aberturas para sistemas de TV, FLIR e laser.

Até três alvos ativos podem ser rastreados simultaneamente e 10 armazenados. Quando um alvo ativo é destruído, um dos 10 armazenados é automaticamente atualizado para o status ativo, desde que esteja no campo de visão (Field of View – FoV) do sensor em uso no momento. Caso a linha de visão para um alvo em movimento seja momentaneamente bloqueada por algum obstáculo, como vegetação, relevo ou poeira, o sistema usa algoritmos para prever a posição futura e readquiri-lo quando a linha de visão for restabelecida. Em uma demonstração, o sistema foi capaz de readquirir um caminhão em movimento 10s depois de ter sido mascarado pela vegetação.

O sistema de TV em cores para operações diurnas utiliza um sensor eletro-óptico Sony DXC-950 e lentes Canon com zoom contínuo – campo de visão (FoV) entre 39° e 0,88°.

O FLIR para operações noturnas utiliza um sensor térmico de terceira geração – matriz de plano focal (Focal Plane Array – FPA) – com 640 x 512 elementos de InSb (antimoneto de índio) operando no infravermelho de ondas médias (Mid Wave Infrared – MWIR) e é capaz de formar imagens por infravermelho (IIR).

A lente do FLIR possui abertura de 21,7cm, distância focal de 150cm e 4 campos de visão (FoV) para zoom no alvo (3 óptico e um digital): FoV Amplo – 21,7 x 16,4°; FoV Médio – 4,4 x 3,3°; FoV Estreito – 0,88 x 0,66°; e FoV Muito Estreito – 0,59 x 0,44° no modo XR – uma técnica de processamento de imagem de alcance estendido (Extended Range – XR)  desenvolvida pela Lockheed Martin que aumenta o desempenho do alcance de reconhecimento e identificação de alvos pelo FLIR. Mesmo sem o recurso XR, o alcance de identificação de alvos do FLIR já excede o alcance máxima do míssil Hellfire (8km), o principal míssil ar-solo do AH-1Z. Isso proporciona à aeronave uma maior capacidade de controle e melhora muito a capacidade de sobrevivência.

Segundo a fabricante, o alcance de detecção, reconhecido e identificação de alvos pelo FLIR é 2 a 3 vezes maior do que os FLIRs de segunda geração encontrados no AH-64D Apache e AH-1W. O alcance é suficiente para, por exemplo, apontar o laser e, em teoria, fazer um míssil Hellfire passar pela janela de um edifício a 15km. Em um voo de demonstração com um piloto da Aviação do Exército Brasileiro foi possível designar um alvo a 25km, depois o piloto passou para um voo rente ao solo para “fugir das defesas” e a 8km do alvo o helicóptero alertou via HMSD que já poderia disparar os mísseis, então o piloto subiu de nível, o TSS readquiriu automaticamente o alvo e o piloto efetuou o “disparo”.

A abertura com sistema laser possui um emissor de feixe laser com proximadamente 25km de alcance e dupla função – pode atuar como telêmetro laser para medir a distância até o alvo e como designador laser para orientação de mísseis. Além disso, existe um rastreador de laser (laser spot tracker) utilizado para detectar e rastrear a iluminação de outra fonte de laser para sinalização e identificação de alvo e para facilitar o conceito conhecido como “laser amigo”, quando as armas de um helicóptero são guiadas pelo laser de outra fonte.

10. Aviônica

Sistema de navegação inercial com GPS integrado (CN-1689(V)2/ASN). Sistema TACAN AN/ARN-153. Localizador de direção DF-301E VHF/UHF. Sistema de rádio seguro (AN/ARC-120 VHF/UHF). Transponder IFF AN/APX-100 e etc. Todos as aviônicas são integradas por um barramento 1553 (Sistema de Aviônica Integrada – SAI). No coração da aviônica estão dois computadores, que controlam todos os aspectos de operação, desde indicadores de dados de voo até as armas (Computador de Controle de Missão). O piloto automático, que é designado Sistema de Controle de Voo Automático, permite que os pilotos deixem muitas manobras de voo para o helicóptero, por exemplo, pairando a uma certa altura.

11. Recursos de autoproteção e blindagem

O AH-1Z possui um pacote com sistemas de autoproteção relativamente completo e integrado; projetado para proteger o helicóptero contra artilharia antiaérea (AAA), mísseis terra-ar (SAM) mísseis ar-ar (AAM) e ameaças de interceptação aérea (AI). O pacote integrado de guerra eletrônica (Integrated Electronic Warfare Suite – IEWS) fornece rápida: informação de alerta multiespectral e capacidade de localização do quadrante da ameaça. Os dados são exibidos na página de guerra eletrônica da tela multifunção e no visor do capacete. O sistema também gera alertas sintéticos de voz e tons transmitidos para os fones de ouvido da tripulação.

Os sistemas que compõem o pacote IEWS são: sistema de alerta radar (Radar Warning System – RWS) AN/APR-39B(V)2, sistema de alerta laser/míssil (Missile/Laser Warning System – M/LWS) AN/AAR-47(V)2 e o sistema dispensador de contramedidas (Countermeasure Dispensing System – CMDS) AN/ALE-47. O sistema de alerta radar (RWS) e o sistema de alerta laser/míssil (M/LWS) operam como um sistema integrado e fornecem dados de ameaças ao sistema de aviônio integrado e ao sistema dispensador de contramedidas (CMDS).

O sistema de alerta radar AN/APR-39B(V)2 é um sistema passivo que alerta a tripulação sobre as emissões de radar em volta do helicóptero, identificando e apontando a direção do emissor. O sistema utiliza 4 antenas detectoras e um antena monopolar em forma de lâmina. Uma antena detectora é montada em cada lado do nariz do helicóptero e uma em cada lado do cone de cauda.

O sistema de alerta laser/míssil AN/AAR-47(V)2 alerta a tripulação sobre a aproximação de mísseis ou se algum laser está apontando para o helicóptero; dois sensores estão na fuselagem próxima ao nariz do helicóptero e dois no final da cauda, sempre um de cada lado do helicóptero. Ambos os sistemas são interligados e não apenas transmitem suas informações para a tripulação, mas também são capazes de iniciar automaticamente as contramedidas por meio dos laçadores de chaff/flare AN/ALE-47.

O sistema dispensador de contramedidas possui quatro dispensadores AN/ALE-47, um em cada lado da fuselagem na base da cauda e um em cada lado da fuselagem na altura do cockpit do operador de sistemas de armas. Os dispensadores podem ser operados manualmente, semi-automaticamente ou automaticamente. Cada um dos 4 dispensadores pode ser carregado com um mix de 30 chamarizes descartáveis (120 ao todo) – chamarizes de infravermelho (flare) M206 e/ou chamarizes de radar (chaff) RR-170A/AL.

O AH-1Z também possui uma assinatura infravermelha muito menor que seu antecessor AH-1W. O Viper foi inicialmente equipado com o mesmo sistema de supressão da assinatura de infravermelho HIRSS (Hover Infrared Suppression System) usado pelo AH-1W, mas a partir de 2004 foi instalado uma nova versão montado horizontalmente e girada 17° para fora. Essa medida simples e econômica reduziu a assinatura de IR na quantidade desejada, mas também mudou consideravelmente a aparência do AH-1Z. Os voos de teste revelaram que a perda de velocidade no ar era mínima e o manuseio não foi afetado negativamente.

Além da aviônica defensiva contra armas guiadas, o AH-1Z também possui suas partes vitais blindadas contra munições cinéticas, mas sabidamente em um nível abaixo do seu conterrâneo AH-64 Apache. As pás compostas do rotor principal podem suportar golpes de munição até calibre 23mm e os tanques internos de combustível são auto-vedantes e capazes de suportar até calibre 12,7mm. Partes como o compressor do motor, caixa de transmissão e comandos de voo também recebem proteção. Para a tripulação utiliza-se para-brisa, assentos e fuselagem lateral blindada, mas como na maiorias dos helicópteros de ataque, as janelas laterais provavelmente não oferecem qualquer proteção.

Portanto, o AH-1Z possui um um nível de proteção que tende a resistir a armas de mão com munição cinética não guiada (como fuzis), mas, assim como na maioria dos helicópteros de ataque, o disparo de uma metralhadora pesada pode ser fatal para o helicóptero e sua tripulação. A melhor defesa contra munições cinéticas continua sendo o ataque surpresa fora do alcance ou da linha de visão das armas de cano inimigas.

12. Armamento

As armas são transportadas em 6 pontos nas asas, 4 estações universais sob asas, com capacidade para até 308kg de armamento cada, e 2 trilhos de lançamento para mísseis ar-ar AIM-9M Sidewinder na ponta das asas. Além disso, existe um canhão M197 de 20mm com 750 cartuchos montado em uma torre de “queixo”.

O M197 é um canhão de 20mm com cano rotativo (3 canos), pesa 160kg, mede 1,826m de comprimento, tem uma velocidade de focinho de 1,03km/s e pode manter uma cadência de até 650 tiros/minuto, mas se exceder 450 tiros em menos de um minuto deve esperar 6 minutos de resfriamento para disparar novamente. Os alvos preferenciais são unidades de infantaria, estruturas fixas ou veículos sem blindagem ou com blindagem leve.

No AH-1Z, o M197 foi montado em uma torre móvel A/A49E-7(V4) no “queixo” do helicóptero e alimentado por uma carga de 750 cartuchos. O limite de rotação da torre é de 110º para ambos os lados da linha central (+/-110° de azimute). Já na vertical o limite de elevação é +8,92º na linha central, +14,53º a 40º de azimute e +5,98º a 110º de azimute; e o de depressão é de -50º.

A torre móvel pode ser sincronizada com o sistema de mira TSS ou com o HMSD no capacete dos tripulantes. Existem três modos de disparo: fixo, HMSD e TSS/Gun. No modo fixo a torre permanece parada a 0° de deslocamento lateral e elevação ajustável conforme a distância do alvo. No modo HMSD o movimento da torre é controlado pela linha de visão dos tripulantes com o capacete HMSD, normalmente o piloto no cockpit da frente. No modo TSS/Gun a mira é feita com base na linha de visão do TSS, normalmente controlado pelo operador de sistema de armas no cockpit traseiro. Na prática, normalmente o piloto usa o HMSD para apontar rapidamente o TSS para o alvo e então o operador de sistema de armas escraviza o canhão no TSS e realiza a mira fina e disparo.

O AH-1Z pode transportar até 16 mísseis multipropósito AGM-114R Hellfire II em lançadores quádruplos M299 nas estação universais de armas sob as asas, embora a carga mais comum no USMC seja a de 8 mísseis em dois lançadores M299. O Hellfire II é um moderno míssil com 49,4kg, velocidade máxima de Mach 1,3 e 8km de alcance. O sistema de orientação é por laser semi-ativo e a ogiva é do tipo multiuso com efeito selecionável conforme o alvo (alvos blindados, estruturas de concreto ou pessoal). Outras versões mais antigas como o AGM-114E ou AGM-114K também podem ser transportadas.

Outras armas comuns nas 4 estações de armas sob as asas são os lançadores de foguete LAU-61D/A e LAU-68C/A, com 19 e 7 foguetes não guiados de 70mm respetivamente (foguete Hydra 70). Já os lançadores LAU-61G/A e LAU-68F/A são ligeiramente maiores para acomodar foguetes guiados com kit APKWS II.

O APKWS II adiciona uma unidade de orientação por laser semi-ativo WGU-59/B aos foguetes Hydra 70. Um foguete guiado possui aproximadamente 1/3 do peso e 1/4 do custo de um míssil Hellfire II e é preciso o suficiente para, por exemplo, atingir alvos não blindados em movimento com uma salva mínima de tiro – mais alvos podem ser atingidos com menos foguetes.

O AH-1Z é o único helicóptero em produção equipado com o míssil ar-ar AIM-9M Sidewinder. Até dois mísseis podem ser transportados nos trilhos de lançamento LAU-7 na ponta das asas (1 em cada asa). O AIM-9M é um míssil ar-ar de combate aproximado all-aspect de terceira geração com cabeça de guiamento por infravermelho e alcance máximo de aproximadamente 10km. Os principais alvos são aeronaves voando baixo e lento, helicópteros inimigos e UAVs.

13. História

A história do AH-1 Cobra começou nos anos 60 quando o primeiro AH-1G Cobra de série, destinado ao Exército dos EUA (US Army), voo em 1967. Deste então, o tipo voo em diferentes versões, com o AH-1J Sea Cobra, no início dos anos 70, tornando-se a primeira versão a ser desenvolvida para o Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA (USMC). O AH-1J foi seguido no USMC pelo AH-1T Improved Sea Cobra ainda nos anos 70 e depois pelo AH-1W Super Cobra nos anos 80.

Ironicamente, foi a redução da força militar dos EUA resultante do final da Guerra Fria no início dos anos 90 que levou à disponibilização de recursos para mais uma versão do Bell AH-1 Cobra. Naquele momento, o AH-1 já tinha sido substituído pelo AH-64A Apache nas fileiras da US Amy e o AH-1W Super Cobra era a versão mais moderna do AH-1 em operação no USMC.

Depois que a modernização planejada da aviônica da frota AH-1W e o Programa da Aeronave de Observação e Ataque Marítimo (sucessor dos AH-1W e UH-1N) do Corpo de Fuzileiros Navais (USMC) foram cancelados, os fuzileiros foram inicialmente deixados de mãos vazias. Para diminuir o impacto até a introdução planejada de uma nova geração de helicópteros, em agosto de 1995, o Pentágono autorizou o USMC a modernizar seus helicópteros de combate e utilitários AH-1W e UH-1N respectivamente para que ambos os modelos pudessem permanecer em serviço até depois 2020.

Assim, no final de 1996, a Bell recebeu um contrato no âmbito do programa de atualização H-1 para modernizar completamente 180 AH-1W Super Cobras e 100 UH-1N Hueys. Por meio do alto nível de compatibilidade entre os dois modelos modernizados (85%), o USMC esperava reduzir os custos de treinamento, manutenção e aquisição de peças de reposição, além de reduzir o esforço logístico operacional. As versões modernizadas foram designadas AH-1Z Viper e UH-1Y Venom. Devido às mudanças envolvidas, o AH-1Z recebeu o número de modelo Bell 449.

O componente central deste programa de modernização foi equipar ambas as versões com rotores de quatro pás, nova transmissão, um “cockpit de vidro” digital com telas multifuncionais, aviônicos mais modernos e um novo sistema de aquisição de alvos.

Em agosto de 1998, o USMC transferiu quatro AH-1Ws para a Bell como aeronaves de teste para o programa de modernização. A construção do primeiro protótipo AH-1Z-1 (AH-1W com número de série 162549 convertido para AH-1Z com número de série 166477) começou em abril de 1999. Após a conclusão dos testes no solo, a apresentação oficial ocorreu em Arlington, Texas, em 20 de novembro. O Z-1 decolou em seu voo inaugural da fábrica da Bell em Arlington, em 7 de dezembro de 2000. Curiosamente, naquela época, o Z-1 ainda possuía o antigo cockpit do AH-1W.

Os protótipos Z-2 e Z-3 deveriam ser entregues em 2001. Durante os testes de voo iniciais do Z-1, no entanto, surgiram problemas com o manuseio da aeronave, o que tornou necessário um redesenho do estabilizador horizontal da aeronave. O protótipo Z-2 (AH-1W 163933/ AH-1Z 166748) só foi concluído depois do Z-3 (AH-1W 162532/ AH-1Z 166479). O Z-3 fez seu primeiro voo em 26 de agosto de 2002, enquanto o Z-2 foi ao ar em 4 de outubro do mesmo ano. Em contraste ao Z-1, os estabilizadores horizontais do Z-2 e Z- 3 eram maiores e não possuíam placas verticais nas pontas.

A produção inicial de um pequeno lote de pre-série, chamado de Produção Inicial de Baixa Cadência (Low Rate Initial Production – LRIP), começou em outubro de 2003 e, em 15 de outubro de 2005, o USMC recebeu seu primeiro AH-1Z Viper. A Avaliação Operacional, ou OPEVAL, começou em Patuxent River em maio de 2006.

Os testes revelaram vários problemas que retardaram o programa, que já sofria com aumentos de custos e atrasados. Além dos problemas de software, havia também dificuldades com o sistema de diagnóstico e monitoramento a bordo (por exemplo, os detectores para detectar limanhas de metal no fluido de transmissão e no óleo do motor), com as pás do rotor de cauda e para iniciar a unidade de potência auxiliar em condições quentes.

O mais grave, no entanto, foram os problemas com o sistema TSS e o sistema de mira do capacete Top Owl. Nem a estabilização do TSS nem o foco funcionaram inicialmente de maneira ideal. Uma característica do sistema Top Owl provou ser particularmente perigosa. Durante o voo noturno, o Top Owl projeta imagens de duas câmeras com pouca luz conectadas aos lados do capacete. Mas como a distância entre as duas câmeras é maior que a distância entre os olhos do piloto, é encontrado um fenômeno chamado hiperstereopsia que afeta a percepção da altura. Esse problema foi considerado inaceitável para o USMC, especialmente durante voos noturnos em baixa altitude e pousos em espaços confinados, como os conveses dos navios. Em resposta, a Thales desenvolveu um sistema de mira retrátil (Optimized Top Owl, ou OTO), que é de design mais simples e possui óculos de visão noturna ANVIS-9 com indicador de dados integrado e uma mira monocular simples para exibir dados de voo e alvo.

O sistema de mira do capacete Top Owl também é usado pelos pilotos do Eurocopter Tiger e do NH-90 – obviamente as falhas do sistema não são vistas como tão sérias pelos usuários lá.

Depois que a entrega de novas aeronaves de pré-produção foi adiada, na virada de 2006-07, os testes operacionais, realizados pelo esquadrão de testes VX-9 Vampires, foram interrompidos e não foram retomados até 11 de fevereiro de 2008.

Apesar dessas dificuldades, os pilotos concordaram que o Viper era uma aeronave muito melhor que seu antecessor. Eles elogiaram seu desempenho e baixo nível de vibração em voo, bem como seu cockpit moderno e muito mais ergonomicamente projetado, o que facilitou consideravelmente a carga de trabalho da tripulação. Um piloto do Viper descreveu a diferença em comparação com o antigo AH-1W: “É como se alguém subisse de um velho Fusca para um novo Mustang”.

Apesar de várias atualizações, o equipamento eletrônico do AH-1W baseia-se em grande parte no padrão das décadas de 1980/1990. Apesar de várias tentativas de modernização, os sistemas não são completamente integrados.

Por exemplo, o artilheiro de um AH-1W deve operar cinquenta e dois interruptores antes de armar, programar e disparar um Hellfire. As diferenças nos cockpits dianteiros e traseiros dificultam a coordenação entre os tripulantes. Enquanto o piloto pode disparar mísseis Hellfire do cockpit traseiro, ele não tem a capacidade de programar as frequências do laser ou adquirir alvos com a mira telescópica. O artilheiro, por outro lado, carece de um HUD para obter dados do alvo para os foguetes não guiados. Como apenas o piloto possui um indicador para o receptor de alerta de radar, o artilheiro sentado à frente deve ser avisado verbalmente de uma ameaça.

Para a tripulação e sua eficácia operacional, o layout idêntico de ambos os cockpits no AH-1Z representa um avanço considerável.

Embora a OPEVAL Fase II também tenha sido interrompida devido a problemas técnicos, os problemas foram finalmente superados com êxito no final de setembro de 2010. Em 28 de novembro de 2010, o Pentágono autorizou a produção em cadência máxima e em fevereiro de 2011 declarou a capacidade operacional inicial (Initial Operating Capability – IOC) do AH-1Z. O capacidade operacional plena está prevista para 2021.

Em 15 de novembro de 2011, o HMM-268 (Marine Medium Helicopter Squadron-268) tornou-se a primeira unidade do USMC a desdobrar o AH-1Z Viper no exterior. Como parte da 11ª Unidade Expedicionária da Marinha, o HMM-268 (Marine Medium Helicopter Squadron-268) partiu de San Diego a bordo do USS Makin Island (LHD -8) para um cruzeiro de sete meses nos oceanos Pacífico e Índico com 4 AH-1Z Viper a bordo. O USS Makin Island retornou a San Diego em 22 de junho de 2012. Para todos os efeitos, o desempenho foi dentro do esperado.

No final de abril de 2012, o HMLA-267 (Marine Light Attack Helicopter Squadron-267) foi a primeira unidade do USMC a substituir completamente todos os seus AH-1Ws por AH-1Zs.

14. Produção e operadores

Como mencionado anteriormente, o programa H-1 originalmente previa a produção de 180 AH-1Zs (todos AH-1Ws remanufaturados). Devido à necessidade de mais máquinas no Iraque e no Afeganistão, no entanto, em setembro de 2008, foi decidido adquirir um total de 226 AH-1Z (168 AH-1W remanufaturados e 58 AH-1Z novos).

A diferença básica entre os AH-1Z novos e os remanufaturados é o motor, enquanto as unidades remanufaturadas a partir do AH-1W mantiveram os antigos motores T700-GE-401, os Vipers novos foram equipados com motores de melhor desempenho T700-GE-401C.

Em 2010, os números mudaram novamente, o alto desgaste entre os AH-1Ws disponíveis e as reduções no orçamento de defesa causadas pela crise econômica levaram a uma reavaliação da quantidade de aeronaves necessárias. Decidiu-se que 189 AH-1Zs seriam produzidos (131 AH-1W remanufaturados e 58 AH-1Z novos).

Ao longo do programa a idéia de converter AH-1Ws antigos em AH-1Zs mostrou-se ineficiente, houve uma explosão virtual de custos durante o desenvolvimento. Embora tenha sido estimado no final de 2000, que cada AH-1Z remanufaturado custaria 11,5 milhões de dólares, o preço real em 2012 foi de 27 milhões de dólares para a modificação de antigos AH-1Ws e 31 milhões de dólares para helicópteros novos. De modo que não se podia mais falar de uma alternativa barata ao AH-64D Apache, pois 31 milhões por um AH-1Z novo era praticamente o mesmo preço pago por um AH-64D novo. Mas este último não seria capaz de operar por longos períodos no mar e, para isso, teria que passar por um processo de conversão demorado e caro – quão alto o preço do Apache seria, então, é uma incógnita. Além disso, o Apache não teria os 85% de partes comuns com o UH-1Y, o que elevaria os custos operacionais e esforço logístico.

Com o elevado custo de conversão de unidades AH-1W, perdas em combate desde 2001 acima do esperado e o USMC sofrendo com a falta de helicópteros de combate, em dezembro de 2011, o Pentágono decidiu deixar os antigos AH-1W com as unidades operacionais e não retirá-los para modernização. Em vez disso, a partir do início de 2012 (início do ano fiscal de 2013 nos EUA), apenas AH-1Z novos foram adquiridos dentro do obejtivo de 189 AH-1Zs, a maioria agora seria de máquinas novas (37 AH-1W remanufaturados e 152 AH-1Z novos).

Até 25 de janeiro de 2016, 37 AH-1Zs remanufaturados e 10 AH-1Zs novos tinham sidos entregues. No início de 2019, a Bell recebeu o contrato do Lote 16 para concluir a produção do AH-1Z. Quando a produção estiver concluída, o Corpo de Fuzileiros Navais terá 189 AH-1Zs. A entrega final está prevista para o início de 2021.

Em 2015, o Paquistão encomendou 12 AH-1Z no processo de vendas militares estrangeiras dos EUA. As novas aeronaves deveriam substituir a frota de AH-1F operada por aquele país, mas em 2018 a venda foi suspensa quando os EUA cortaram o financiamento de segurança para o Paquistão e armazenaram as 3 primeiras unidades que seriam entregues em 2018. Atualmente existem relatos de que as entregas podem ser retomadas.

No final de 2018, o Bahrein confirmou seu pedido de 12 AH-1Z Vipers, seis meses depois que o Departamento de Estado dos EUA aprovou o acordo no processo de vendas militares estrangeiras.

Em 2019, a República Tcheca assinou uma carta de oferta e aceitação para uma frota mista de AH-1Z e UH-1Y. A compra de 4 AH-1Z e 8 UH-1Y representou a primeira venda militar estrangeira de uma frota H-1 mista. A Bell prevê que a entrega da primeira aeronave H-1 para a República Tcheca ocorrerá em 2023 e a entrega final até 2024.

Considerando o fato de que o AH-1 Cobra foi originalmente projetado apenas como um paliativo rapidamente disponível, o fato de o tipo ainda estar em serviço quase cinco décadas após seu voo inaugural é bastante notável. Ainda mais notável, porém, é que, quando o último AH-1Z deixar a linha de produção em 2020, a produção do AH-1 terminará após 55 anos. Pouquíssimas aeronaves podem olhar para uma vida útil tão longa. Embora o AH-1 tenha se tornado um clássico, a história do Cobra está longe de terminar.

15. Variantes

15.1 Monomotores (US Army)

AH-1G Cobra (Bell Model 209): Primeira variante operacional desenvolvida para o Exército dos EUA (US Army); equipada com um motor Lycoming T53-L-13 (1.400 shp), rotores com duas pás, duas estações de armas por asa e inicialmente uma torre de queixo XM64 com uma metralhadora Gatling M134 com 6 canos de 7,62mm (posteriormente substituída por uma torre M28 com duas metralhadoras M134 ou dois lançadores de granada SM-129 de 40mm, ou uma combinação de ambos). Primeiro voo em 1966. Foram produzidas 1.124 unidades novas (incluindo 8 para a Espanha e 38 para o Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA – USMC).

AH-1Q Cobra: AH-1Gs do US Army modernizados com o sistema XM65 TOW (lançadores quádruplos, Unidade de Mira Telescópica, eletrônica), necessário para disparar mísseis antitanque TOW (8 mísseis). Também receberam um sistema de mira no capacete (Helmet Sight System – HSS) XM128, tornando assim o primeiro helicóptero do mundo com um sistema do tipo. Primeiro voo em 1974. Foram modernizadas 92 unidades.

AH-1S Cobra: AH-1G e AH-1Q do US Army modernizadas para o padrão ICAM (Improved Cobra Agility and Maneuverability), que consistia na instalação do novo motor Lycoming T-53-L-703 (1.800 shp) e de uma nova transmissão para melhorar o desempenho em voo com mísseis TOW. Primeiro voo em 1974. Foram modernizadas 378 unidades (286 AH-1G e todos os 92 AH-1Q).

AH-1P Cobra: Manteve o padrão ICAM do AH-1S e recebeu um novo: canopy com vidros planos, cockpit e pás compostas (Kaman K-747). Primeiro voo em 1977. Foram produzidas 100 unidades novas para o US Army.

AH-1E Cobra: A principal novidade foi a nova torre de queixo GTK4A (Torre Universal) com um canhão Gatling M197 com três canos rotativos de 20mm, inédito nos AH-1s monomotores do US Army. Primeiro voo em 1978. Foram produzidas 106 unidades novas (98 para o US Army, 6 para Israel e 2 para o Japão).

AH-1F Cobra: Última versão operacional no US Army; recebeu novo: sistema supressor de assinatura IR no duto de exaustão, sensor de dados de voo XM-143, interferidor IR, receptor de alerta radar (RWR), etc. Primeiro voo em 1979. Foram produzidas 608 unidades (149 células novas para o US Army e 79 para exportação, além de 380 AH-1Gs modernizados para US Army).

15.2 Bimotores (USMC)

AH-1J Sea Cobra: Primeira variante operacional desenvolvida especialmente para o Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA (USMC); equipada com dois motores Pratt & Whitney Canada T-400-CP-400 (2 x 900 = 1.800 shp), torre de queixo M97 com o canhão Gatling M197 com três canos rotativos de 20mm. Primeiro voo em 1969. Foram produzidas 69 unidades novas para o USMC.

AH-1J Internacional: AH-1Js exportados com dois motores mais potentes Pratt & Whitney Canada T-400-CP-402 (2 x 985 = 1.970shp) e nova transmissão; alguns receberam o sistema XM65 TOW (lançadores quádruplos, Unidade de Mira Telescópica, eletrônica), necessário para disparar mísseis antitanque TOW (8 mísseis). Primeiro voo em 1974. Foram produzidas 210 unidades novas (202 para o Irã e 8 para a Coreia do Sul).

AH-1T Improvead Sea Cobra: Recebeu dois motores Pratt & Whitney T400-WV-402 (2 x 985 = 1.970 shp), transmissão aprimorada, cone de cauda mais comprido, rotor de maior diâmetro e pás mais largas. A diferença visual mais óbvia entre as aeronaves modificadas para o novo padrão e as realmente novas estava na Unidade de Mira Telescópica (Telescopic Sight Unit – TSU) necessária para operar o míssil TOW nas células novas. Estas últimas também receberam um sistema de mira montada no capacete (Helmet Mounted Sighy – HMS). Primeiro voo em 1976. Foram produzidas 57 unidades para o USMC (33 AH-1Js modernizados e 24 unidades novas).

AH-1W Super Cobra: Variante com novos motores General Eletric T-700-GE-401 (2 x 1.690 = 3.380 shp) e nova transmissão. Outras inovações foi a possibilidade de utilizar o míssil ar-ar AIM-9 Sidewinder e o míssil antirradar AGM-122 Sidearm. Primeiro voo em 1986. Foram produzidas 242 unidades novas (169 para o USMC e 73 exportados).

AH-1Z Viper (Bell Model 449): Variante do USMC descrita e detalhada acima.

16. Futuro

O Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA (USMC) emitiu em 2019 um pedido de informações para o programa AURA (Attack Utility Replacement Aircraft), lançando formalmente sua busca por um helicóptero para suceder seus helicópteros utilitários Bell UH-1Y Venom e helicópteros de ataque Bell AH-1Z Viper.

Os requisitos do USMC são ambiciodos, incluem um raio de combate de 833km, com 30 minutos de espera. O serviço também quer uma velocidade de cruzeiro de 546km/h com 90% de potência contínua máxima e 611km/h de velocidade do ar indicada a 100% da potência nominal intermediária (normalmente 30 minutos). O USMC também solicitou uma variante de ataque com o máximo de semelhança possível com a variante utilitária.

Como uma aeronave de substituição conjunta para o AH-1Z e UH-1Y não será introduzida antes de 2030, o AH-1Z permanecerá em serviço por pelo menos pelo menos três décadas. Não apenas pelo fato de a designação da versão ter a última letra do alfabeto, é preciso assumir que o AH-1Z será a versão final do Cobra, mas atualizações e aprimoramentos de capacidade de combate irão manter a plataforma efetiva no campo de batalha.

O programa de atualização previsto para a década de 2020 irá sanar a atual deficiência de guerra centrada em rede do AH-1Z. Para isso ele será dotado do Link-16, sistema de troca de dados padrão da OTAN. Desta forma o helicóptero poderá comunicar-se de forma segura e eficiente com uma enormes variedade de ativos. Além disso, será reestabelecida a capacidade de transmissão de vídeo via datalink (Digital Integrated – Full Motion Video) que foi perdida na transição do AH-1W para o atual AH-1Z , para que possa, por exemplo, transmitir imagens tomadas pelo sistema TSS para tropas em solo.

No início de 2018, a Marinha dos EUA concluiu com sucesso seu primeiro teste de voo do míssil ar-solo conjunto (Joint Air-Ground Missile – JAGM) AGM-179 no AH-1Z. O JAGM é um míssil ar-solo multifunção que irá substituir o AGM-114 Hellfire II. Através de um desenvolvimento em espiral, o JAGM irá partir de um incremento I com 8km de alcance e cabeça de guiamento por laser/radar até atingir o incremento III com 15km de alcance e cabeca de guiamento por laser/radar/IIR. A capacidade operacional inicial do incremento I no AH-1Z está prevista para ocorrer em 2021. A adição do radar de ondas milimétricas como meio de guiamento irá melhorar o desempenho quando o alvo estiver mascarado por poeira, fumaça ou neblina.

Outra arma que está nos planos de integração no AH-1Z é o míssil ar-ar AIM-9X Sidewinder, a versão mais moderna da família Sidewinder. O AIM-9X é um míssil de combate aproximado de quinta geração que possui mais alcance (+15km), mais agilidade (70g) e uma cabeça de guiamento mais moderna (IIR) do que o atual AIM-9M operado pelo AH-1Z. Um alvo pode ser designado a até 90° para os lados (off-boresight), exigindo assim menos manobra para o enquadramento da ameaça.

Em junho de 2020, a US Navy contratou a Leonardo DRS (uma subsidiária americana da empresa italiana Leonardo SpA) para projetar, desenvolver e integrar o sistema AN/AAQ-45 Distributed Aperture Infrared Countermeasure (DAIRCM) em seus helicópteros AH-1Z, AH-1Y e MH-60S. No AH-1Z o AN/AAQ-45 irá substituir o sistema AN/AAR-47(V)2 no papel de alerta de aproximação de mísseis e alerta laser, mas incluindo também a capacidade de indicação de fogo hostil (Hostile Fire Indicator – HFI), que aponta a direção de disparo de armas de fogo; e capacidade de contramedidas infravermelha por energia dirigida (Directional Infrared Counter Measures – DIRCM), que utiliza um laser para cegar mísseis com orientação por infravermelho. Tudo integrado no mesmo sensor (4 em 1).

O AN/AAQ-45 consiste basicamente de um processador, um laser e 4 sensores com capacidade 4 em 1 distribuídos em volta do helicóptero. O sistema usa um único laser instalado centralmente que pode alimentar todos os 4 sensores. O canal de alerta de ameaça envia informações brutas de vídeo e dados digitais ao processador, que analisa os dados em busca de uma ameaça de míssil, laser ou fogo hostil. Se o processador detecta uma ameaça, ele notifica a tripulação e inicia o laser para direcionar a energia de interferência no míssil.


*Ricardo N. Barbosa é Técnico do Seguro Social e 3º Sargento da Reserva não Remunerada da FAB. E-mail: rnbeear@hotmail.com

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