F-22 rastreado pelo sistema OLS-35 do Su-35S ! Mas o que isso significa ?

Uma suposta imagem do F-22A Raptor sendo rastreado pelo sistema eletro-óptico OLS-35 do Sukhoi Su-35S na Síria foi divulgada no Instagram pela conta fighter_bomber. A mesma alegadamente pertence a um piloto militar russo. Tomando a imagem como verdadeira,   o que significa taticamente ? Resposta curta e objetiva: “NADA”. 

Por Ricardo N. Barbosa

O OLS-35 é um sistema eletro-óptico que possui 3 canais: canal laser, TV e IR. O canal IR rastreia pontos de calor, o canal de TV gera imagens e o telêmetro laser toma a distância dos alvos. O canal IR é um IRST de 2ª geração, o mesmo é composto por um sensor térmico que atua através do infravermelho de ondas médias (MWIR). A escala de detecção é de 30-50km contra um caça subsônico de frente e 90km pela retaguarda. O campo de busca está em ±90° em azimute e -15°, +60° em elevação. Ele pode rastrear até 4 alvos. O laser tem alcance de 20km para alvos aéreos e 30km para alvos em solo. O OLS-35 é um avanço frente ao OLS-27/30 instalado em aeronaves Su-27/30, porém é um sistema tecnologicamente datado frente aos novos IRSTs ocidentais, a exemplo do PIRATE do Typhoon que pode rastrear 200 alvos, forma imagens IR (IIR) e também opera no infravermelho de ondas longas (LWIR).

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A bolha do OLS-35 está a frente do para-brisa.

O F-22 é um caça stealth, dessa forma ele deve diminuir o alcance de deteção até um valor taticamente útil. Se antes um caça poderia detectar outro caça legado (que não é furtivo) com seu radar a 200km, contra o F-22 esse alcance vai cair para aproximadamente 20km. É importante observar que, a título de exemplo, o F-22 pode ser perfeitamente detectado e rastreado pelo radar a menos de 20km. O F-22 não é invisível ao radar, mas baixo observável, ele diminui o alcance de detecção. O termo invisível é um termo leigo.

Na referida imagem é possível observar que o F-22 está na arena visual ou próximo disso, já que a imagem é tomada de cima para baixo, logo o Su-35S não deve estar muito distante. Corre o risco inclusive do piloto do Su-35S estar seguindo visualmente o F-22. Algo normal na Síria, já que as aeronaves estão em constante contato visual, algo aceitável e prudente em um teatro sem ameaças ar-ar iminentes e com 3 grupos (EUA, Rússia e Síria) tentando evitar rusgas aéreas desnecessárias. Quando um Su-22 sírio foi abatido, isso não ocorreu antes do contato visual do F/A-18E com o mesmo e reiterados alertas, já que não existe uma situação de confrontação direta Estado x Estado. Na verdade, o teatro de operações aéreas da Síria não representa em nada um teatro de combate entre Estados. A proximidade do Su-35S em relação ao F-22 pode ser confirmada pela alegação do autor da conta de que foi tomada após um “dogfight” com o F-22, o que implica em manobras dentro do alcance visual.

O que o Su-35S fez com seu OLS-35 foi basicamente filmar o F-22 com seu canal de TV durante algum dos encontros rotineiros entre aeronaves russas e americanas sobre a Síria. A imagem indica que o OLS-35 está rastreando o F-22 através do canal TV+IR, em que o ponto de calor é seguido pelo canal de TV. O canal IR rastrear o F-22 quase pela retaguarda e no alcance visual é algo totalmente previsível dentro do conceito stealth. Nos stealths existe o que podemos chamar de balanceamento de assinaturas, o F-22 não necessita evitar ser rastreado a curta distância por um sensor IR, já que nessas condições o mesmo pode ser rastreado inclusive pelo radar da aeronave hostil e até mesmo pela visão do piloto inimigo.

FLIR
Canal de TV seguindo uma fonte de calor.

Aeronaves russas da família Flanker também foram filmadas na Síria por caças F/A-18E/F dotados de FLIR, inclusive a partir do aspecto traseiro dos Flankers. Assim como no caso do F-22 vs Su-35S, as imagens não significam nada taticamente, no máximo atestam que o FLIR dos F/A-18E/F estava funcionado no momento do encontro. Lógico, assim o piloto russo, o piloto do F/A-18E/F poderia alegar que as mesmas foram tomada depois de um “dogfight” em que o F/A-18E/F enquadrou o Flanker pela retaguarda, uma alegação meramente retórica diante da realidade operacional sobre a Síria.

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Aeronave da família Flanker filmada por um F/A-18E.

O que pode ser questionada é a necessidade de uma aeronave stealth como o F-22 em um teatro que rotineiramente exige um contato visual em suas regras de engajamento e priva o mesmo de sua principal característica, a furtividade fora da arena visual. Porém, na Síria, enquanto a ameaça aérea iminente é mínima, para não dizer inexistente, ainda existe uma ameaça consistente da defesa antiaérea síria, que pode manter-se oculta enquanto não emite, logo, ter uma aeronave que pode operar mesmo quando essa defesa antiaérea está ativa é importante para garantir uma aeronave no ar em quaisquer condições. Inclusive, no último ataque com mísseis de cruzeiro dos EUA contra o regime sírio, foi declarado que o F-22  estava no ar e operando enquanto toda a defesa antiaérea síria estava plenamente ativa.

Outra vantagem do F-22 é permitir muitas vezes bisbilhotar as operações aéreas russas de forma furtiva. Em algum dos encontros rotineiros entre o F-22 e aeronaves russas o mesmo foi pego bisbilhotando um pacote de aeronaves russas escoltadas pelo Su-30SM. O Su-30SM só tomou conhecimento do F-22 quando detectou suas emissões radar já dentro do alcance visual.

A única conclusão possível a partir dessas imagens é a de que o F-22 não é a aeronave da Mulher Maravilha, ou seja, ele é visível no espectro visual. Nada de novo no campo de batalha.

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