Sukhoi Su-30, linha Komsomlsk-on-Amur e a ameaça venezuelana

A linha Su-30 Komsomolsk começou com o Su-30MKK feito para a China. Comparado ao Su-30 de Irkutsk, o Su-30 da fábrica de Komsomolsk-on-Amur é menos avançado; Ele é baseado em uma estrutura padrão do Su-27UB/Su-35 e tem um sistema de controle de armas de ‘arquitetura fechada’ baseado no Su-27, embora com atualizações posteriores.

Por: Ricardo N. Barbosa

Fabricante

O Komsomlsk-on-Amur Su-30 foi desenvolvido pela Sukhoi Design Bureau de Moscou e produzido pela planta de aeronaves da cidade de Komsomlsk-on-Amur (KnAAPO – Komsomolsk-on-Amur Aircraft Manufacturing Association), ambas pertencentes a Sukhoi Company.

Função

Caça multifunção pesado de ataque tático e superioridade aérea. Na Força Aérea Russa (VKS – Vozdushno Kosmicheskiye Sily), porém, é utilizado como aeronave de treinamento de combate para pilotos de Su-27SM e Su-35S.

Detalhes do Su-30MK2

Tripulação

Dois pilotos sentados em tandem em acentos ejetáveis K-36DM série 2.

Fuselagem e sistemas

Embora semelhante ao Su-27UB, a estrutura é consideravelmente reforçada para permitir a descolagem com carga total de combustível e oito toneladas de carga externa. A aeronave é equipada com estabilizadores verticais ligeiramente mais altos, que não são cortadas como os do Su-30 Irkutsk.

Motor

Dois turbofans AL-31F série 23 (projeto 99V), cada um com 12.500kg (27.562lb) em potência máxima com pós-combustão e 7.850kg (17.300lb) em potência militar.

Dimensões

Envergadura: 14,7m. Comprimento: 21,935m. Altura 6,43m. Área alar: 62m².

Peso

Peso máximo de decolagem: 34.500kg. Peso máximo excepcional de decolagem: 38.800kg (não mais do que 20 decolagens). Peso máximo de pouso: 23.600kg. Peso máximo excepcional de pouso: 30.000kg. Combustível interno: 9.640kg

Performance

Velocidade máxima em alta altitude: Mach 2.0 (2.100km). Velocidade máxima ao nível do mar: Mach 1.1 (1.350km/h). G limite: +8.5/ -2. Teto operacional: 17.300m (56.759ft). Raio de ação a elevadas altitudes com quatro mísseis ar-ar, dois R-27R e dois R-73: 1.500km. Raio de ação ao nível do mar com quatro mísseis ar-ar, dois R-27R e dois R-73: 635km. Decolagem (peso normal de decolagem): 550m. Aterrissagem com para-quedas de frenagem: 750m.

Sistema de controle de armas

O sistema de controle de armas fornece a detecção, rastreamento e destruição de alvos aéreos, terrestres e marítimos em quaisquer condições climáticas durante o dia e à noite. Inclui dois sistemas principais: ar-ar ar-superfície SUV-VEP; ar-superfície SUV-P1I:

O sistema de controle de armas ar-ar ar-superfície SUV-VEP (Sistema Upravleniya Vooruzheniyem – Vozdukh Eksportnaya Poverkhnost) inclui o sistema de mira radar RLPK-27VEP interligado ao sistema de observação eletro-óptico OEPS-27MK, ao sistema de  exibição de dados SILS-27M e ao interrogador IFF.

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Cockpit frontal dominado por um HUD e dois CMFDs.

O sistema de mira radar RLPK-27VEP (Radiolokatsyonnyi Pritselnyi Kompleks) (projeto N001VEP) é um radar Pulso-Doopler projetado pela Tikhomirov NIIP com uma antena cassegrain invertida operando na banda-X. Trata-se de um aprimoramento do radar N001VE do Su-30MKK, que é derivado do radar N001 do Su-27.

No N001VEP existe um canal de computação separado com o computador Solo-54 que permite o mapeamento do terreno com abertura sintética (SAR), detecção de alvos de superfície e sua indicação para mísseis anti-navio Kh-31A, também permite o uso de mísseis ar-ar de radar ativo R-77 (RVV-AE).

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Cockpit traseiro dominado por dois CMFDs.

Um alvo do tamanho de um caça (RCS = 3m², com 50% de probabilidade de detecção) no mesmo nível ou acima da aeronave (look-up) e aproximando-se de frente pode ser detectado a 100km em uma busca em volume ou a 150km em uma busca apontada (quando a posição aproximada do alvo é apontada por outro sistema on-board ou datalink). Se este mesmo alvo estiver abaixo do nível da aeronave (look-down) o alcance é de 80km para uma busca em volume. Com o alvo sendo observado pelo aspecto traseiro o alcance cai para 40km (look-up) e 35km (look-down).

No modo TWS (Track While Scan) 10 alvos aéreos podem ser rastreados e dois atacados simultaneamente. O campo de observação (limites máximos de busca) da antena é de ±60° em azimute e -55°/+60° em elevação. No modo de busca naval o campo de visão (limite de busca escolhido) azimutal dentro do campo de observação é de ±45° (dentro do ângulo ±60°). Um porta-aviões pode ser detectado a 350km e um destroyer a 250km. Pode detectar alvos móveis em solo (GMTI – Ground Moving Target Indicator) com RCS de 10m² (tanque) ou mais em velocidade radial entre 15-90km/h.

O sistema de observação eletro-óptica OEPS-27MK (Optiko Elektronnaya Pritselnaya Sistema – 27 Mernizeerovannyy Kommehrcheskiyo) (projeto 31E-MK) inclui a estação de localização óptica OLS-27MK e o sistema de mira no capacete Sura-K.

OLS-27MK (Optiko Lokatsyonnaya Stantsya) (projeto 52Sh), também conhecido como OLS-30, é uma estação de localização óptica que combina um sensor térmico do tipo IRST e um telêmetro laser (LR – laser rangefinder). O IRST realiza a mesma função do radar, mas apenas em condições meteorológicas favoráveis, ele detecta e realiza o rastreamento angular de alvos aéreos através de suas emissões IR, enquanto isso o telêmetro laser determina a distância deles.

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O OLS-27MK (IRST/LR) localiza-se em frente ao para-brisa.

O limite de varredura do IRST é de ±60° (120°) em azimute e +60°/-15° (75°) em elevação. O alcance do sensor térmico contra um caça subsônico em potência militar (sem pós-combustão) é de aproximadamente 20km (alvo de frente) e 60km (alvo pela retaguarda). O telêmetro laser possui alcance de até 8km para alvos aéreos e de até 10km para alvos na superfície.

Sura-K é um sistema de designação de alvo montado no capacete (HMS – Helmet Mounted Sight) que utiliza um monóculo monocromático sobre o olho direito do piloto para apontar os mísseis de curto alcance (WVR) R-73 durante o combate aproximado (dogfight). Os alvos podem ser apontados dentro de um cone de ±60° (120°) em azimute e de +60°/-20° (80°) em elevação.

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O Sura-K utiliza um monóculo como mira para o R-73.

O sistema de exibição no para-brisa SILS-27M (Sistema Indikatsii na Lobovom Stekle) consiste em um visor holográfico de cabeça erguida (HUD – Heads Up Display)  ILU-31 no cockpit frontal.  O HUD exibe as principais informações de navegação e designação de alvos  na altura dos olhos do piloto.

Além disso, o caça possui um sistema de controle de armas ar-superfície SUV-P1I (Sistema Upravleniya Vooruzheniyem – Poverkhnost) separado que permite o uso de uma ampla gama de armas de alta precisão guiadas por laser e TV. Inclui dois visores multifuncionais coloridos (CMFD) MFI-10-5 de 6 x 8 polegadas (152 x 203 mm) em cada cockpit.

Sistema de autoproteção

Os sistemas de autoproteção incluem o receptor de alerta radar (RWR) L-150-14 Pastel-30K que, além de alertar o piloto sobre emissões de radar em volta da aeronave, fornece indicação de alvo para o míssil anti-radar Kh-31P. O jammer L-203I-E Gardenia (ou L005S Sorbtsiya para alguns clientes) é fornecido em dois pods na ponta das asas e atua como sistema de contramedidas ativas, interferindo no radar adversário, que pode estar em uma aeronave, sistema em solo ou míssil. Lançadores de chamarizes descartáveis chaff/flare APP-50-R/A são transportados na fuselagem traseira, são a última camada de defesa.

Aviônica

O sistema de navegação de voo PNK-10PU-02 inclui o piloto automático SAU-10-01, sistema de navegação inercial IK-VK-80-6, TACAN A31, receptor GPS/Glonass A-737-010 e outros dispositivos. Dois rádios de comunicação R-800L e um R-8641.2h estão instalados, enquanto um link de dados seguro permite operações em grupo.

Armamento

Até 8.000kg de carga em 12 pontos de lançamento, incluindo até seis mísseis ar-ar (MAA)  R-27R/ER guiados por radar semi-ativo, dois MAA R-27T/ET guiados por IR, até seis MAA RVV-AE (versão de exportação do R-77) guiados por radar ativo, ou seis MAA de curto alcance R-73. As opções ar-superfície incluem dois mísseis Kh-59M (exigindo o pod de orientação Tek-9 Tekon), até seis mísseis anti-radar/navio Kh-31P/A, até seis mísseis Kh-29T/L (a versão guiado por laser requer um pod de direcionamento), até três bombas guiadas de 1.500kg ou seis de 500kg, até 32 bombas de queda livre de 100kg, ou 28 de 250kg, ou 8 de 500kg, e os foguetes S-8, S-13 e S-25. Canhão padrão de 30mm GSh-301 com 150 tiros. Sistema de gerenciamento de carga SUO-30PK-1.

*Obs: Aeronaves Su-30MK2 da Marinha Chinesa já foram flagradas transportando mísseis ar-ar indígenas PL-12 (BVR) e PL-8B (WVR). 

História

Todas as grandes modificações do Su-30 foram projetadas na Rússia, mas o projeto em si remonta aos dias da URSS. A família Su-30 ganhou vida em meados da década de 1980, quando o escritório de design experimental da Sukhoi decidiu desenvolver através de um projeto de baixo risco um interceptador especializado baseado no treinador Su-27UB (Uchebno Boevoy – Treinamento Combate).

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O treinador Su-27UB (acima) foi a base para o Su-30 original.

A experiência operacional com interceptadores de assento único, incluindo o Su-27, mostrou que trabalhar o sistema de controle de armas durante o combate aproximado (dogfight) envolvendo manobras de alto G era demais para o piloto. Além disso, os recursos da aviônica moderna eram mais do que um piloto poderia lidar durante o dogfight.

Um segundo tripulante, o operador de sistemas de armas, foi necessário para facilitar a carga de trabalho do piloto em longas missões. Com controles duplos, a tripulação poderia operar de maneira mais eficiente em longas missões; isso também melhorou a confiança da tripulação e a capacidade de sobrevivência, uma vez que o operador de sistema de armas poderia assumir os controles de voo se necessário.

O operador de sistema de armas também poderia dar instruções para outras aeronaves durante uma ação conjunta, sendo a aeronave equipada com um visor de situação tática. A capacidade de reabastecimento em voo tornou-se uma necessidade nesta situação, então uma sonda para reabastecimento em voo totalmente retrátil foi montada lateralmente na fuselagem próxima ao nariz.

Sendo encarregado de interceptações de longo alcance o Su-30 deveria ter uma resistência de 10h através de vários reabastecimentos em voo e atuar quase como um mini-AEW&C, operando em conjunto com até quatro interceptadores tais como o Su-27S ou outros Su-30. Neste papel o Su-30 realizaria a troca de dados através de um sistema de datalink, tal como acontecia com o interceptador MiG-31 Foxhound.

O Sukhoi Su-30 (OTAN: Flanker-C) original sem sufixo, designado internamente pela Sukhoi como T-10PU (projeto 10-4PU) e informalmente Su-27PU (Perekhvatchi Usovershenstvovannyy – Interceptador Melhorado), levantou voo no outono de 1988 e entrou em produção de baixa cadência em 1992; assim como o trinador Su-27UB, foi construído pela IAPO (Irkutsk Aviation Production Association) na cidade de Irkutsk, que era a responsável pelas versões biplace do Su-27.

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Su-30K (versão de exportação) da Força Aérea Indiana.

À primeira vista,  o Su-30  diferia pouco em aparência do Su-27UB. As diferenças mais notáveis no Su-30 eram a sonda retrátil de reabastecimento em voo na lateral esquerda e o sensor eletro-óptico OLS-27 na lateral direita da fuselagem em frente ao para-brisas, o Su-27UB não tinha sonda de reabastecimento e o OLS-27 era centralizado. O Su-30 era alimentado pelo mesmo motor AL-31F e radar N001 do Su-27S/UB.

Por causa do fim da União Soviética e das dificuldades econômicas da Rússia apenas (5) Su-30 foram entregues para a Força de Defesa Aérea (PVO – Protivo Vozdushnoy Oborony) da Rússia entre 1994-1997. A versão de exportação Su-30K (Kommehrcheskiy – Comercial) (projeto 10-4PK) foi desenvolvida em 1993. A Força Aérea da Índia tornou-se o primeiro cliente em 1996, (18) Su-30K foram entregues entre 1997-99.

Visando o mercado internacional a IAPO desenvolveu o Su-30MK (Mernizeerovannyy Kommehrcheskiy – Modernização Comercial) (projeto 10-4PMK) paralelamente enquanto oferecia o Su-30K; enquanto o potencial de ataque do Su-30K estava limitado apenas a armas “ar-terra” não guiadas, o Su-30MK incluiu a capacidade de ataque com uma vasta gama de armas ar-superfície. A apresentação internacional foi no Paris Air Show em 1993.

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Protótipo Su-30MK da IAPO, número 603 preto.

O Su-30MK poderia transportar uma carga de 8.000kg em 12 pilones. Para compromissos ar-ar pode transportar os mísseis de médio alcance R-27R1/R-27ER1, R-27T1/R-27ET1, RVV-AE e de curto alcance (dogfight) R-73E. A aeronave poderia atacar alvos terrestres e navios de superfície com mísseis anti-radar Kh-31P, mísseis ar-terra Kh-29T/L Kh-25L, mísseis de cruzeiro guiados por TV Kh-59ME, bombas guiadas KAB-500, bombas de queda livre e foguetes não guiados.

O Su-30MK IAPO original não encontrou um cliente, porém uma nova versão ainda mais capaz foi desenvolvida para atender os requisitos estabelecidos pela Força Aérea Indiana dentro de um contrato assinado em 1996. O Flanker indiano recebeu a designação Su-30MKI (Mernizeerovannyy Kommehrcheskiy Indiyskiy – Modernização Comercial Indiana) (projeto 10MK4).

A característica visível mais marcante do Su-30MKI foi a adição de canards e motores com empuxo vetorado (TVC).  Su-30MKI tornou-se desde então o base para versões customizadas do Su-30 IAPO produzidos para  a Malásia e Rússia (Su-30MKM e Su-30SM respectivamente). Atualmente a IAPO continua produzindo o Su-30SM para a Rússia enquanto oferece o Su-30SME no mercado internacional.

Por um tempo, a IAPO foi a única fabricante do Su-30, que ao longo do tempo recebeu algumas características exclusivas como a adoção de canards e empuxo vetorado (TVC). No entanto, nos anos 90 a KnAAPO (KnAAPO – Komsomolsk-on-Amur Aircraft Manufacturing Association), até então fiel aos modelos monoplace do Su-27 e com uma forte relação com os chineses na produção sob licença do Su-27SK, identificou o interesse da China por um caça modernizado com piloto e operador de sistema de armas.

Visando atender os requisitos chineses uma segunda linha de produção do Su-30MK foi aberta pela NnAAPO na cidade de Komsomol’sk-on-Amur. Muito do trabalho de design foi feito localmente; por isso o Su-30MK KnAAPO tornou-se bastante diferente das versões construídas pela IAPO em Irkutsk; por isso, recebeu uma designação diferente pela OTAN, Flanker-G. Grande parte do projeto estrutural do Su-30MK da KnAAPO migrou do Su-35 original sem sufixo (Su-27M/T-10M), um “Su-27” canard-triplano multifunção, enquanto o Su-30 da IAPO derivou do treinador biposto Su-27UB.

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Su-35 (Su-27M) 710 azul, protótipo da KnAAPO.

O Su-30MK da KnAAPO tinha um sistema de controle de armas mais simples e fechado (a aviônica era exclusivamente de origem russa) do que o Su-30MKI da IAPO. Por outro lado, a versão construída pela KnAAPO apresentava caudas verticais mais altas feitas de compósitos de fibra de carbono que incorporavam um tanque de combustível adicional de 280l em cada uma.

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Su-30MK 502 branco, protótipo da KnAAPO.

O sistema de controle de armas do Su-30MK da KnAAPO compreendia dois subsistemas: o subsistema de controle de armas ar-ar (SUV-VE) e o subsistema de controle de armas ar-superfície (SUV-P). O subsistema SUV-VE compreendia uma versão atualizada do radar RLPK-27E (N001E) do Su-27SK, o RLPK-27VE (N001VE) com a adição da capacidade ar-superfície. Apesar dos diferentes sistemas de controle de armas, a aeronave era capaz de transportar as mesmas armas da versão Su-30MK construídas pela IAPO.

A China tornou-se o primeiro cliente do Su-30MK da KnAAPO em 1998, que recebeu a designação Su-30MKK (Mernizeerovannyy Kommehrcheskiyo Kitayski – Modernização Comercial para a China). A Força Aérea Chinesa (Força Aérea do Exército Popular de Libertação – FAEPL) recebeu (76) Su-30MKK entre 2000 e 2003.

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Su-30MKK da Força Aérea Chinesa, primeiro cliente.

Em 2004 a China recebeu seu primeiro Su-30MK2 (Mernizeerovannyy Kommehrcheskiyo 2 – Modernização Comercial 2 ou Segunda Modernização Comercial) da planta de Komsomolsk-on-Amur. O Su-30MK2 foi inicialmente criado para a Marinha Chinesa  (Força Aérea Naval do Exército Popular de Libertação – FANEPL). Trata-se de um Su-30MKK com uma capacidade incremental de ataque naval, o radar pode detectar navios de superfície e apontar o míssil antinavio Kh-31A.

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Su-30MK2 da Marinha Chinesa, observar o pod jammer.

Em agosto de 2009, após uma década de produção para exportação, o Ministério da Defesa da Rússia fez um pedido para quatro Su-30M2s, que se assemelhavam ao Su-30MK2, mas com alguns modificações a fim de satisfazer os requisitos nacionais russos.

Essas modificações estão relacionadas principalmente a novos modos de software no IFF e no datalink. Os primeiros quatro Su-30M2 foram entregues em 2010 e 2011. Em 29 de dezembro de 2012, um novo pedido para mais 16 aeronaves foi colocado; estes foram entregues entre 2013 e 2016. Na Força Aérea Russa o Su-30M2 são utilizados como aeronave de treinamento de combate.

Na primavera de 2016, a instalação Komsomolsk-on-Amur encerrou a produção do Su-30 e a linha de montagem mudou totalmente para o Su-35S e o Su-57. Além das 20 aeronaves para a Rússia, de 2000 a 2016 a KnAAPO entregou 177 Su-30 em várias versões para exportação.

Produção e operadores

O primeiro cliente foi a China, que comprou (76)  Su-30MKK em 2000-03 e (24) Su-30MK2 em 2004. Depois de 2004, a China deixou de comprar da Rússia. Conversas sobre a compra de mais um lote de (24) Su-30MK2 ou do mais avançado Su-30MK3 não avançaram. Em 2013, a China iniciou os estudos de um novo caça J-16, sendo uma continuação indígena do Su-30MK2 com radar moderno (supostamente AESA), poderoso sistema ECM e armas ar-terra.

A Indonésia adquiriu (2) Su-30MKK em 2003 e (9) Su-30MK2 entre 2008 e 2013. O Vietnã recebeu (24) Su-30MK2V entre 2004-2012, em 2014 começaram as entregas do segundo lote de (12) Su-30MK2Vs encomendados em agosto de 2013. A Venezuela recebeu (24) Su-30MK2Vs entre 2006 e 2008. Uganda recebeu (6) Su-30MK2s em 2011 e 2012.

A Força Aérea Russa fez um pedido para quatro aeronaves Su-30M2 em agosto de 2009 (entregues em 2010) e 16 aeronaves em 29 de dezembro de 2012. As aeronaves foram atribuídas a unidades que operam com caças de assento único Su-27SM em Besovets, Dzyomgi, Krymsk, Isentralnaya Uglovaya, bem como em Belbek, na Crimeia.

Variantes

Su-30MKK (o segundo K vem de Kitay, “China”) é a primeira versão adquirida pela China com o sistema de controle de armas ar-ar SUV-VE, que está centrado no radar RLPK-27VE (N001VE) sem capacidade de detectar alvos na superfície ou de mapeamento do terreno, o míssil antinavio Kh-31A também não é suportado.

Su-30MK2 é a versão padrão originalmente adquirida pela Marinha Chinesa, mais precisamente pela Força Aérea Naval do Exército Popular de Libertação da China.

Su-30MK2V é a designação do Su-30MK2 fornecido ao Vietnã e a Venezuela. Apesar da mesma designação em Português e em Inglês, na Rússia ela é diferente: a versão vietnamita é designada Cy-30MKB (o “B” em Cirílico equivale ao “V” em Inglês e Português) e a venezuelana Cy-30MKV, com a última letra escrita em latim.

Su-30M2 é uma versão modificada do Su-30MK2 para a Força Aérea Rússa. Essas modificações estão relacionadas principalmente a novos modos de software no IFF e no datalink.

Su-30MK2V e a ameaça venezuelana

A história do Su-30MK2V venezuelano começou em novembro de 2005, quando as negociações entre a Rosoboronexport e a Venezuela para a compra de 24 Sukhois tiveram início. Antes disso, a Venezuela considerou a possibilidade de adquirir caças MiG-29M2/UB.

Em 2006 a Venezuela tornou-se o segundo país a adquirir o Su-30MK2 através de um contrato para 24 aeronaves. As duas primeiras unidades foram entregues ainda em 2006. A aeronave de matrícula AMNB 0460 foi perdida em um acidente em 2015, restando assim 23 unidades na ativa.

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A Venezuela recebeu 24 Su-30MK2V entre 2006 e 2008.

Os Su-30MK2V encontram-se distribuídos entre os grupos aéreos de caça 11 e 13, sediados respectivamentes na Base Aérea Capitán Manuel Rios Guarico (125km de Caracas) e na Base Aérea Luís del Valle Garcia (150km de Caracas).

O Su-30MK2V já foi flagrado com mísseis ar-ar RVV-AE, R-27ER1/ET1 e R-73E, bem como os mísseis ar-superfície Kh-59ME, Kh-31A/P e Kh-29L/T. Um leque de armas extremamente capaz para os padrões da America Latina. Destaque para o míssil de cruzeiro Kh-59ME com 110km de alcance e para a família anti-navio/radar Kh-31A/P (50/110km) com velocidade máxima de Mach 3.5 (3.600km/h) a elevadas altitudes e Mach 1.8 ao nível do mar.

Segundo o analista e pesquisador Sérgio Santana/ via Poder Aéreo, a Venezuela teria recebido aproximadamente 100 unidades do R-27ER1/ET1 e outras 150 do R-73E. Bem como 50 mísseis Kh-29L/T; 50 unidades do míssil antinavio/ antirradiação Kh-31A/P; e outros 50 Kh-59ME. Todos os mísseis foram recebidos entre 2006 e 2008 e foram destinados aos Flankers.

Quanto ao emprego de armamento ar-superfície de precisão, principalmente orientados a laser, é importante observar que o Su-30MK2V possui algumas limitação, já que não possui um pod designador integrado, uma deficiência relativamente comum em aeronaves de procedência russa. Neste caso outro tipo de aeronave ou tropas em solo deverão iluminar o alvo com um laser.

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Su-30MK2V com uma poderosa carga multiteatro.

Considerando o Su-30MK2V como um elemento isolado, ele pode ser considerado um das aeronaves de caça mais capaz da América Latina. O ponto forte está no elevado raio de ação, carga paga e leque de armamentos. Para efeito de comparação, o Su-30MK2V pode levar a mesma carga do F-5M pelo menos duas vezes mais longe, o que confere uma excelente persistência de combate, o piloto pode escolher quando engajar ou desengajar, e menos dependência de aeronaves de reabastecimento em voo (REVO).

O pequeno número de unidades e a falta de aeronaves REVO na Aviación Militar Nacional Bolivariana (AMNB), porém, limita o emprego do Su-30MK2V a missões de superioridade aérea defensiva. Com 23 aeronaves no inventário o número de unidades disponíveis a qualquer momento não deve ultrapassar 11 aeronaves, número insuficiente para projetar poder de forma crível.

No máximo, em uma ação mais ofensiva, caberia ao Su-30MK2V fustigar a defesa aérea inimiga em ações provocativas ou retaliatórias, mas sem a capacidade de alterar o status quo das Forças Armadas da América Latina ou de algum conflito regional. Trata-se de uma realidade inerente ao pequeno número de células e não em decorrência de alguma incapacidade da aeronave.

Assinando: Ricardo N. Barbosa



  • Atualização 08/03/2019: Acrescentado o número de mísseis adquiridos pela Venezuela e o míssil R-27ET1 no rol de mísseis flagrados no Su-30MK2V.

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